MP denuncia empresária e PM por tortura e tentativa de homicídio contra doméstica grávida no Maranhão

por Redação

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) denunciou a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos pelos crimes de tentativa de homicídio qualificada, tortura majorada e tentativa de aborto contra a empregada doméstica Samara Regina Dutra Soares, de 19 anos. Grávida de cinco meses na época dos fatos, a jovem foi brutalmente agredida após ser acusada, sem provas, de furtar um anel avaliado em R$ 5 mil na residência onde trabalhava, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.

As investigações concluíram que o anel nunca foi furtado e acabou sendo encontrado em um cesto de roupas da própria casa. Mesmo após a localização da joia, segundo o Ministério Público, as agressões continuaram.

De acordo com a denúncia, Samara foi submetida a uma intensa sessão de violência física e psicológica no dia 17 de abril. O MP afirma que Carolina Sthela desferiu socos, tapas e coronhadas, arrastou a vítima pelos cabelos e chegou a colocar uma arma de fogo na boca da jovem durante as ameaças. A investigação aponta ainda que Michael Bruno manteve a doméstica imobilizada enquanto a empresária prosseguia com as agressões.

Áudios apreendidos pela Polícia Civil reforçam a acusação. Em uma das gravações, Carolina afirma que bateu tanto na vítima que ficou com a mão inchada. Em outro trecho, diz que Samara “não era nem para ter saído viva”, declaração utilizada pelo Ministério Público para sustentar a acusação de tentativa de homicídio.

Segundo a investigação, durante toda a violência a vítima tentou proteger o próprio ventre para preservar o bebê. O MP entende que os denunciados assumiram o risco de provocar a interrupção da gestação.

Carolina Sthela foi presa preventivamente no Piauí quando tentava deixar o estado e permanece custodiada no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Michael Bruno também está preso preventivamente após se apresentar à Polícia Civil.

Além deste caso, a investigação revelou o histórico judicial da empresária. Conforme a Polícia Civil, Carolina responde a mais de dez processos. Em 2024, foi condenada por calúnia após acusar falsamente uma ex-babá de furtar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de R$ 4 mil por danos morais. Segundo a ex-funcionária, a indenização ainda não foi quitada.

Antes de atuar no ramo de consultoria empresarial, Carolina trabalhou em uma escola de natação da irmã. Ela e o marido também foram condenados por desviar mais de R$ 20 mil da empresa familiar por meio do recebimento de mensalidades em contas pessoais entre dezembro de 2020 e março de 2021. As duas empresas das quais foi sócia tiveram os CNPJs declarados inaptos em 2024 por omissão de declarações fiscais.

Michael Bruno Lopes Santos é policial militar lotado no 21º Batalhão da PM do Maranhão. Além da ação penal, ele responde a um procedimento administrativo disciplinar instaurado pela corporação. Segundo o MP, o policial permaneceu armado durante toda a sessão de tortura, utilizou a arma para intimidar a vítima, desferiu uma coronhada na testa da jovem, puxou seus cabelos e a obrigou a permanecer ajoelhada enquanto era agredida.

A denúncia é baseada em depoimentos da vítima e de testemunhas, exames de corpo de delito, laudos periciais que apontaram lesões e perda auditiva, registros de acionamentos ao telefone 190 e nos áudios apreendidos durante a investigação.

A Polícia Civil também investiga a atuação de quatro policiais militares que atenderam a ocorrência. Os agentes foram afastados das atividades operacionais após a divulgação de gravações nas quais Carolina afirma que recebeu orientação para não confessar as agressões e diz conhecer um dos policiais que atenderam o caso.

Em depoimento, Samara relatou que trabalhou pouco mais de duas semanas na residência, cumprindo jornada de aproximadamente dez horas por dia, de segunda a sábado, acumulando funções como limpeza da casa, preparo de refeições, lavagem e passagem de roupas e cuidados com uma criança de seis anos. Segundo a vítima, recebeu R$ 750 por esse período, valor pago por meio de transferências em contas de terceiros.

A defesa de Carolina Sthela informou que respeita a denúncia apresentada pelo Ministério Público e que apresentará sua manifestação durante o processo. Posteriormente, o advogado da empresária afirmou que a cliente pode apresentar transtornos mentais, alegação que deverá integrar a estratégia de defesa. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Michael Bruno Lopes Santos.

Fonte: G1

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