O empresário Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, teve um surto nesta quinta-feira (22) no presídio Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo informações da investigação, ele sofre de depressão e enfrenta dificuldades para se adaptar à rotina da unidade prisional.
Henrique foi preso em Nova Lima (MG) durante a última fase da Operação Compliance Zero, realizada no dia 14 de maio. Empresário mineiro, ele é fundador e principal nome do Grupo Multipar, conglomerado que atua nos setores imobiliário, engenharia, energia e agronegócio.
De acordo com a Polícia Federal, Henrique Vorcaro é apontado como “demandante, beneficiário e operador financeiro” da chamada “A Turma”, grupo supostamente comandado pelo filho, Daniel Vorcaro, para monitorar e intimidar pessoas consideradas desafetas.
Em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, Henrique é descrito como alguém que atuava em colaboração direta com o filho, exercendo funções próprias dentro da estrutura financeira que sustentaria as atividades investigadas.
Segundo pessoas ligadas ao caso, Henrique ficou abalado após saber que a primeira proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro foi rejeitada por integrantes da Polícia Federal. Um dos pedidos feitos pela defesa do banqueiro durante as negociações seria a blindagem dos familiares envolvidos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também teria demonstrado insatisfação com o conteúdo entregue até agora, mas concedeu uma nova oportunidade para apresentação de provas e relatos sobre o suposto esquema de fraudes bilionárias investigado.
Os investigadores avaliam que os materiais extraídos dos celulares de Daniel Vorcaro, do cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, contêm mais elementos do que os apresentados no rascunho da colaboração.
Nesta semana, Daniel Vorcaro também perdeu privilégios na custódia da Polícia Federal, em Brasília. Ele foi transferido de uma sala de Estado Maior para uma cela comum na Superintendência da PF.