PF aponta que Vorcaro encomendou dossiê contra presidente do Itaú, diz decisão do STF

por Redação

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) indicam que o executivo Daniel Vorcaro encomendou um dossiê com informações confidenciais sobre o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, e sua esposa, Camila Moretti Maluhy. Os diálogos fazem parte das investigações sobre um suposto esquema de corrupção e fraude bilionária envolvendo o Banco Master e foram citados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que autorizou busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda.

Segundo as mensagens analisadas pela PF, Vorcaro afirmou que precisava de um levantamento sobre o CEO do Itaú. “Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema”, escreveu ao publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência apontada como responsável por contratar influenciadores para uma operação de “marketing de guerrilha” nas redes sociais em favor do Banco Master e contra a liquidação promovida pelo Banco Central. Miranda respondeu: “Deixa comigo”.

Em outra conversa, o publicitário informou que o material solicitado já estava pronto, mas sugeriu divulgar as informações por outro veículo. “Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo”, escreveu.

As conversas são mencionadas na decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a operação de busca e apreensão contra Thiago Miranda. De acordo com a Polícia Federal, o publicitário integraria um grupo criminoso que atuava em diferentes frentes para proteger Daniel Vorcaro, manipular a opinião pública e obter dados sigilosos de concorrentes do setor financeiro.

Embora a decisão não informe as datas dos diálogos, a apuração indica que as mensagens foram trocadas em fevereiro de 2025, um mês antes do anúncio da compra do Banco Master pelo BRB. Naquele período, segundo a reportagem, o Itaú pressionava o Banco Central para intensificar a fiscalização sobre o Banco Master. A autoridade monetária já havia identificado, no primeiro semestre de 2024, a deterioração dos indicadores da instituição financeira de Vorcaro e exigido medidas como a adequação da gestão de liquidez.

Após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, Milton Maluhy Filho criticou os impactos das fraudes sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e defendeu mudanças na regulamentação do sistema financeiro.

Durante as investigações, a Polícia Federal também localizou um documento denominado “Família Maluhy Relatório sobre Execução Fiscal – Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy”. O arquivo apresentava a identidade visual da Agência Mithi, empresa de Thiago Miranda, e trazia a indicação de que continha “informações confidenciais” sobre o casal.

Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou que, apesar dos indícios de autoria e materialidade já reunidos, ainda existem lacunas relevantes para identificar toda a dimensão dos supostos crimes e as demais pessoas que integrariam o grupo responsável pelos levantamentos contra desafetos da organização investigada.

Procurado, o Itaú informou que não irá se manifestar sobre o caso.

Fonte: OGLOBO

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