PF faz buscas por armas na casa de Bolsonaro, mas não encontra armamentos

por Redação

A Polícia Federal (PF) realizou, na manhã desta quarta-feira (8), uma operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, no bairro Jardim Botânico, em Brasília. A ação teve como objetivo localizar armas de fogo, munições, acessórios e documentos de registro, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a defesa de Bolsonaro, nenhum armamento foi encontrado durante o cumprimento do mandado. A informação foi confirmada posteriormente pela própria Polícia Federal, que, no entanto, não divulgou detalhes sobre a operação.

De acordo com interlocutores da PF, a ação foi rápida e durou menos de uma hora. Já um documento protocolado no STF informa que as buscas ocorreram entre 7h e 8h30, totalizando cerca de uma hora e meia. O documento também confirma que nenhum armamento foi localizado na residência.

A decisão que autorizou a operação foi motivada por divergências identificadas entre a quantidade de armas registradas em nome do ex-presidente e aquelas efetivamente entregues às autoridades. Em sua decisão, Alexandre de Moraes afirmou que as inconsistências indicavam, em tese, possível descumprimento da ordem judicial que determinava a entrega integral dos armamentos.

Segundo o ministro, a permanência de armas sob posse de Bolsonaro seria incompatível com o regime de prisão domiciliar. Moraes classificou a busca e apreensão como uma medida “imprescindível” para garantir o cumprimento da decisão judicial e afastar dúvidas sobre a eventual existência de armas ainda vinculadas ao ex-presidente.

Bolsonaro cumpre atualmente pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março, está em prisão domiciliar humanitária, autorizada inicialmente por 90 dias devido à recuperação de uma broncopneumonia e posteriormente prorrogada pelo STF.

Na última sexta-feira, Alexandre de Moraes manteve a prisão domiciliar do ex-presidente e determinou a revogação do seu Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), além da apreensão de todas as armas de fogo vinculadas ao seu nome.

A decisão ocorreu após uma pistola registrada em nome de Bolsonaro ser apreendida durante uma blitz no Distrito Federal. Em resposta, a defesa informou que duas das dez armas citadas já haviam sido entregues à Polícia Federal em 2023 por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto outras oito estariam sob guarda do Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.

Após essa manifestação, Moraes determinou que o Exército entregasse as oito armas à Polícia Federal em até 48 horas. No entanto, o Comando do Batalhão informou ao STF que possuía apenas seis das oito armas indicadas pela defesa, mantendo a divergência que motivou a nova operação.

Nos Estados Unidos, onde participou de uma audiência pública sobre o tarifaço, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência da República, criticou a ação da Polícia Federal. Ele classificou a busca e apreensão como “desnecessária”, afirmou que a medida foi “ruim” e “constrangedora” para a família e disse acreditar que a operação representa uma “cortina de fumaça” no cenário eleitoral. Flávio também declarou que a arma apreendida anteriormente em uma blitz era legalizada.

Fonte: G1

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