Emprego Plataformas digitais empregam 1,7 milhão de brasileiros em 2024, com renda média acima da dos demais trabalhadores Redação17 de outubro de 2025036 visualizações No terceiro trimestre de 2024, cerca de 1,7 milhão de brasileiros tiveram aplicativos como principal fonte de renda, trabalhando por meio de plataformas digitais, de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (17). O número representa 1,9% do total de trabalhadores do setor privado e indica crescimento em relação a 2022, quando 1,3 milhão de pessoas (1,5%) estavam envolvidas nesse tipo de atividade. A pesquisa integra a Pnad Contínua, realizada pelo IBGE em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho, e analisou quatro categorias de plataformas digitais: transporte por aplicativo, aplicativos de entrega, serviços gerais ou profissionais e aplicativos de táxi. Aplicativos de transporte lideram Entre os trabalhadores plataformizados, 53,1% (878 mil) utilizam aplicativos de transporte particular, 29,3% (485 mil) trabalham com entrega de produtos ou comida, 17,8% (294 mil) prestam serviços gerais ou profissionais e 13,8% (228 mil) atuam via aplicativos de táxi. Ao somar todos os condutores de passageiros (incluindo táxi), o total chega a 964 mil pessoas (58,3%). Entre 2022 e 2024, todas as categorias apresentaram crescimento, com destaque para serviços gerais ou profissionais (+52,1%) e transporte particular (+29,2%). Já os aplicativos de entrega tiveram avanço mais modesto (+8,9%). Perfil e condições de trabalho A maioria dos trabalhadores por aplicativos são homens (83,9%), com idade entre 25 e 39 anos (47,3%). Quanto à escolaridade, 59,3% têm ensino médio completo ou superior incompleto, 16,6% nível superior completo e 9,3% sem instrução ou com fundamental incompleto. Em relação à cor ou raça, 45,1% se declaram brancos, 41,1% pardos e 12,7% pretos. O rendimento médio por hora é de R$ 15,40, inferior ao dos trabalhadores não plataformizados (R$ 16,80), mas a jornada semanal é maior, com 44,8 horas, contra 39,3 horas da média do setor privado. Com isso, a renda mensal média é de R$ 2.996, 4,2% acima do dos demais trabalhadores do setor privado. No entanto, trabalhadores com nível superior completo ganham, em média, 29,8% menos do que colegas não plataformizados, devido à atuação em funções abaixo da sua qualificação. Já os trabalhadores com menor escolaridade recebem mais de 40% acima da média do setor. Informalidade e previdência A pesquisa mostra que 71,1% dos trabalhadores por aplicativos estão em situação informal, contra 43,8% dos não plataformizados. Apenas 35,9% contribuem para a previdência, abaixo da média do setor privado (61,9%). A informalidade é mais alta no Nordeste (87,7%) e Norte (84,9%) e menor no Centro-Oeste (61%). Autonomia e controle Grande parte dos trabalhadores por plataformas digitais não define preços, clientes ou prazos de forma independente. Entre motoristas de transporte particular, 91,2% têm o valor pago definido pela plataforma; entre entregadores, 81,3%; e entre profissionais de serviços gerais, 37,2%. Regionalização O Sudeste concentra 53,7% dos trabalhadores plataformizados, totalizando 888 mil pessoas. Entre 2022 e 2024, o maior crescimento proporcional ocorreu no Centro-Oeste (+58,8%) e Norte (+56%). Fonte: G1