A Polícia Civil de São Paulo indiciou o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana, por feminicídio e fraude processual, após investigação apontar indícios de homicídio em sua residência no Brás, região central de São Paulo. O crime ocorreu há um mês e inicialmente foi registrado como suicídio.
Segundo a perícia, dois dos 24 laudos técnico-científicos foram determinantes para afastar a hipótese de suicídio: a trajetória da bala que atingiu a cabeça de Gisele e a profundidade dos ferimentos no pescoço, que indicam que ela foi imobilizada antes do disparo. Os peritos concluíram que a cena do crime foi montada pelo tenente-coronel, com sangue em locais incompatíveis e posição dos pés que não condiz com suicídio.
O laudo necroscópico revelou lesões contundentes, provocadas por pressão digital e arranhões compatíveis com estigma ungueal. Não houve dopagem ou gravidez, mas manchas de sangue da vítima estavam espalhadas pelo apartamento.
A investigação também levantou contradições na versão do marido. Ele afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas socorristas relataram que ele estava seco e sem pegadas molhadas no chão. A conduta do tenente-coronel chamou atenção: falava calmamente ao telefone, não demonstrou desespero e não apresentava sangue no corpo ou roupas, sugerindo que não prestou primeiros socorros.
O horário do disparo também é questionado: uma vizinha relatou ter ouvido o estampido às 7h28, cerca de 30 minutos antes da primeira ligação do marido para o serviço de emergência. Ele ainda acionou um desembargador do TJ-SP, Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, que esteve no apartamento e subiu com o tenente-coronel, fato que a família da vítima considera suspeito.
Câmeras de segurança registraram a entrada de três policiais no apartamento cerca de 10 horas após a ocorrência, para limpeza do imóvel, sem levar objetos. Elas serão ouvidas na investigação.
O pedido de prisão do tenente-coronel foi solicitado à Justiça nesta terça-feira (17), com aval do Ministério Público e da Corregedoria da PM, mas ainda não foi apreciado pelo Judiciário. A defesa do oficial não se manifestou até o momento.
Fonte: G1