A libertação de reféns israelenses e de prisioneiros palestinos, nesta segunda-feira (13), marcou o primeiro passo concreto rumo a um cessar-fogo duradouro entre Israel e o Hamas. Mas questões fundamentais ainda permanecem sem resposta — e ameaçam a estabilidade da região no médio e longo prazo.
Entre os impasses estão o desarmamento do Hamas, o futuro governo de Gaza e o avanço do projeto de criação de um Estado palestino.
Esses temas centrais não foram definidos no acordo assinado durante a chamada “Cúpula da Paz em Gaza”, realizada em Sharm El-Sheik, no Egito, sob mediação do ex-presidente norte-americano Donald Trump. Nenhum representante direto de Israel ou do Hamas participou da cerimônia.
O plano de paz, que prevê 20 etapas, inclui a libertação dos reféns restantes, a saída gradual das tropas israelenses e a reconstrução do território — devastado por meses de conflito. Também autoriza o envio de ajuda humanitária e o retorno de quase 2 mil prisioneiros palestinos à Faixa de Gaza e à Cisjordânia.
Impasses centrais
Desarmamento do Hamas
O grupo se recusa a entregar suas armas, alegando direito à resistência armada até o fim da ocupação israelense.
Israel, por sua vez, considera o desarmamento uma condição essencial. Há relatos de que o Hamas poderia aceitar entregar parte de seu arsenal ofensivo a um comitê palestino-egípcio, mas não há confirmação oficial.
Recuo das tropas de Israel
O exército israelense deixou parte das cidades de Gaza e Khan Younis, mas mantém posições estratégicas em Rafah, no norte e ao longo da fronteira com Israel.
Trump teria garantido ao Hamas que a retirada total ocorrerá no futuro, mas o cronograma é incerto.
Segurança e controle territorial
O plano prevê uma força de segurança internacional liderada por países árabes, apoiada por policiais palestinos treinados por Egito e Jordânia. Israel só completaria a retirada conforme essas forças assumissem o controle.
Futuro governo de Gaza
O Hamas aceitou deixar o comando administrativo do território, que seria assumido por um corpo de tecnocratas palestinos supervisionado por um organismo internacional — possivelmente liderado pelo ex-premiê britânico Tony Blair.
Israel, contudo, rejeita qualquer papel central da Autoridade Palestina, de Mahmoud Abbas, e descarta apoiar um Estado palestino.
Sem consenso sobre quem governará Gaza, nem sobre como garantir a segurança após o cessar-fogo, analistas temem que o acordo, embora histórico, ainda esteja longe de consolidar a paz duradoura.
Fonte: G1