Renúncia por guerra no Irã expõe racha político nos EUA

por Redação

O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, renunciou ao cargo nesta terça-feira (17) após declarar oposição à guerra em curso contra o Irã. Em carta endereçada ao presidente Donald Trump, o agora ex-dirigente afirmou que não poderia, “em sã consciência”, apoiar a ofensiva militar.

O órgão integra o Departamento de Inteligência Nacional, atualmente chefiado por Tulsi Gabbard. Kent alegou que o Irã não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos e sustentou que a decisão pelo conflito teria sido influenciada por pressão de Israel e por uma campanha de desinformação envolvendo autoridades israelenses e setores da mídia americana.

Na carta, o ex-diretor comparou o cenário ao contexto que levou à Guerra do Iraque, classificada por ele como “desastrosa”, e criticou o afastamento da política externa defendida por Trump em campanhas anteriores. Kent destacou ainda sua experiência como veterano enviado ao combate em 11 ocasiões e mencionou a morte da ex-esposa, considerada “Gold Star”, em um conflito que atribuiu a interesses externos.

Horas após o anúncio, Trump reagiu publicamente e criticou o ex-auxiliar, afirmando que ele era “muito fraco em segurança” e que sua saída seria positiva. Kent havia sido escolhido pelo presidente para o cargo em fevereiro de 2025.

A renúncia ocorre em meio a manifestações de figuras próximas ao republicano que também demonstram oposição à guerra. O ex-apresentador Tucker Carlson declarou que o conflito seria “de Israel, não dos Estados Unidos”, enquanto o podcaster Joe Rogan também criticou a ofensiva.

Pesquisas indicam que cerca de um em cada quatro eleitores republicanos discorda da atual política externa, com maior ceticismo entre setores que não se identificam diretamente com o movimento MAGA. Parte desse grupo, composto por veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão, avalia que novos conflitos no exterior podem agravar problemas internos, como dificuldades econômicas e declínio industrial.

Analistas apontam que o descontentamento dentro da base conservadora pode impactar o desempenho republicano nas eleições de meio de mandato, sobretudo se o conflito se prolongar ou resultar em aumento no número de baixas e pressões sobre a economia e o preço do petróleo.

Fonte: G1

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