A Polícia Federal identificou indícios de que o empresário Augusto Lima, então sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, custeou ingressos para shows da cantora Taylor Swift destinados a familiares do senador Jaques Wagner (PT-BA). A informação integra a investigação da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.
Segundo fontes ligadas ao inquérito, uma das ocasiões ocorreu em agosto de 2023, durante a turnê The Eras Tour em Los Angeles, nos Estados Unidos. De acordo com a PF, os ingressos teriam custado o equivalente a R$ 63.339 e beneficiado familiares do senador, incluindo sua filha Júlia e sua neta Mariana, que viajaram para acompanhar a apresentação da artista.
A investigação aponta que o pagamento envolveu João Carlos Mansur, administrador da gestora Reag, empresa parceira de negócios de Daniel Vorcaro e considerada peça importante nas apurações conduzidas pela Polícia Federal.
Três meses depois, em novembro de 2023, Augusto Lima também teria adquirido dois ingressos de camarote para outro show de Taylor Swift, realizado no Allianz Park, em São Paulo. Mensagens obtidas pela PF mostram que Jaques Wagner teria solicitado os ingressos para a apresentação e, posteriormente, pedido entradas adicionais para mais dois convidados.
As supostas cortesias aparecem na investigação como possíveis vantagens concedidas ao parlamentar. A representação da PF cita especificamente pagamentos relacionados a ingressos para apresentações de uma cantora internacional em Los Angeles.
Na decisão que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que Augusto Lima teria atuado como interlocutor de interesses do Banco Master junto a Jaques Wagner. Segundo os investigadores, a relação entre ambos seria antiga e marcada por elevado grau de confiança pessoal.
A Polícia Federal apura se o senador atuou em pautas de interesse do grupo financeiro em troca de benefícios. Entre os temas investigados estão propostas ligadas ao crédito consignado, mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a chamada “Emenda Master” e discussões relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Além dos ingressos para os shows, a investigação aponta suspeitas sobre pagamentos feitos a empresas ligadas ao núcleo familiar do senador, utilização de aeronaves particulares e a suposta aquisição de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões.
Segundo a PF, mesmo após o início das investigações, teriam continuado as tratativas relacionadas ao imóvel localizado no empreendimento Poème Horto, no bairro do Horto Florestal, área nobre da capital baiana.
Jaques Wagner nega irregularidades e já declarou anteriormente não ter participado de qualquer intermediação ou negociação em favor do Banco Master. Todos os investigados negam envolvimento em práticas ilícitas.
Fonte: OGLOBO