A primeira farmácia instalada dentro de um supermercado começou a funcionar nesta quarta-feira (16), na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. A inauguração ocorre após a entrada em vigor da lei estadual, aprovada em março, que autoriza supermercados e outros estabelecimentos varejistas a comercializarem medicamentos.
Mesmo funcionando dentro de um supermercado, a farmácia deve cumprir as mesmas exigências aplicadas às drogarias tradicionais. Entre as regras estão a separação física entre os estabelecimentos e a presença obrigatória de um farmacêutico durante todo o horário de funcionamento.
No primeiro dia de atendimento, consumidores aproveitaram a novidade para concentrar a compra de alimentos e medicamentos em um único local.
A aposentada Expedita Alves de Castro deixou o supermercado levando uma cesta de medicamentos para o marido, José do Carmo de Castro.
“É bom, né? A gente aproveita, já compra produtos, mantimentos, já vem na farmácia comprar uns remédios, que todo mês já tem que comprar mesmo”, afirmou.
José, que realiza tratamento cardíaco, disse que costuma pesquisar os preços antes de adquirir medicamentos e considera a praticidade um benefício.
“Ajuda, né? Lógico, se o preço é competitivo. Como eu sou cardíaco, tenho que procurar preço”, declarou.
Segundo Vagner Moraes, diretor de farmácias da rede Assaí, a expectativa é ampliar a oferta de serviços voltados à saúde dos clientes.
“A farmácia deixou de ser um local para cuidar da doença e passou a ser um lugar para cuidar da saúde. A gente entende que, dentro do supermercado, consegue entregar um cuidado mais integral para o cliente”, afirmou.
A nova legislação não altera as regras para a venda de medicamentos. Os remédios isentos de prescrição médica continuam podendo ser adquiridos diretamente pelo consumidor. Já os medicamentos sujeitos a controle especial ou que exigem receita médica só podem ser vendidos mediante apresentação da prescrição, com retenção da receita quando prevista em lei.
Especialistas alertam que a facilidade de acesso aos medicamentos não deve incentivar a automedicação. O médico clínico geral Alfredo Salim Helito ressalta que tomar remédios sem orientação médica pode mascarar doenças e provocar efeitos adversos.
“A automedicação significa autodiagnóstico. Você, sem saber o que tem, toma um remédio. Esse remédio pode trazer grandes problemas para a população”, afirmou.
Segundo o médico, é fundamental que o paciente saiba por que está utilizando determinado medicamento, conheça a dose correta, os possíveis efeitos no organismo e a forma como o remédio é eliminado pelo corpo.
Dados da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (Abcfarma) apontam que o estado de São Paulo possui 16.621 farmácias e drogarias. Embora os supermercados não sejam obrigados a instalar farmácias, a expectativa do setor é de expansão do modelo nos próximos meses com a regulamentação da atividade.
Para o professor de educação física Elton Matos, a principal vantagem da novidade é a praticidade.
“Facilita, porque você faz tudo num lugar só. Eu já venho da academia, passo no mercado e, se precisar, pego alguma coisa na farmácia também”, disse.