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BIG TECHS

Brasil

‘É inaceitável’ que big techs não respondam por propagação de fake news e ataques de ódio, diz Moraes

por Redação 29 de fevereiro de 2024

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes afirmou que “é inaceitável que as big techs [grandes empresas de tecnologia] não sejam responsabilizadas” por propagação de desinformação e ataques de ódio. A declaração consta numa tese apresentada à (USP) Universidade de São Paulo com o objetivo de disputar o cargo de professor titular. O magistrado já é vinculado à instituição como docente associado.

“No ‘mundo virtual’, é inaceitável que as big techs não sejam responsabilizadas quando — não só cientes do conteúdo ilícito da desinformação, discurso de ódio, atos antidemocráticos — direcionem o usuário, preferencialmente, àquele conteúdo por meio de algoritmos ou ainda monetizem cada acesso realizado, tendo proveito econômico, principalmente por meio de publicidade realizada nas redes”, afirma o ministro, na tese.

Com relação à questão econômica, Moraes acrescenta que “os maiores faturamentos em publicidade são realizados pela big techs” e exemplifica US$ 33,6 bilhões em receitas de publicidade no terceiro trimestre de 2023 de uma empresa responsável por duas redes sociais e um aplicativo de troca de mensagens. Segundo o ministro, o valor é “superior em US$ 27,2 bilhões [ao] do ano passado, um aumento de 23%”.

‘Bastaria um artigo na lei’
Nessa segunda-feira (26), Moraes disse que é preciso regulamentar as redes sociais. “Para mim bastaria um artigo na lei: o que não pode no mundo real, não pode no mundo virtual, simples, nem mais nem menos. O que as mídias tradicionais não podem e são responsabilizadas se fizerem, também não pode no mundo virtual”, afirmou.

“Não podemos cair nesse discurso fácil de que regulamentar as redes sociais é ser contra a liberdade de expressão. Isso é um discurso mentiroso que quer propagar ódio e a lavagem cerebral que é feita em milhões de pessoas”, acrescentou.

Fonte: r7

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Tecnologia

A corrida das big techs: os 12 meses que mudaram para sempre o Vale do Silício

por Redação 26 de dezembro de 2023

Às 13h de uma sexta-feira, pouco antes do Natal do ano passado, Kent Walker, o principal advogado do Google, reuniu quatro de seus colaboradores e acabou com o fim de semana deles.

O grupo trabalhava no SL1001, prédio sem graça com fachada de vidro azul que em nada sugeria que havia dezenas de advogados lá dentro para proteger os interesses de uma das empresas mais influentes do mundo. Durante semanas, eles se prepararam para uma reunião de executivos poderosos destinada a discutir a segurança dos produtos do Google. Estava tudo pronto. Mas, naquela tarde, Walker informou à equipe que a agenda havia mudado e que eles teriam de passar os próximos dias preparando novos slides e gráficos.

De fato, toda a programação da empresa foi alterada em apenas nove dias. Sundar Pichai, CEO do Google, decidiu preparar uma lista de produtos baseados em inteligência artificial (IA) — imediatamente.

Para isso, recorreu a Walker, o mesmo advogado encarregado de defender a empresa em um processo antitruste que ameaçava seus lucros em Washington, D.C. Ele sabia que precisaria persuadir o Conselho de Revisão de Tecnologia Avançada (ATRC, na sigla em inglês), grupo de executivos, a abandonar sua habitual cautela e cumprir o que lhe era solicitado.

Era um decreto, algo não muito comum no Google.

O que provocou a reação de Pichai foi o ChatGPT, programa de IA lançado em 30 de novembro de 2022 por uma empresa emergente chamada OpenAI. O programa cativou a imaginação de milhões de pessoas que antes viam a IA como ficção científica, até começarem a interagir com ela.

O Google estava desenvolvendo uma tecnologia própria de IA, que executava muitas das mesmas funções. Pichai estava particularmente interessado nas falhas do ChatGPT, como sua interpretação equivocada das informações que, por vezes, resultava em respostas tendenciosas. O que o surpreendeu foi que a OpenAI havia lançado o produto mesmo assim e que os consumidores o adoraram. Se a OpenAI podia fazer isso, por que não o Google?

Para os líderes de empresas de tecnologia, a escolha de quando e como transformar a IA em um empreendimento com potencial de lucro era um cálculo mais direto de risco e recompensa. Contudo, para alcançar o sucesso, era preciso ter um produto.

Na manhã de segunda-feira, 12 de dezembro, a equipe do SL1001 recebeu uma nova pauta, identificada como “Privilegiada e confidencial/somente pessoal autorizado”. A maioria dos participantes se conectou à reunião por videoconferência. Walker abriu o encontro anunciando que o Google lançaria um chatbot e recursos de IA que seriam adicionados à nuvem, à pesquisa e a outros produtos. “Quais são suas preocupações? Precisamos nos alinhar”, disse Walker, conforme relatado por Jen Gennai, diretora de inovação responsável.

Finalmente, um consenso foi alcançado. O lançamento seria restrito, afirmou Gennai. E evitariam rotular qualquer coisa como um produto. Para o Google, seria considerado um experimento, o que significava que não precisava ser perfeito (um porta-voz do Google esclareceu que o ATRC não tinha autoridade para determinar como os produtos seriam lançados).

O que houve no Google se repetiu em outras gigantes da tecnologia depois que a OpenAI lançou o ChatGPT, no fim de 2022. Todas elas possuíam uma tecnologia baseada em redes neurais em vários estágios de desenvolvimento — sistemas de IA que reconheciam sons, geravam imagens e conversavam como um ser humano. O pioneiro dessa tecnologia foi Geoffrey Hinton, acadêmico que havia trabalhado brevemente com a Microsoft e agora estava no Google. No entanto, as empresas de tecnologia foram contidas por temores de chatbots fraudulentos, além da possibilidade de problemas econômicos e legais.

Quando o ChatGPT foi lançado, tudo isso se tornou secundário, segundo entrevistas com mais de 80 executivos e pesquisadores, além de documentos corporativos e gravações de áudio. Prevaleceu o instinto de ser o primeiro, o maior ou o mais rico — ou todos os três. Os líderes das maiores empresas do Vale do Silício traçaram um novo rumo e levaram os funcionários nessa direção.

Em um período de 12 meses, o Vale do Silício experimentou uma transformação radical. A prioridade passou a ser a conversão da inteligência artificial em produtos reais, que pudessem ser usados por indivíduos e empresas.

As preocupações com a segurança e com o potencial de as máquinas se rebelarem contra seus criadores não foram descartadas, mas foram temporariamente postas em segundo plano. “A velocidade é agora mais crucial do que nunca. Preocupar-se com questões que podem ser abordadas mais tarde seria um equívoco fatal neste momento”, escreveu Sam Schillace, alto executivo, aos colaboradores da Microsoft.

No início de novembro de 2022, poucos na OpenAI davam atenção ao ChatGPT, porque, um mês antes de ser lançado globalmente, ele ainda não existia como um produto concreto. A maior parte dos 375 funcionários estava focada em uma versão mais avançada da tecnologia, conhecida como GPT-4, capaz de responder a praticamente qualquer pergunta, utilizando informações obtidas de uma vasta coleção de dados provenientes de uma ampla gama de fontes.

Em meados de novembro de 2022, Sam Altman, CEO da OpenAI, Greg Brockman, o presidente, e outros membros da equipe se reuniram em uma sala no último andar para discutir mais uma vez os desafios de sua tecnologia inovadora. Subitamente, Altman optou por lançar a tecnologia mais antiga e menos potente.

Em 29 de novembro, véspera do lançamento, Brockman chamou a equipe para um drinque. Ele contou que não achava que o ChatGPT atrairia muita atenção, prevendo que o lançamento não renderia mais do que um tuíte com 5.000 curtidas.

Mas Brockman estava enganado. Na manhã de 30 de novembro, Altman tuitou sobre o novo produto da OpenAI, e a empresa fez uma postagem repleta de termos técnicos em seu blog. Foi então que o ChatGPT decolou. As inscrições sobrecarregaram os servidores da empresa quase que imediatamente. Engenheiros entravam e saíam apressadamente de um espaço bagunçado perto da cozinha do escritório, reunindo-se em torno de laptops para extrair a capacidade de computação de outros projetos. Em cinco dias, mais de 1 milhão de pessoas adotaram o ChatGPT. Dentro de poucas semanas, esse número atingiu a marca de 100 milhões.

Embora ninguém soubesse ao certo o motivo, o programa era uma sensação. Os noticiários tentaram explicar seu funcionamento, e até mesmo um humorístico noturno o usou para criar piadas (mais ou menos engraçadas).

A Meta muda a direção
A mente de Mark Zuckerberg estava em outro lugar. Ao longo do ano, ele direcionava a empresa para o metaverso e estava imerso na exploração da realidade virtual e aumentada.

Mas o ChatGPT demandava sua atenção. Seu principal cientista de IA, Yann LeCun, veio de Nova York para a área da baía de San Francisco cerca de seis semanas depois para uma reunião de rotina na Meta, de acordo com uma fonte familiarizada com o encontro.

Em Paris, os cientistas de LeCun conceberam um bot impulsionado por IA, que pretendiam lançar como tecnologia de código aberto, o que significava que qualquer pessoa teria acesso e poderia modificar o programa. Deram-lhe o nome de Genesis. Contudo, quando solicitaram permissão para disponibilizá-lo, as equipes jurídica e de políticas da Meta recuaram, conforme relatado por cinco fontes a par do assunto.

No início de 2023, o dilema entre prudência e celeridade se intensificou, enquanto Zuckerberg pensava no rumo da Meta depois do ChatGPT.

Ele queria lançar um projeto rapidamente. O nome Genesis foi substituído por LLaMA, abreviação de “Large Language Model Meta AI”, e foi disponibilizado para 4.000 pesquisadores de fora da empresa. Rapidamente, a Meta recebeu mais de 100 mil solicitações de acesso ao código.

Mas, poucos dias depois do lançamento do LLaMA, alguém divulgou o código no 4chan, o fórum de mensagens online. A Meta perdeu o controle sobre seu chatbot, aumentando a possibilidade de que os piores receios de suas equipes jurídica e de políticas se tornassem realidade. Pesquisadores da Universidade Stanford demonstraram que o sistema da Meta poderia facilmente gerar material de teor racista.

Em 6 de junho, Zuckerberg recebeu dos senadores Josh Hawley e Richard Blumental uma carta que abordava a questão do LLaMA. “Hawley e Blumental exigem respostas da Meta”, anunciava um comunicado à imprensa.

A correspondência caracterizava o produto da Meta como arriscado e suscetível a abusos, estabelecendo comparações desfavoráveis com o ChatGPT. Ficava evidente que os senadores buscavam esclarecimentos sobre por que a abordagem da Meta não se assemelhava mais à adotada pela OpenAI.

Decisões estratégicas na Microsoft
No fim do verão setentrional de 2022, os escritórios da Microsoft ainda não tinham voltado à sua agitação pré-pandêmica. Mas, em 13 de setembro, Satya Nadella convocou seus altos executivos para uma reunião no Edifício 34, o epicentro das decisões estratégicas da Microsoft. Dois meses depois, Altman tomou a decisão de lançar o ChatGPT.

Nadella comunicou a seus comandados que uma mudança significativa estava prestes a ser concretizada. Em uma rara ordem executiva de um líder conhecido por favorecer o consenso, afirmou: “Estamos alinhando toda a empresa a essa tecnologia. É um avanço fundamental na história da computação, e estaremos na vanguarda dessa revolução”, recordou Eric Horvitz, o cientista-chefe.

No entanto, era imperativo manter tudo em sigilo por algum tempo. Três “projetos secretos” foram iniciados no início de outubro para impulsionar essa significativa mudança de direção. Esses projetos se concentraram em segurança cibernética, no mecanismo de busca Bing, no Microsoft Word e em softwares correlatos.

Em 7 de fevereiro, a Microsoft convidou jornalistas para seu campus em Redmond, Washington, com o objetivo de apresentar ao mundo um chatbot integrado ao Bing. A imprensa recebeu instruções para não divulgar que estava indo a um evento da Microsoft, e o tópico permaneceu em segredo.

De alguma maneira, porém, o Google ficou sabendo. Em 6 de fevereiro, antecipando-se à Microsoft, Pichai publicou uma postagem no blog anunciando que o Google lançaria um chatbot próprio, o Bard. A postagem não especificava exatamente quando seria isso.

Na manhã de 8 de fevereiro, um dia depois do anúncio do chatbot pela Microsoft, suas ações subiram 5%. Mas, para o Google, o anúncio precipitado se transformou em constrangimento. Pesquisadores identificaram erros na postagem do blog do Google.

Um GIF que a acompanhava simulava Bard dizendo que o telescópio Webb havia capturado as primeiras imagens de um exoplaneta, um planeta fora do Sistema Solar. Na realidade, um telescópio do Observatório Europeu do Sul, no norte do Chile, obteve a primeira imagem de um exoplaneta em 2004. Bard errou, e o Google enfrentou críticas na mídia e nas redes sociais.

Como disse Pichai mais tarde em uma entrevista, isso foi “lamentável”. As ações do Google registraram uma queda de quase 8%, resultando em uma perda de mais de US$ 100 bilhões.

Hinton, o cientista mais renomado do Google, sempre ridicularizou os fatalistas, racionalistas e altruístas que temiam que a inteligência artificial pudesse encerrar a humanidade em um futuro próximo. Contribuiu significativamente para o desenvolvimento da ciência por trás da inteligência artificial durante seu tempo como professor na Universidade de Toronto e enriqueceu ao ingressar no Google, em 2013. É frequentemente chamado de padrinho da IA.

No entanto, os novos chatbots alteraram completamente sua perspectiva. A evolução da ciência superou suas expectativas. O lançamento do chatbot da Microsoft o convenceu de que o Google não teria alternativa senão tentar recuperar o terreno perdido. A competição acirrada que se desenhava entre os gigantes da tecnologia parecia arriscada.

“Se considerarmos o Google uma empresa cujo objetivo é obter lucros, ele não pode simplesmente permitir que o Bing substitua as buscas do Google. Precisa entrar na disputa. O momento em que a Microsoft optou por lançar um chatbot como interface para o Bing marcou o fim do período de tranquilidade”, afirmou Hinton em abril.

Pela primeira vez em mais de 50 anos, ele se desvinculou da pesquisa. Então, em abril, fez uma ligação para Pichai e se demitiu.

c. 2023 The New York Times Company

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MundoEmprego

Empresas de tecnologia já demitiram mais de 206 mil funcionários no mundo em 2023

por Redação 16 de junho de 2023

O número de funcionários demitidos em massa de empresas de tecnologia neste ano no mundo ultrapassou 206 mil.

As big techs Google, Meta, Amazon e Microsoft lideram a lista de empresas que dispensaram o maior número de pessoas por vez, de acordo com o site Layoffs.fyi.

Os dados compilados mostram que, no total, 776 companhias do setor dispensaram 206.594 colaboradores desde o início de 2023.

No ano passado inteiro, 1.058 empresas de tecnologia demitiram em massa 164.709 pessoas.

Fonte: r7

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