O consumo de frutas, verduras, legumes, feijões, nozes e sementes por crianças e adolescentes continua abaixo do recomendado em praticamente todo o mundo, segundo um estudo da Universidade Tufts, nos Estados Unidos. A pesquisa analisou dados alimentares de 185 países e concluiu que, apesar de um aumento gradual na ingestão desses alimentos entre 1990 e 2018, a dieta infantil ainda permanece pobre em alimentos saudáveis de origem vegetal.
O levantamento foi publicado em 8 de julho na revista científica BMJ Global Health e reforça a preocupação dos pesquisadores com os impactos da alimentação inadequada sobre o crescimento, o desenvolvimento e a saúde ao longo da vida.
“Os hábitos alimentares estabelecidos durante a infância podem influenciar a saúde ao longo da vida, mas descobrimos que o consumo de alimentos saudáveis à base de plantas continua baixo entre os jovens em todo o mundo”, afirmou a autora principal do estudo, Sydney Yearley, da Universidade Tufts.
Pesquisa reuniu dados de mais de 1,2 mil levantamentos
Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram o Global Dietary Database, uma das maiores bases de dados sobre alimentação do mundo.
Foram analisadas informações de mais de 1,2 mil pesquisas alimentares, realizadas entre 1990 e 2018, abrangendo crianças e adolescentes de 185 países.
A pesquisa avaliou o consumo de cinco grupos de alimentos vegetais considerados saudáveis:
- Frutas;
- Vegetais não amiláceos;
- Vegetais amiláceos (exceto batata);
- Feijões e outras leguminosas;
- Nozes e sementes.
Consumo ainda é baixo em todas as regiões
Os resultados mostram que o consumo médio variou entre 1,19 porção diária entre crianças menores de um ano e 3,55 porções por dia entre adolescentes de 15 a 19 anos. O estudo também identificou diferenças pouco significativas entre meninos e meninas.
A região do Sul da Ásia apresentou os menores índices de consumo em todas as faixas etárias.
Já o Leste e o Sudeste Asiático registraram alguns dos melhores resultados, principalmente devido ao maior consumo de vegetais não amiláceos.
Entre os países analisados, Vietnã, Congo e México lideraram o consumo desses alimentos, enquanto Espanha, Paquistão e Reino Unido apareceram entre as menores taxas.
Consumo diminui com a idade em países ricos
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi que, apenas nos países de alta renda, o consumo de alimentos saudáveis de origem vegetal diminui conforme as crianças crescem.
Segundo os autores, fatores como maior autonomia alimentar, ambiente alimentar e aspectos culturais podem explicar essa mudança de comportamento.
Nos Estados Unidos, por exemplo, crianças menores de dois anos consumiam, em média, 2,7 porções diárias, mas esse número caía para 1,8 porção por dia entre crianças maiores e adolescentes.
Para os pesquisadores, esse resultado indica que muitas famílias conseguem estabelecer hábitos saudáveis na primeira infância, mas encontram dificuldades para mantê-los ao longo do crescimento.
“Quando as crianças não consomem a quantidade suficiente dos alimentos certos, isso prejudica seus corpos e mentes, limitando sua energia, metabolismo, aprendizado e humor”, afirmou Dariush Mozaffarian, diretor do Instituto “Comida é Remédio”, da Universidade Tufts.
Segundo o pesquisador, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o acesso a alimentos vegetais saudáveis e minimamente processados, além de desenvolver políticas capazes de fortalecer a alimentação infantil em todo o mundo.
Fonte: revistagalileu