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Tag:

VIOLÊNCIA SEXUAL

Segurança

Homem é preso em flagrante após estuprar jovem durante festa universitária em SP

por Redação 26 de junho de 2023

Um homem de 19 anos foi preso após estuprar uma mulher durante um evento na Neo Química Arena, em Itaquera, zona leste de São Paulo, na madruga deste domingo (25).

De acordo com o boletim de ocorrência, equipes da 2ª Companhia do 39º Batalhão foram acionados por volta das 07h para o evento universitário Fanfarra Festival, que acontecia no estádio, localizado na Avenida Miguel Ignácio Curi.

Uma das controladoras de acesso relatou aos policiais que foi avisada do ocorrido por um segurança às 3h.

Segundo o agente, ele viu a vítima, também de 19 anos, cambaleando e flagrou a jovem sendo empurrada pelo agressor para dentro de um banheiro químico.

Por se tratar de um banheiro masculino e de uso individual, o homem decidiu chamar a controladora de acesso.

A funcionária encontrou a mulher inconsciente e com as roupas íntimas abaixadas, e o criminoso, também parcialmente nu, dentro do banheiro.

O homem foi detido no local pela controladora.

Para os policiais, o agressor informou que conheceu a moça na madrugada e que teve relações com ela de forma voluntária e com consentimentos de ambas partes.

Alguns populares, ao verem o suspeito saindo com a vítima totalmente inconsciente, se revoltaram e o agrediram. Após os ataques, ele foi encaminhado a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itaquera, onde recebeu atendimento e foi liberado.

A vítima foi encaminhada a um hospital da mulher por uma ambulância do evento, onde permaneceu em observação, ainda sem retomar a consciência e sem conseguir falar.

O preso foi encaminhado ao 24º Distrito Policial, Ponte Rasa, e a ocorrência é da área do 65º Distrito Policial, Artur Alvim.

Fonte: r7

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Esporte

‘Só duas pessoas sabem o que aconteceu’, diz Daniel Alves ao reafirmar sua inocência

por Redação 13 de junho de 2023

“Só duas pessoas sabem o que aconteceu e, principalmente, o que não aconteceu. Estou dizendo a verdade. Será provado que não sou culpado. Foi uma relação consensual, e nunca me passou pela cabeça impor o ato sexual a ninguém, como está escrito.”

Foi assim que Daniel Alves reafirmou que é inocente da acusação que o mantém preso desde o dia 20 de janeiro por supostamente estuprar uma mulher em uma boate, em Barcelona, na Espanha, na madrugada de 30 de dezembro de 2022.

A declaração foi feita por intermédio do advogado do lateral-direito e publicada no portal de notícias espanhol Servimedia, nesta terça-feira (13).

Ontem, mais uma vez, a Justiça da Espanha negou o pedido do brasileiro para esperar o julgamento em liberdade. Ele alegou que tinha os filhos e a ex-esposa vivendo em Barcelona e tinha vínculos com a cidade, o que o impediria de fugir do país.

“Aqui, fundei a empresa que gere a minha carreira e os meus direitos esportivos e de imagem. Aqui comprei a única casa que tenho”, alegou Daniel Alves. O pedido foi entregue na sexta-feira (9), e a resposta saiu nesta segunda (12), o que mostra que a Justiça de Barcelona trata o caso com tolerância zero.

Ao portal, o jogador também negou que tenha dados várias versões do caso. “Este [defender o casamento com Joana Sanza] foi o único motivo, e agora não tenho nada a esconder. Falam em infinitas versões, mas falei duas vezes perante a juíza.”

Desde o começo das investigações, Daniel Alves apresentou quatro versões do caso. Começou com um vídeo em que dizia não conhecer a moça, até admitir que houve a relação sexual, mas com consentimento.

Entenda o caso
Daniel Alves está preso desde 20 de janeiro, quando teve a prisão preventiva decretada, sem direito a fiança. Ele foi detido ao prestar depoimento sobre o caso de agressão sexual contra uma mulher na madrugada de 30 de dezembro.

A acusação se refere a um episódio que teria ocorrido na casa noturna Sutton, em Barcelona, na Espanha. O atleta é acusado de ter trancado, agredido e estuprado a denunciante em um banheiro da área VIP da casa noturna.

A mulher procurou as amigas e os seguranças do local após o corrido. A equipe de segurança da casa noturna acionou a polícia catalã (Mossos d’Esquadra), que colheu o depoimento da vítima.

No local, foi realizada a perícia, e no material coletado encontrou-se vestígios de sêmen, tanto internamente quanto no vestido da denunciante.

Uma câmera usada na farda de um policial gravou acidentalmente a primeira versão da vítima sobre o caso, corroborando o que foi dito por ela no depoimento oficial. A mulher também passou por exame médico em um hospital. Daniel Alves foi embora do local antes da chegada dos policiais.

Segundo a imprensa espanhola, a contradição no depoimento do lateral-direito foi determinante para o Ministério Público do país pedir a prisão e a juíza aceitar. Além disso, a Justiça de lá entende que o brasileiro tem condições financeiras de fugir, caso seja liberado para esperar o julgamento em liberdade.

Fonte: r7

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SegurançaSão Paulo

Vídeo: adolescente agarra e ‘encoxa’ mulher na zona leste de São Paulo

por Redação 2 de junho de 2023

Um adolescente foi apreendido por importunar sexualmente uma mulher que voltava da academia, em um bairro da zona leste de São Paulo, às 14h35 da última terça-feira (30).

Nas imagens, é possível ver a vítima carregando sacolas de mercado enquanto o menino chega por trás, olha para os lados, disfarça e então agarra a moça pelas costas. Posteriormente, ele dá várias “encoxadas” na mulher.

Assustada, a vítima tenta se defender, mas o menino corre e foge.

A mulher compartilhou as imagens nas redes sociais, o que possibilitou que o jovem fosse identificado.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que na tarde desta quinta-feira (1º) a Polícia Militar localizou o adolescente, que foi conduzido ao 22º DP.

A vítima reconheceu o autor, que foi entregue ao seu representante legal. Em seguida, o familiar do menino assinou um termo em que se compromete a apresentá-lo ao Ministério Público da Infância e Juventude.

Fonte: r7

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BrasilFeminicidio

Brennand passa hoje pelo primeiro julgamento após acusações de estupro e assédio

por Redação 30 de maio de 2023

A primeira audiência de instrução e julgamento do empresário Thiago Brennand, após uma série de denúncias e processos em que ele é acusado de crimes como estupro e assédio, está prevista para acontecer de forma virtual às 14h desta terça-feira (30) na 2ª Vara de Porto Feliz, no interior de São Paulo.

Brennand será julgado pelo suposto estupro de uma mulher norte-americana. A vítima, testemunhas e o réu devem ser ouvidos. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a mulher denunciou o empresário pelo crime de estupro na cidade de Porto Feliz, onde Brennand morava.

O empresário está preso no Brasil desde 29 de abril, quando foi extraditado dos Emirados Árabes Unidos. Em setembro do ano passado, pouco após vídeos que mostram o empresário agredindo uma modelo virarem notícia, a Justiça brasileira passou a emitir ordens de prisão contra Brennand. Ele, no entanto, conseguiu viajar para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e passou meses no país asiático vivendo em um hotel.

Atualmente, o empresário cumpre prisão preventiva no CDP (Centro de Detenção Provisória) I, de Pinheiros, que reúne presos por crimes sexuais.

Primeiro julgamento
Segundo a denúncia de estupro feita pela mulher norte-americana, tema do julgamento marcado para esta terça, inicialmente Brennand teria apresentado comportamento gentil com a vítima. Depois, no entanto, o empresário passou a agir de maneira agressiva até chegar ao ponto de obrigá-la a manter relações sexuais com ele. O suspeito ainda teria ameaçado a mulher com a divulgação de imagens de cenas íntimas caso ela rompesse o relacionamento.

Após os interrogatórios, acusação e defesa terão um tempo para apresentar suas alegações finais. Brennand pode ser condenado de seis a dez anos de prisão. De acordo com o TJ-SP, o caso tramita em segredo de Justiça.

Acusações
O caso ganhou repercussão depois que o empresário foi flagrado por câmeras de segurança ao agredir a modelo Alliny Helena Gomes em uma academia no Shopping Iguatemi, localizado em área nobre da capital paulista, no dia 3 de agosto. Após a exposição, outras mulheres decidiram denunciá-lo. No total, seis denúncias feitas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) já foram aceitas pela Justiça, transformando Brennand em réu.

A estudante de medicina Stefanie Cohen, de 30 anos, é outra das denunciantes. Em outubro, ela contou ao R7 que foi estuprada por Brennand. Na época, ela disse que foi dopada e sofreu abuso: “Percebi que falar sobre isso faz parte da minha cura”.

Ainda em outubro, a Promotoria fez nova denúncia contra o empresário pela agressão ao garçom Vitor Igor Rodrigues Machado, de 26 anos, em condomínio de Porto Feliz, no interior do estado.

Em outra denúncia, ele foi acusado de crime de ameaça e contravenção penal de vias de fato (quando há uma agressão física leve) contra Agostinho Rodrigues da Silva, de 54 anos, caseiro do condomínio onde vivia.

O MP também acusa Brennand de ter cometido crimes contra uma mulher que diz ter sido obrigada a tatuar as iniciais dele.

A defesa de Brennand já foi procurada em várias oportunidades para se manifestar sobre as acusações e não se pronunciou. Em vídeos publicados na internet, o empresário já se disse vítima de perseguição e de inveja.

Fonte: r7

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SegurançaSão Paulo

Jovem diz ter sido estuprada em banheiro de balada em bairro nobre

por Redação 13 de maio de 2023

Jovem denuncia estupro em uma balada em Pinheiros, bairro nobre na zona oeste de São Paulo, na madrugada deste sábado (13).

A Polícia Militar afirmou que recebeu o chamado para a Meow Club, localizada na rua Cunha Gago, por volta de 1h20.

Uma amiga da vítima chamou a polícia. Ela afirmou que quando a jovem, de 20 anos, estava indo ao banheiro foi agarrada por dois suspeitos que a levaram para a cabine masculina.

Jovem denuncia estupro em uma balada em Pinheiros, bairro nobre na zona oeste de São Paulo, na madrugada deste sábado (13).

A Polícia Militar afirmou que recebeu o chamado para a Meow Club, localizada na rua Cunha Gago, por volta de 1h20.

Uma amiga da vítima chamou a polícia. Ela afirmou que quando a jovem, de 20 anos, estava indo ao banheiro foi agarrada por dois suspeitos que a levaram para a cabine masculina.

Fonte: r7

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FeminicidioSão Paulo

Casos de estupro aumentam mais de 15% no estado de São Paulo em comparação com o ano passado

por Redação 26 de abril de 2023

Os dados estatísticos divulgados na terça-feira (25) pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) mostram um aumento de 15,8% dos casos de estupros no estado nos três primeiros meses do ano, passando de 3.066 ocorrências no ano passado para 3.551 neste ano.

Para a Delegada Jamila Jorge Ferrari, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher, os dados podem representar um grande avanço no que diz respeito à confiança da vítima no trabalho da Polícia.

“O crime de estupro é um dos mais subnotificados, tese comprovada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e vários outros institutos que estudam o tema. Portanto, o número de estupros pode ser até quatro vezes maior do que o que temos registrado. Porém, a constante divulgação de informações sobre esses crimes, como denunciar, sobre direitos e possibilidades das vítimas aumentam os registros, pois as vítimas entendem e se fortalecem em denunciar”, explica a delegada.

Além disso, em 2018, houve uma modificação da lei e isso automaticamente fez que as estatísticas aumentassem. A ação penal antes era pública condicionada à representação. A polícia só podia agir com autorização das vítimas maiores. Agora, a ação ficou pública incondicionada. A polícia tem que agir independentemente da vontade das vítimas.

“Os dois anos da pandemia e as escolas fechadas represaram, de alguma forma, os dados, já que as escolas são muito importantes na detecção desses crimes”, complementa a delegada.

Políticas públicas adotadas
O Estado de São Paulo conta com 140 DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher), sendo 11 delas com funcionamento ininterrupto.

Há também 77 salas DDMs 24h anexas aos plantões policiais onde as vítimas são atendidas pela equipe online por videoconferência. Todas as delegacias do estado seguem o Protocolo Único de Atendimento, que estabelece um padrão para atender e melhor acolher casos de violência contra mulher.

Fonte: r7

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FeminicidioGuarulhos

Inspirada no caso Daniel Alves, capital paulista aprova lei contra violência sexual em casas noturnas

por Redação 14 de abril de 2023

A Câmara dos Vereadores da capital paulista aprovou em votação definitiva o projeto de lei (PL) 18 de 2023, conhecido como “Não Se Cale”. O texto estabelece um programa de combate à violência sexual em estabelecimentos de lazer, como restaurantes, bares, casas noturnas e de espetáculos. Para se tornar lei, o PL ainda precisa ser sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes.

De acordo com a Bancada Feminista do Psol, que propôs o PL, o projeto da nova legislação foi inspirado em uma lei de Barcelona, na Espanha, utilizada no caso do jogador de futebol Daniel Alves, preso naquele país por acusação de estupro. São proponentes do projeto os vereadores Cris Monteiro (Novo), Daniel Annenberg (PSB), Sandra Tadeu (União Brasil), Sandra Santana (PSDB), Rinaldi Digilio (União Brasil), Marcelo Messias (MDB), Fernando Holiday (Republicanos), Silvia da Bancada Feminista (Psol), e João Ananias (PT).

“O espaço de lazer que aderir ao Programa ‘Não se Cale’ deverá providenciar capacitação de seus funcionários para habilitá-los a detectar situações de agressão sexual e o procedimento de ação face aos casos que ocorrerem em suas dependências”, diz o texto aprovado. A adesão ao programa é facultativa.

De acordo com o PL, os funcionários ou responsáveis pelo estabelecimento, uma vez identificada uma agressão sexual, deverão oferecer à vítima e seus possíveis acompanhantes um espaço reservado e seguro, dentro do próprio local, o mais rápido possível, para que sejam prestados os primeiros cuidados de emergência.

Os funcionários e responsáveis deverão ainda ser treinados para identificar o momento mais adequado de acionar a emergência médica e policial. Também deverão buscar informações sobre o possível agressor por meio de testemunhas ou câmeras de vídeo e compartilhar com as autoridades policiais, caso solicitado.

Os estabelecimentos que aderirem ao programa “Não se Cale” receberão um selo e poderão sinalizar com cartazes que combatem a violência sexual e informar que os clientes podem reportar aos funcionários qualquer situação que possa ser decorrente de casos de agressão.

De acordo com o PL, para recebimento do selo “Não Se Cale”, o estabelecimento deverá ser certificado por uma secretaria municipal, que será identificada pela prefeitura após a sanção do prefeito.

De acordo com a bancada feminista da Câmara de Vereadores, o programa foi fundamental em Barcelona para o acolhimento da vítima de Daniel Alves. O estabelecimento preservou a identidade da vítima e forneceu provas que colaboraram na investigação do caso.

“O papel do estabelecimento de diversão é essencial, porque são esses seguranças, garçons, como foi o caso em Barcelona, que têm uma janela de oportunidade muito grande de fazer um encaminhamento adequado daquela vítima”, destaca a presidente do Mee Too Brasil, Marina Ganzarolli.

“É muito importante não só para garantir e orientar que a vítima pode ter acesso a um coquetel antirretroviral, um contraceptivo de emergência, mas para se preservar o material biológico que esteja no corpo dela ou na roupa dela, essencial para provas que serão úteis, caso ela queira seguir com uma denúncia criminalmente”, acrescentou.

Ganzarolli ressalvou que a legislação deveria garantir condições aos estabelecimentos para realizar o treinamento adequado dos funcionários. “É preciso garantir condições para o empresário fazer isso. Esse é um papel obviamente do poder executivo. A própria prefeitura de Barcelona oferece o modelo do cartaz e o conteúdo do treinamento”.

Fonte: r7

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São PauloSegurança

Mulher recebe proposta inusitada na delegacia: “Me levou em uma sala onde tinha uma cama”

por Redação 13 de fevereiro de 2023

Caso de uma vendedora de 25 anos que recebeu uma proposta inusitada de um policial em Copacabana, no Rio de Janeiro. A jovem havia sofrido agressões do namorado e, durante os procedimentos de denúncia, sofreu violência sexual dentro da delegacia.

A vítima estava na rua com seu companheiro, até que se iniciou uma briga. Uma testemunha resolveu chamar a polícia e os dois foram levados para a delegacia de Copacabana. Após horas de espera, a mulher resolveu não prestar queixa, então começaram as ameaças.

O policial disse que só iria liberá-la se ela tivesse relações sexuais com ele. ”Ele me levou em uma sala onde tinha uma cama. Apertou minha boca, me enforcou, colocou a arma de fogo na minha cabeça e veio fazer isso comigo”, relembrou.

Na ocasião, o guarda também ameaçou torturar o namorado da vítima, que permanecia preso. Depois da violência sexual, o policial ainda a deixou em uma sala. Então, a mulher ficou quatro horas na delegacia para ser liberada.

Apesar da família ser contra, a vítima decidiu seguir e fazer uma denúncia na Delegacia da Mulher. No exame de corpo de delito, os peritos confirmaram que há vestígios de violência sexual.

Os envolvidos e testemunhas já prestaram depoimento. A prisão do acusado foi solicitada e negada pela Justiça.

Fonte: Com informações da Agência Estado

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São PauloSegurança

Casos de abuso sexual de crianças disparam no estado de São Paulo

por Redação 7 de fevereiro de 2023

O estado de São Paulo registrou uma quantidade alarmante de ocorrências de abuso sexual infantil nos últimos três anos, período que coincide com a pandemia da Covid-19. Ao todo, foram 44.026 ocorrências de 2020 a 2022, o que significa 40 casos por dia em média, e o número está sujeito a aumentar já que os especialistas asseguram que há subnotificação de casos.

Foram 13.472 casos em 2020, 13.236 em 2021, e um salto para 17.318 em 2022, o que significa um aumento de 30,8% em relação ao ano anterior, de acordo com um levantamento feito pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) e obtido com exclusividade via Lei de Acesso à Informação (veja os dados no quadro abaixo).

A delegada e coordenadora das DDMs (Delegacias de Defesa Mulher), Jamila Jorge Ferrari, explica que nos dois primeiros anos da pandemia, com o isolamento e as escolas fechadas, boa parte dessas crianças “não tinha quem ficasse observando os pequenos indícios”, já que “os professores são uma das maiores fontes de informação de abuso”.

Para a delegada, o aumento expressivo em 2022 ocorreu porque as vítimas voltaram a conviver em sociedade com o relaxamento das regras de quarentena. Pessoas com quem tiveram contato na escola, curso ou no trabalho, em casos de adolescentes, notaram as evidências e fizeram as denúncias, avalia.

“A gente sabe que a violência sexual, principalmente de crianças e adolescentes, é totalmente subnotificada e, quando fecharam as escolas e todo o resto, a preocupação foi ainda maior porque, a partir disso, se os abusos ocorrem em casa, para quem essas vítimas vão recorrer? E a maioria, infelizmente, acontece dentro dos próprios lares”, afirma Ferrari.

Abuso sexual em casa
Ainda segundo os dados, mais de 70% dos casos de abuso nos últimos três anos foram cometidos por uma pessoa com algum grau de parentesco com a vítima. Para Gledson Deziatto, que é conselheiro tutelar na zona oeste de São Paulo e acompanha essas situações de perto, os números mostram que “uma parte significativa dos lares em São Paulo não está mais seguro, além de revelarem que muitas famílias são perversas”.

O conselheiro, que trabalha há mais de 12 anos recebendo essas denúncias e orientando as famílias, conta que um dos casos que mais marcaram sua carreira foi o de uma menina de 9 anos que era obrigada pela mãe a manter relações sexuais com homens por R$ 5. “A menina ficava em um barraco e qualquer homem que quisesse entrar para abusar dela precisava pagar para a mãe”, diz.

Diversas formas de abuso
“Muita gente acha que, para ser abuso, precisa haver a penetração, mas não necessariamente. O abuso ocorre sempre que um adulto se aproveita do corpo de uma criança ou adolescente para obter prazer”, explica o cientista social e coordenador do Grupo de Trabalho de Enfrentamento às Violências do Movimento Agenda 227, Lucas Lopes.

A maioria dos boletins de ocorrência por abuso entre 2020 e 2022 foi registrado como estupro de vulnerável (artigo 217-A do Código Penal), quando há a conjunção carnal ou ato libidinoso, com pena de 8 a 15 anos de reclusão ao acusado.

O segundo do ranking é a importunação sexual (artigo 215-A), que é qualquer ato feito para satisfazer a própria lascívia que seja realizado sem o consentimento da vítima. Um exemplo disso é de um homem que foi preso após ser gravado por câmeras de segurança se masturbando em frente a duas crianças de 7 e 8 anos, que brincavam em frente a uma casa, na zona sul de São Paulo. Quando as meninas perceberam a presença do homem, começaram a gritar.

Na sequência, vem o crime de satisfação de lascívia mediante presença da criança ou do adolescente (artigo 218-A), quando o abusador obriga a vítima a presenciar algum ato sexual a fim de se satisfazer, com pena de dois a quatro anos de reclusão.

Ato obsceno, corrupção de menores, favorecimento de prostituição ou exploração sexual de vulnerável também estão entre os principais crimes de abuso. Para Lopes, o problema do Brasil é que existem diversas leis contra essa violência, mas nenhum tipo de prevenção. “Tudo o que a gente faz, mas de forma deficitária, são leis que são aplicadas só depois que o ato ocorreu. O responsável pode ser preso, mas e o trauma que essas milhares de crianças vão levar para a vida?”, questiona.

Ainda segundo o cientista social, há muita subnotificação de dados, porque algumas crianças não conseguem denunciar e não são orientadas sobre como agir nesses casos e devido à falta de políticas públicas preventivas contra esse tipo de crime.

Possíveis soluções
O advogado Ariel de Castro Alves, que recentemente assumiu a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, ressalta a importância da implantação das medidas previstas na lei nº 13.431 de 2017. O regulamento visa um sistema de garantia de direitos, tanto das vítimas quanto das testemunhas.

Com o cumprimento da lei nas cidades, haverá a criação de delegacias de proteção especializadas, centros de atendimentos integrados às vítimas e testemunhas, incluindo procedimentos como escuta protegida, depoimento especial, medidas de proteção, além de assistência psicológica e jurídica para essas pessoas.

“Os casos deveriam ser apurados pelas delegacias especializadas da criança e adolescente, mas, em vários estados, como São Paulo, elas não existem, e essas ocorrências passam a ser apuradas por delegacias comuns ou pelas delegacias de defesa da mulher”, explica Castro.

Além dessas unidades especializadas, as equipes da Agenda 227, que é uma entidade de assistência social, sugeriram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) algumas ações para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes. Lucas Lopes, que é o coordenador do grupo, disse à reportagem que, a curto prazo, uma das medidas é falar mais sobre o abuso infantil em escolas, desde a primeira infância até a educação básica, e em outros espaços públicos de convívio.

“Precisamos colocar o tema na agenda pública e não depende de orçamento ou recurso nenhum, mas, talvez, seja o mais difícil, porque causa vergonha. É necessário orientar esse público que há partes em que as pessoas não podem tocar, que há órgãos que vão lutar pelos direitos delas e que elas não precisam crescer com esse trauma”, afirma.

Uma outra proposta que a Agenda 227 traz é o compartilhamento de dados e relatórios, o que, segundo Lopes, “é bastante incipiente no Brasil” porque não há um investimento nesse sentido. Para o especialista, saber a idade, condição física e sensorial, cor da pele, região onde mora, se a criança pertence a grupos originários ou não, como e onde ocorreu o crime e o grau de parentesco do abusador com a vítima ajudam os órgãos a criar políticas de prevenção melhores e customizadas para combater esse tipo de violência.

Fonte: Com informações da Agência Estado

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