Barroso anuncia aposentadoria antecipada do STF e abre corrida por sucessão: “Hora de seguir novos rumos”

por Redação

O ministro Luís Roberto Barroso anunciou nesta quinta-feira (10) que deixará o Supremo Tribunal Federal (STF) de forma antecipada, encerrando uma trajetória de mais de 12 anos na Corte. A decisão, que vinha sendo amadurecida desde sua saída da presidência do tribunal, foi comunicada durante sessão plenária e aplaudida de pé pelos colegas ministros.

“É hora de seguir novos rumos. Não tenho apego ao poder e gostaria de viver a vida que me resta sem as responsabilidades do cargo”, afirmou Barroso, emocionado. “Os sacrifícios e os ônus da nossa profissão acabam se transferindo aos familiares e às pessoas queridas.”

A aposentadoria do ministro estava prevista apenas para 2033, quando completaria 75 anos. Segundo ele, a decisão já havia sido comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de dois anos. Barroso disse ainda que fará um “retiro espiritual” antes de definir os detalhes de sua saída.

Trajetória

Indicado ao STF em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff, Barroso construiu uma carreira marcada pela defesa de direitos fundamentais e causas constitucionais. Foi relator de ações de grande repercussão, como a suspensão de despejos durante a pandemia, a autorização de transporte gratuito nas eleições de 2023 e a limitação do foro privilegiado.

Como presidente do Supremo, conduziu o tribunal durante o julgamento dos acusados de participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro também teve papel importante em temas como o porte de maconha para uso pessoal, o piso da enfermagem, o Fundo do Clima e a proteção a povos indígenas.

Natural de Vassouras (RJ), Barroso é formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde é professor titular. É mestre pela Universidade de Yale (EUA), doutor pela Uerj e pós-doutor pela Universidade de Harvard (EUA).

Corrida pela sucessão

O anúncio abriu a disputa pela sucessão no STF. Entre os nomes cotados está o do advogado-geral da União, Jorge Messias, considerado um dos mais próximos de Lula. Também aparecem no radar do Planalto o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o ministro do TCU, Bruno Dantas, e o ministro da CGU, Vinícius Carvalho.

A escolha deverá levar em conta fatores políticos e institucionais, especialmente com a aproximação das eleições de 2026.

Durante a despedida, Barroso recebeu elogios dos colegas. O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que o ministro “ajudou a construir uma cultura constitucional mais sólida e comprometida com os direitos fundamentais”. Já Gilmar Mendes declarou que “não guarda mágoas” e desejou felicidade ao colega. Luiz Fux, emocionado, destacou: “Tem a marca do grande homem, caracterizado pela integridade profunda.”

Fonte: OGLOBO

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