As investigações da Operação Recon, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil, revelaram que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) alugaram uma casa de luxo a menos de um quilômetro da residência do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, em Presidente Prudente, interior de São Paulo, com o objetivo de espionar e mapear a rotina dele e de sua escolta policial.
De acordo com o MP-SP, imagens aéreas mostraram que diversas pessoas se reuniam na residência, que também funcionava como ponto de distribuição de drogas. Os investigadores acreditam que os criminosos planejavam atacar o promotor durante o trajeto até o trabalho.
Lincoln Gakiya integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e é conhecido por atuar há mais de 20 anos contra as lideranças do PCC. Desde 2005, ele vive sob escolta policial permanente por causa das ameaças que recebe da facção.
A operação também identificou uma célula do PCC altamente disciplinada e compartimentada, responsável por monitorar autoridades e seus familiares, com o objetivo de planejar atentados. Segundo o MP-SP, cada integrante tinha funções específicas e não conhecia o plano completo, o que dificultava a detecção da trama.
Durante a ação, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nas cidades de Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1). A Justiça também determinou a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos suspeitos.
As autoridades destacam que, até o momento, não há ligação confirmada entre esse plano e o assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, morto recentemente, embora as ações de monitoramento de autoridades tenham começado na mesma época, em julho deste ano.
A investigação teve início após a prisão em flagrante de Vitor Hugo da Silva, o “VH”, por tráfico de drogas. No celular dele, a polícia encontrou fotos, vídeos e levantamentos detalhados sobre a rotina de Roberto Medina, coordenador de presídios também ameaçado.
A partir dele, os investigadores chegaram a Wellison Rodrigo Bispo de Almeida (“Corinthinha”), e Sérgio Garcia da Silva (“Messi”), ambos presos. Nos celulares apreendidos, foram encontradas conversas, prints de rotas e registros de vigilância sobre Gakiya e Medina.
Segundo o MP-SP, as provas apreendidas serão analisadas pela perícia e devem subsidiar as próximas fases da investigação, voltadas a identificar outros partícipes e o mapeamento completo da cadeia de comando do grupo criminoso.
Fonte: G1