O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem trabalhando nos bastidores para tentar convencer o ministro Dias Toffoli a se licenciar do Supremo Tribunal Federal (STF), com o argumento de evitar que novas denúncias comprometam o tribunal. Segundo interlocutores do presidente, Lula tem pedido a pessoas próximas de Toffoli que o convençam a se afastar alegando motivos de saúde e, no médio prazo, considerar a renúncia definitiva ao cargo.
O objetivo do presidente é reduzir a pressão sobre a Corte, especialmente diante do risco de que novas informações sobre a relação de Toffoli com o grupo do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, possam surgir. Até agora, o que se tornou público refere-se à compra, pelo grupo Vorcaro, de R$ 35 milhões por uma fatia do resort do qual Toffoli é sócio. Pressionado, o ministro renunciou à relatoria do caso Master, mas Edson Fachin arquivou o processo sobre sua suspeição. Toffoli, indicado ao STF por Lula, pode permanecer no cargo até 2042.
Além disso, a licença de Toffoli é vista como forma de proteger Alexandre de Moraes, também envolvido nas investigações sobre contratos e mensagens trocadas com Vorcaro. Lula argumenta que Moraes é essencial para seu governo, principalmente pela condução dos processos da trama golpista que culminaram na condenação de Jair Bolsonaro e aliados, e estará à frente do STF a partir de setembro de 2027, caso o petista seja reeleito.
Pesquisas recentes mostram o impacto das revelações sobre a confiança na Corte: levantamento Quaest indica que 49% dos brasileiros não confiam no STF, enquanto Datafolha registra 43%, índice recorde desde 2012. Para Lula, o afastamento de Toffoli poderia aliviar a crise, mas o plano enfrenta resistência: o ministro não demonstra interesse em se licenciar, e o caso Master ainda é considerado apenas o início de possíveis desdobramentos.
Fonte: G1