O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto foi preso nesta quarta-feira (18) em São José dos Campos, no interior de São Paulo, suspeito de feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. A vítima foi encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado.
Segundo a Polícia Civil, o oficial foi localizado em seu apartamento no Jardim Augusta por um comboio de agentes da Civil e da Corregedoria da PM, sendo conduzido ao 8º DP para interrogatório e formal indiciamento. Após exames de corpo de delito, ele será transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, na capital.
O pedido de prisão foi autorizado pela Justiça Militar após laudos periciais apontarem que a trajetória da bala e a profundidade dos ferimentos no corpo de Gisele não condizem com suicídio. Os documentos também indicam que a soldada não estava dopada ou grávida, e manchas de sangue foram encontradas em outros cômodos do apartamento.
O caso ocorreu em 18 de fevereiro e inicialmente foi registrado como suicídio. Laudos necroscópicos apontaram lesões no rosto e pescoço da vítima. A defesa do coronel sustenta que a morte foi suicídio, enquanto a família de Gisele contesta a versão e afirma que ela foi vítima de feminicídio.
Em nota, o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, disse que espera que o coronel seja formalmente denunciado, processado, julgado e condenado. Já o defensor do oficial, Eugênio Malavasi, afirmou que a Justiça Militar não tem competência para julgar o caso e pretende suscitar conflito de competência com a Justiça comum.
Mensagens da vítima e depoimentos de familiares indicam que Gisele enfrentava um relacionamento abusivo, com comportamento controlador e violento do marido. Laudos da perícia confirmaram lesões e apontam que o disparo foi à queima-roupa, sem vestígios de pólvora nas mãos da vítima, reforçando a suspeita de homicídio.
Fonte: G1