Acusado de matar esposa PM, tenente-coronel divide cela com outros policiais e mantém salário de R$ 28,9 mil

por Redação

Preso há mais de um mês acusado de matar a própria esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves, o tenente-coronel Geraldo Neto cumpre rotina no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, dividindo cela com outros três policiais militares.

Segundo informações confirmadas pela Polícia Militar por meio da Secretaria da Segurança Pública (SSP), o oficial está no chamado “primeiro estágio” do regime fechado, considerado o mais restritivo da unidade. Nesse período, os presos têm circulação limitada, direito a duas horas diárias de banho de sol e podem receber até cinco refeições ao longo do dia, entre café da manhã, almoço, jantar e refeições complementares.

Geraldo Neto foi preso preventivamente em 18 de março e completou 42 dias detido na quarta-feira (28). Mesmo preso, ele mantém a patente militar, embora esteja impedido de exercer autoridade hierárquica dentro do presídio.

A soldado Gisele Alves morreu em 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal no Brás, região central da capital paulista. Ela tinha 32 anos. Segundo o Ministério Público, a policial queria se separar e o marido, de 53 anos, não aceitava o fim da relação.

O tenente-coronel nega o crime e afirma que a esposa teria tirado a própria vida após ele pedir o divórcio. A versão, no entanto, foi contestada pelas investigações da Polícia Civil e do MP.

Laudos periciais apontam que Neto teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime para simular suicídio. Por isso, ele virou réu por feminicídio e fraude processual.

Mensagens extraídas do celular do oficial reforçaram as suspeitas dos investigadores. Segundo o MP, o conteúdo indicaria comportamento controlador e violência doméstica. Em alguns trechos, Neto se autodenominava “macho alfa” e exigia que a esposa fosse uma “fêmea beta”.

Vídeos gravados por câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência também colocaram em dúvida a versão apresentada pelo tenente-coronel.

Imagens obtidas pela TV Globo mostraram ainda o momento em que Neto foi recebido com abraços por outro policial militar ao chegar ao presídio. A corporação não informou se esse tipo de recepção faz parte do procedimento padrão da unidade.

O Presídio Militar Romão Gomes, criado em 1949, é a única unidade prisional de São Paulo destinada exclusivamente a policiais militares. Atualmente, possui capacidade para 328 presos e abriga cerca de 250 detentos.

A unidade já recebeu nomes conhecidos do noticiário policial, como Mizael Bispo, Cabo Bruno e Otávio Lourenço Gambra, o “Rambo”. Segundo reportagens históricas, homicídio é um dos crimes mais recorrentes entre os internos do local.

Mesmo aposentado pela PM em 2 de abril deste ano, Geraldo Neto continuará recebendo salário. Antes da prisão, em fevereiro de 2026, seus vencimentos brutos chegaram a R$ 28,9 mil, conforme dados do Portal da Transparência do Governo de São Paulo.

Na quarta-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a Justiça comum deverá julgar o caso, se houver condenação do oficial.

Fonte: G1

Leia também