Um crime de extrema violência chocou o Ceará após câmeras de segurança registrarem o momento em que dois irmãos atacaram uma jovem de 21 anos dentro da própria casa, no município de Quixeramobim, a cerca de 200 quilômetros de Fortaleza. Após o ataque, uma frase dita por um dos suspeitos — “acabou com a nossa vida” — evidenciou a gravidade da ação e repercutiu nacionalmente.
A vítima, Ana Clara de Oliveira, teve uma mão amputada e outra semi-amputada após ser atingida com golpes de foice pelo namorado, Ronivaldo Rocha, de 40 anos, e pelo irmão dele, Evangelista Rocha, de 34. O crime ocorreu na última sexta-feira (1º), após uma discussão entre o casal. As imagens mostram o momento em que Ronivaldo persegue a jovem na rua, faz ameaças e, cerca de 20 minutos depois, retorna ao local com o irmão.
Evangelista invade a residência pulando o muro enquanto Ronivaldo permanece do lado de fora, incentivando a agressão. Em determinado momento, ele grita: “Pode matar ela, pode matar”. Após os ataques, que duraram cerca de seis minutos, Evangelista deixa o local com a arma utilizada. Na sequência, Ronivaldo questiona: “Tu matou? Acabou com nossa vida”, ao que o irmão responde: “Já era, acabou”.
A cronologia registrada pelas câmeras detalha a escalada da violência, desde a discussão inicial até a fuga dos suspeitos. Pouco depois, ambos foram localizados e presos: Evangelista em Quixeramobim e Ronivaldo no município de Madalena. A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois, autuados por tentativa de feminicídio.
Ana Clara foi socorrida em estado grave e levada ao Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza, onde passou por uma cirurgia de reimplante das mãos que durou cerca de 12 horas e envolveu aproximadamente 15 profissionais. O procedimento foi considerado bem-sucedido, e a jovem permanece na UTI, já sem ajuda de aparelhos, consciente e reconhecendo familiares, embora ainda não consiga falar.
O caso também lança luz sobre o histórico do agressor. Ronivaldo possui antecedentes por violência doméstica, ameaça, agiotagem e porte ilegal de arma. Segundo apuração, ele mantinha um relacionamento de cerca de dois anos com a vítima, marcado por episódios anteriores de violência. O crime foi classificado como “bárbaro” pelo governador do Ceará, Elmano de Freitas, que destacou a rápida atuação policial na prisão dos envolvidos.
Fonte: G1