Especialistas em saúde mental e sexualidade alertam para o aumento da ansiedade sexual entre homens jovens, fenômeno associado, em parte, à superexposição a conteúdos sexuais altamente explícitos nas plataformas digitais.
Segundo médicos e pesquisadores, o problema não está no consumo ocasional de pornografia, mas no uso excessivo e compulsivo, que pode alterar a forma como algumas pessoas respondem ao desejo, à intimidade e às relações reais.
De acordo com o urologista Guillermo Romero, muitos homens acabam utilizando o conteúdo pornográfico como mecanismo psicológico para lidar com estresse, ansiedade e emoções negativas.
“Quando o cérebro se acostuma a níveis muito altos de estimulação visual, a resposta diante de experiências sexuais cotidianas pode diminuir. Além disso, surgem comparações irreais sobre desempenho, corpo ou performance sexual”, afirma o especialista.
Estudos internacionais vêm analisando os impactos desse consumo problemático na saúde sexual masculina. Algumas pesquisas apontam associações entre o excesso de pornografia e sintomas como disfunção erétil psicológica, diminuição do desejo sexual, ansiedade durante relações íntimas, menor satisfação nos relacionamentos e expectativas irreais sobre o sexo.
Especialistas também destacam alguns sinais de alerta que podem indicar um comportamento prejudicial, como a necessidade de consumir conteúdos cada vez mais frequentes ou extremos, dificuldade de excitação sem pornografia, isolamento social, perda de interesse em relações reais, consumo em horários inadequados e sensação de culpa ou perda de controle.
Apesar do debate crescente, profissionais reforçam que o objetivo não é demonizar a sexualidade, mas incentivar uma relação mais equilibrada com o conteúdo digital e identificar quando ele começa a impactar a vida pessoal ou afetiva.
Nos últimos anos, temas ligados à saúde sexual masculina, testosterona, desempenho sexual, ansiedade e disfunção erétil ganharam espaço nas redes sociais. O movimento também levou médicos especialistas a ampliarem a produção de conteúdos educativos para combater desinformações disseminadas na internet.
Para Guillermo Romero, um dos maiores desafios atuais é fazer com que homens entendam que buscar ajuda médica e psicológica não deve ser motivo de vergonha.
Segundo ele, saúde sexual também envolve saúde mental, autoestima e qualidade de vida, e o tratamento precoce pode evitar que muitos homens enfrentem esses problemas em silêncio.
Fonte: OGLOBO