Banqueiro do Banco Master é transferido para presídio no interior após nova prisão em operação da PF

por Redação

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido na manhã desta quinta-feira (5) do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos para a Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. O deslocamento ocorreu por volta das 7h30 em uma caminhonete da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) adaptada para transporte de presos.

Vorcaro havia sido preso na quarta-feira (4) pela Polícia Federal em uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também foi detido e transferido para a mesma unidade prisional.

Segundo as investigações, o grupo teria criado uma “milícia privada” chamada “A Turma”, usada para intimidar e espionar adversários. Entre os alvos estaria o jornalista Lauro Jardim, que, de acordo com a apuração, poderia sofrer um ataque. A operação também apontou suspeitas de acesso ilegal a sistemas da Polícia Federal, Ministério Público Federal, FBI e Interpol para obtenção de dados sigilosos.

A investigação ainda identificou o possível envolvimento de dois servidores do Banco Central, suspeitos de receber vantagens indevidas e antecipar informações estratégicas ao Banco Master.

Antes da transferência, Vorcaro passou a noite no CDP de Guarulhos, onde realizou o procedimento padrão de entrada no sistema prisional, incluindo corte de cabelo. Durante o transporte, ele já vestia o uniforme da SAP, composto por calça caqui e camiseta branca.

Ao chegar à Penitenciária 2 de Potim, o banqueiro foi colocado em uma cela de isolamento, procedimento comum para novos detentos. Após um período inicial de dez dias, ele deverá ser encaminhado ao pavilhão do regime fechado.

A unidade prisional, inaugurada em 2002, tem capacidade para 844 presos e atualmente abriga 472 detentos. Nos últimos anos, passou a receber presos envolvidos em casos de grande repercussão nacional, após mudanças feitas pelo governo paulista no perfil da antiga Penitenciária 2 de Tremembé, conhecida como “presídio dos famosos”.

A defesa de Vorcaro afirma que ele sempre esteve à disposição das autoridades e nega qualquer tentativa de obstrução das investigações. Os advogados também disseram confiar que o esclarecimento dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.

Além de Vorcaro e Zettel, a operação também teve como alvos o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A Justiça determinou ainda o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, para interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado.

Segundo a Polícia Federal, o esquema investigado envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master, além de suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado ao tentar embarcar em um avião particular com destino à Europa no aeroporto de Guarulhos. Para a PF, havia indícios claros de que ele pretendia fugir do país.

O banqueiro também era esperado para prestar depoimento na CPI do Crime Organizado, em Brasília, nesta semana. No entanto, havia sinalizado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Na terça-feira (3), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu que a presença dele na CPI seria facultativa.

Fonte: G1

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