Um registro manuscrito em livro de ocorrências do Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), indica que malas e bolsas teriam sido liberadas sem fiscalização por raio-x no desembarque de um voo que transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. A informação consta de inquérito da Polícia Federal obtido pelo g1.
Segundo a PF, o apontamento foi feito por um agente de proteção da aviação civil (APAC), responsável por registros de irregularidades aeroportuárias. No relato, o auditor fiscal da Receita Federal Marco Antônio Canella teria autorizado a liberação de bagagens sem inspeção.
O documento descreve que foram liberadas “todas as malas e bolsas de mão com eletrônicos e garrafas dentro das malas”, além da autorização para passagem de bagagens fora do raio-x.
O voo em questão, identificado como PP-OIG, teria partido de São Martinho, no Caribe, região classificada pela Receita Federal como paraíso fiscal. A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, citado em investigações e que participou da CPI das Bets no Senado.
A Polícia Federal apura se o episódio foi isolado ou se há padrão de conduta irregular. O inquérito investiga possíveis crimes de prevaricação e facilitação de contrabando e foi remetido ao Supremo Tribunal Federal após a identificação de parlamentares com foro privilegiado entre os passageiros.
A lista de passageiros inclui, além de Hugo Motta e Ciro Nogueira, os deputados Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões, além do empresário proprietário da aeronave.
O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que determinou manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Em nota, o piloto afirmou não se recordar do ocorrido e disse seguir procedimentos padrão de desembarque, destacando que cada passageiro responde por seus próprios pertences.
O auditor citado não se manifestou até a última atualização. Hugo Motta afirmou ter seguido protocolos e disse que aguardará posicionamento da PGR. Ciro Nogueira e outros parlamentares citados não comentaram ou não foram localizados.
Fonte: G1