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Saúde

Saúde

‘Dente da Shopee’: vídeos ensinam a fazer dentes falsos com resina; dentistas alertam para os riscos

por Redação 10 de abril de 2025

Centenas de vídeos estão viralizando nas redes sociais, mostrando pessoas fazendo dentes de resina em casa. Esses tutoriais ensinam como criar o chamado “dente da Shopee”, usando um produto vendido por até R$ 20 em plataformas de venda online. No entanto, os dentistas alertam que essa prática é arriscada e contraindicada.

Os vídeos ensinam a utilizar um produto conhecido como resina termoplástica, que vem em forma de pequenas esferas. Ao serem colocadas em água quente, as esferas se transformam em um material plástico maleável, que pode ser moldado no formato do dente.

Os usuários comentam que moldar um dente provisório em casa é mais barato e acessível do que fazer um implante profissional, que pode custar até R$ 2,5 mil. Porém, dentistas explicam que o improviso pode afetar os dentes saudáveis e causar ainda mais prejuízos.

A dentista Monique Pimentel, especialista em ortodontia, alerta que produzir dentes em casa pode colocar em risco a saúde bucal e geral, e aponta alguns problemas:

Não há como garantir a procedência da resina nem conhecer seus compostos químicos. Dentro da boca, essas substâncias podem ser liberadas e ingeridas, representando risco à saúde.
O “dente” improvisado não respeita a estrutura dentária natural, impedindo a manutenção correta dos espaços necessários entre os dentes, o que dificulta a limpeza adequada.
Sem o acabamento profissional, a superfície da resina fica áspera, acumulando alimentos e facilitando o desenvolvimento de cáries nos dentes saudáveis.
Problemas na estrutura da arcada dentária podem surgir, já que o dente artificial pode pressionar os dentes inferiores de maneira inadequada, prejudicando a distribuição correta da carga e até mesmo causando dores de cabeça e enxaquecas.

A especialista ainda ressalta que dentes provisórios de resina utilizados nos consultórios são temporários, indicados somente durante o processo de implante. Já os dentes fixos são feitos em porcelana, material biocompatível que oferece menos riscos aos pacientes.

CFO fez parceria com plataformas para derrubar venda de resinas
O Conselho Federal de Odontologia (CFO) criou uma ouvidoria, em parceria com as plataformas de venda, para derrubar os anúncios dos produtos que são vendidos ilegalmente.

Segundo o conselho, eles fizeram uma parceria com a Shopee e o Mercado Livre e vão encaminhar as denúncias de usuários e dentistas de anúncios de resinas como essas para que os dois e-commerce avaliam o anúncio e possam derrubar.

Fonte: G1

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Saúde

Você está limpando sua garrafa de água o suficiente? Entenda a melhor forma de fazer isso

por Redação 9 de abril de 2025

Carl Behnke é especialista em segurança alimentar da Universidade Purdue em Indiana, nos Estados Unidos. Ele sempre se perguntava se a sua garrafa d’água reutilizável estava bem limpa.

Quando Behnke colocava toalhas de papel dentro da garrafa e as esfregava no seu interior, ele ficava em choque.

Sua etapa seguinte foi projetar um estudo. Behnke e seus colegas paravam as pessoas que passavam em um corredor da universidade e pedia a elas que emprestassem suas garrafas d’água como parte da pesquisa. Eles gostariam de verificar se elas estavam bem limpas.

“Um ponto que se destacou no projeto foi a quantidade de pessoas que não queriam saber os resultados”, relembra Behnke. “Basicamente, elas sabiam que seus hábitos de limpeza eram poucos ou inexistentes – o que os dados confirmaram posteriormente.”

De fato, o estudo confirmou que as garrafas estavam repletas de bactérias.

O mercado global de garrafas de água reutilizáveis totalizou cerca de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 57,5 bilhões) em 2024.

Um estudo entre profissionais da saúde italianos indicou que a metade deles usava garrafas reutilizáveis, enquanto pesquisas entre estudantes universitários sugerem que 50 a 81% dos participantes faziam uso dos recipientes para beber.

Será que devemos descartá-las ou estes riscos podem ser administrados?

O que há no seu interior?
Normalmente, é seguro beber água da torneira da cozinha. Mas ela não está livre da vida microbiana.

Por isso, deixar água na sua garrafa por alguns dias irá incentivar as bactérias a crescer, segundo a professora de microbiologia clínica Primrose Freestone, da Universidade de Leicester, no Reino Unido.

“Quanto mais tempo a água for armazenada em uma garrafa à temperatura ambiente, mais bactérias irão crescer”, explica ela.

Um estudo realizado em Singapura utilizando água da torneira fervida – o que deveria ter matado a maior parte das bactérias – concluiu que as populações bacterianas podem crescer rapidamente no interior das garrafas de água, à medida que elas são usadas ao longo do dia.

As bactérias da garrafa d’água podem se multiplicar ao longo do dia, chegando à casa dos milhões.

Embora parte da atividade bacteriana da garrafa d’água venha do próprio conteúdo, a maior parcela da contaminação, na verdade, é introduzida pelo usuário.

Sempre que você levar sua garrafa para o trabalho, a academia ou mesmo se a mantiver dentro de casa, o lado externo da garrafa irá carregar muitos micróbios. Freestone explica que estes micróbios são facilmente transferidos para o conteúdo da garrafa, junto com as bactérias da sua boca, toda vez que você tomar um gole de água.

Os usuários de garrafas que não lavam suas mãos regularmente também irão fazer com que seus recipientes possam abrigar bactérias como E. coli, segundo ela.

“Bactérias associadas às fezes, como E. coli, podem vir pelas nossas mãos e acabar nos seus lábios, se você não tiver boa higiene no toalete”, afirma a professora.

Geralmente, as pessoas possuem 500 a 600 espécies diferentes de bactérias vivendo na boca, segundo Freestone.

“O que não causa necessariamente doenças para você nem sempre será igual para os demais”, destaca ela. “Você pode transmitir uma infecção sem perceber, pois o nosso sistema imunológico nos protege muito bem.”

Outra forma de incentivar o crescimento bacteriano na sua garrafa é colocar qualquer coisa além de água doce no seu interior.

As bebidas que alimentam você também são nutritivas para os micróbios. Por isso, qualquer bebida que contenha açúcar, por exemplo, pode estimular o crescimento de bactérias ou mofo presentes na sua garrafa, prossegue Freestone.

Se você já tiver deixado leite em um copo por algumas horas, pode ter observado que se forma um filme fino sobre o copo quando você joga o líquido fora. Casualmente, as bactérias adoram esse filme, segundo a professora.

Como as bactérias nos afetam?
Todos nós estamos rodeados por bactérias no solo, no ar e no nosso corpo. Mas é preciso lembrar que as bactérias, em sua maioria, são inofensivas ou até benéficas.

E. coli é um grande grupo de bactérias encontradas naturalmente no meio ambiente e que também são moradoras habituais do intestino humano. Somente quando as bactérias se tornam patogênicas (ou seja, quando elas adquirem certas características que as tornam nocivas), elas deixam as pessoas doentes.

A maioria dos micróbios não faz mal aos seres humanos, mas pessoas com sistema imunológico debilitado podem ser mais propensas a infecções, explica Freestone.

Além disso, ficar doente devido a um micróbio estomacal, em alguns casos, pode levar a mudanças de longo prazo no intestino.

“O nosso intestino muda todo o tempo, mas existem ali mais de 1 mil espécies presentes, prossegue a professora. “Por isso, é difícil mudar em termos de composição.”

“Existem muitas variáveis, mas sofrer envenenamento alimentar devido às bactérias em uma garrafa d’água nunca irá trazer mudanças positivas.”

Um cotonete passado em uma garrafa d’água reutilizável que foi levado à redação de um jornal no Reino Unido também revelou que essas garrafas podem ser um campo fértil para linhagens emergentes de bactérias resistentes a antibióticos.

Os pesquisadores descobriram, na amostra da garrafa d’água, uma espécie de bactéria chamada Klebsiella grimontii. Esta espécie é capaz de formar biofilmes sobre superfícies que, antes, eram estéreis.

Ela pode ser encontrada na microflora normal do trato gastrointestinal, mas também pode causar diarreia grave em pessoas que tenham tomado antibióticos recentemente.

Se houver crescimento de mofo ou fungos na sua garrafa, eles podem gerar sintomas em qualquer pessoa que seja alérgica.

Mas é preciso observar que não existem, na literatura científica, exemplos de doenças graves que possam ser causadas por garrafas de água reutilizáveis. É claro que isso não significa que não aconteça, mas identificar fontes pontuais isoladas de infecções é notoriamente difícil.

Como devemos limpar as garrafas?
Para Behnke, a sensação cada vez maior de que ele talvez devesse limpar melhor sua garrafa d’água fez com que ele verificasse com mais atenção o que poderia estar dentro dela.

Behnke usava uma garrafa de água filtrada e começou a observar que a água que ele estava bebendo tinha gosto ruim.

“De vez em quando, eu lavava com água quente, mas, na verdade, nunca fazia nada além disso”, ele conta.

Depois que as suas investigações com papel-toalha revelaram como sua garrafa d’água estava imunda, o estudo conduzido por ele e seus colegas começou a observar com mais detalhes os hábitos das pessoas em relação às suas garrafas.

Behnke concluiu que pouco mais da metade dos 90 participantes pesquisados durante o estudo declararam que compartilham sua garrafa com outras pessoas. E 15% responderam que nunca limpavam suas garrafas.

É claro que o fato de as pessoas lavarem ou enxaguarem suas garrafas d’água afetava o nível de contaminação. Mas Behnke concluiu que a forma ou a frequência da limpeza não causava enormes alterações do grau de contaminação dos recipientes.

As pessoas que lavavam suas garrafas com instrumentos como uma escova ou usavam a lavadora de louças costumavam apresentar os menores números de bactérias no interior do recipiente. Behnke e seus colegas também indicam que usar a lavadora de louças no ciclo intenso pode ser o método mais eficaz.

Mas as conclusões do estudo indicam que estas descobertas podem ter sofrido viés, pois os pesquisadores confiaram no relato dos próprios participantes sobre seus comportamentos de higiene. As pessoas podem ter alterado suas respostas para parecerem socialmente mais aceitáveis.

O estudo também concluiu que garrafas contendo chá, café ou suco eram mais contaminadas do que as garrafas que continham apenas água.

Mesmo se a água no interior da garrafa for estéril, Freestone destaca que a saliva do usuário irá acabar dentro do recipiente. Seus traços de nutrientes irão deixar as bactérias felizes e alimentadas.

Enxaguar a garrafa com água fria não é suficiente, segundo a professora. Você não irá ficar livre dos biofilmes – a camada escorregadia de bactérias que pode se acumular sobre a superfície interna da sua garrafa e fornece o ambiente perfeito para a multiplicação dos micróbios.

Freestone recomenda limpar as garrafas reutilizáveis com água quente (acima de 60 °C, pois esta temperatura mata a maioria dos patógenos) e detergente líquido, agitando e mantendo a garrafa em repouso por 10 minutos, antes de um bom enxágue com água quente.

Deixar a garrafa secar ao ar livre é a melhor forma de evitar o acúmulo de bactérias no seu interior, já que os micro-organismos preferem ambientes úmidos.

É assim que você deve limpar sua garrafa depois de cada uso – ou, pelo menos, várias vezes por semana, ensina Freestone. E ela aconselha a nunca esperar a garrafa começar a cheirar mal.

“Se a sua garrafa começar a cheirar mal, você chegou a um ponto em que deve jogá-la fora”, orienta a professora.

Por fim, quando você tiver uma bela garrafa limpa, Freestone relembra que você precisa lavar as mãos antes de tocar nela.

Carl Behnke, agora, é um usuário de garrafas d’água totalmente renovado. Ele lava e seca sua garrafa ao ar livre toda semana, com um spray desinfetante e uma escova de garrafas, que ele usa para limpar o bico ou os bocais e outras superfícies pequenas.

Devemos evitar algum tipo específico?

Para Primrose Freestone, as garrafas mais higiênicas são simplesmente aquelas que são mais fáceis de limpar. E ela destaca que é importante ter certeza de limpar cada parte da garrafa d’água, incluindo o lado externo, a tampa e o canudo, se houver.

Mas pode haver outro motivo para escolher o metal e não o plástico.

“O plástico normalmente tem aditivos químicos que oferecem vantagens – flexibilidade, durabilidade, resistência ao calor e baixo peso”, afirma o professor de ciências da saúde da população Amit Abraham, da Faculdade Weill Cornell Medicine, no Catar.

“Estes aditivos são ligados fisicamente ao plástico, o que significa que eles podem migrar para a água”, explica Abraham.

Pesquisas indicam que estes aditivos, como o BPA, podem interferir nas suas funções hormonais e podem estar relacionados ao aumento do risco de doenças cardíacas, AVC, diabetes e outras doenças crônicas.

Aparentemente, eles também se infiltram na água, segundo Abraham, independentemente se a garrafa for feita de plástico descartável ou reutilizável.

O certo é que, seja qual for o tipo de garrafa d’água que você escolher, bons hábitos de higiene aparentemente são fundamentais para garantir que a sua água não fique repleta de bactérias nocivas.

Fonte: G1

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Saúde

Fadiga visual: como proteger a vista na era do excesso de telas

por Redação 1 de abril de 2025

Em uma era em que as telas dominam nossa vida cotidiana, uma epidemia silenciosa se espalha pelo mundo.

A fadiga ocular digital, antes considerada uma condição marginal entre as preocupações com a saúde ocupacional, tornou-se um grande problema de saúde pública, que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo.

À medida que nossa dependência de dispositivos digitais para trabalho, educação e interação social só aumenta, há mais riscos à saúde de nossos olhos.

Estudos recentes apresentam um quadro sombrio. Até 50% dos usuários de computador podem desenvolver a chamada fadiga ocular digital.

Essa condição, caracterizada por uma variedade de sintomas oculares e visuais, como secura, lacrimejamento, coceira, queimação e visão turva ou até dupla, não é apenas um incômodo.

Ela pode indicar problemas potencialmente crônicos que afetam significativamente a qualidade de vida e a produtividade de um indivíduo.

A pandemia da covid-19 exacerbou essa tendência. Afinal, os lockdowns e as medidas de distanciamento social aumentaram o tempo de tela numa escala sem precedentes.

Um aumento acentuado no uso de dispositivos digitais durante esse período está correlacionado a um crescimento das doenças na superfície ocular, distúrbios visuais e fadiga ocular digital.

O impacto invisível da dependência digital
Mas o que exatamente acontece com nossos olhos quando olhamos para telas por longos períodos?

A resposta está na biologia complexa do nosso sistema visual. Ao focar em telas digitais, nossa taxa de piscadas diminui e nossos olhos se esforçam demais para focar em objetos próximos por longos períodos.

Piscar menos e manter o foco próximo desencadeia uma série de problemas oculares, desde irritação leve até ressecamento crônico.

Os sintomas da fadiga ocular digital são diversos e muitas vezes insidiosos. Eles variam desde sinais imediatamente perceptíveis, como fadiga ocular, secura e visão turva, até pistas mais sutis, como dores de cabeça e no pescoço.

Embora geralmente temporários, esses sintomas podem se tornar persistentes e debilitantes, se não forem tratados.

Ao contrário da crença popular, a luz azul emitida pelas telas não é a principal causa da vista cansada.

Embora a luz azul possa contribuir para a fadiga ocular e interromper os padrões de sono, não há evidências conclusivas de que ela cause danos oculares permanentes.

Os verdadeiros vilões são a ergonomia ruim, o trabalho por um tempo prolongado com foco próximo e a redução das piscadas.

Mas como podemos proteger a visão neste mundo centrado nas telas?

A solução está em uma abordagem multifacetada, que combina mudanças comportamentais, ajustes ambientais e, quando necessário, intervenções médicas.

Medidas de proteção
A regra 20-20 é uma estratégia simples, mas eficaz, para proteger seus olhos da fadiga visual provocada pelos meios digitais.

A cada 20 minutos, faça uma pausa de 20 segundos para se concentrar em algo que esteja a 6 metros de distância.

Essa pequena pausa permite que os músculos oculares relaxem e reduz a tensão associada ao trabalho constante de foco próximo.

Embora amplamente recomendada, é importante ressaltar que a eficácia dessa regra específica não foi rigorosamente estudada. Mas o princípio de fazer pausas frequentes é algo sólido e lógico.

Fatores ambientais desempenham um papel fundamental na manutenção do conforto dos olhos durante o uso de telas.

Iluminação adequada, umidade e boa qualidade do ar podem influenciar significativamente na saúde dos olhos.

Use lâmpadas ajustáveis ​​para direcionar a luz para longe dos seus olhos. Use um umidificador para manter os níveis de umidade adequados. E considere um purificador de ar para remover partículas irritantes do ar.

Ajustes ergonômicos são igualmente importantes. Posicione a tela na distância do braço e um pouco abaixo do nível dos olhos, para reduzir a tensão no pescoço.

Aumente o tamanho da fonte para minimizar o esforço de apertar os olhos e certifique-se de que sua cadeira ofereça apoio adequado para as costas.

E para aqueles que apresentam sintomas persistentes de irritação visual, buscar a ajuda de um profissional de saúde é algo muito importante.

Os profissionais que cuidam da saúde ocular podem realizar exames abrangentes para identificar problemas subjacentes, como erros de refração — doenças oculares comuns em que o formato do olho impede que a luz se concentre corretamente na retina, o que gera uma visão turva — ou doença do olho seco.

Especialistas em visão podem prescrever tratamentos específicos, desde óculos especiais até medicamentos que tratam problemas específicos.

Além disso, terapias emergentes oferecem esperança para um gerenciamento mais eficaz da vista cansada relacionada às telas.

Medicamentos chamados agonistas do TRPM8 são promissores no alívio do desconforto do olho seco ao ativar receptores de resfriamento na superfície ocular.

Enquanto isso, há o desenvolvimento de biossensores vestíveis que podem ser usados ​​sob os olhos ou acoplados a lentes de contato para monitorar biomarcadores do fluido lacrimal em tempo real.

As lágrimas podem refletir a saúde da superfície ocular e, potencialmente, de todo o corpo. Então essa inovação tecnológica pode transformar o diagnóstico e o tratamento de doenças da superfície ocular no futuro.

Recursos insubstituíveis
Na era digital, é importante tomar medidas para proteger nossa visão. Ao reconhecer os sinais de fadiga visual, vale implementar estratégias de proteção e buscar atendimento profissional em tempo hábil. Assim, é possível reduzir os riscos associados ao nosso estilo de vida dependente de telas.

O desafio da fadiga visual relacionada ao mundo digital não é intransponível. Com conscientização, educação e compromisso, podemos continuar a colher os benefícios da tecnologia — sem comprometer a visão.

Ao olhar para o futuro, a integração de tecnologias mais amigáveis ​​aos olhos e designs ergonômicos dos dispositivos digitais podem oferecer camadas adicionais de proteção.

Enquanto isso, lembre-se de fazer pausas e piscar com frequência. E não hesite em procurar ajuda profissional se sentir sintomas persistentes.

Ao fazer isso, você está no caminho certo para garantir uma visão clara e confortável.

Fonte: epocanegocios

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Saúde

Prescrição de remédios por farmacêuticos gera debate sobre segurança do paciente

por Redação 31 de março de 2025

A nova resolução do Conselho Federal de Farmácia, que autoriza farmacêuticos a prescreverem medicamentos e solicitarem exames, tem gerado controvérsias.

Antônio José Gonçalves, presidente da Associação Paulista de Medicina, defende que a prescrição médica exige um conhecimento aprofundado e múltiplas etapas para garantir a segurança do paciente.

Ele reconhece a importância dos farmacêuticos na orientação sobre medicamentos, mas ressalta que sua atuação deve respeitar os limites da formação profissional.

Fonte: r7

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Saúde

HIV: os avanços da PrEP, o tratamento capaz de evitar a infecção (e como está a ideia de usar em grande escala no Brasil)

por Redação 28 de março de 2025

Os novos antivirais de ação de longo prazo contra HIV estão levando cientistas a repensarem as políticas públicas de prevenção contra a doença. Seria possível essas drogas, capazes de prevenir infecção por vários meses, assumirem o papel que idealmente deveria ser desempenhado por vacinas?

Essa questão vem ganhando relevância gradualmente desde que os medicamentos de profilaxia pré-exposição (PrEP) começaram a tomar espaço nas estratégias contra o vírus da Aids. Ela consiste basicamente em usar medicamentos para impedir uma infecção, não apenas tratá-la depois que ela ocorre.

A ideia de usar PrEP em grande escala, porém, ganhou seu maior impulso a partir do mês passado. Em 11 de março, cientistas divulgaram resultados um ensaio clínico inicial (de fase 1) mostrando que um desses medicamentos, o lenacapavir, é provavelmente capaz de barrar contágio pelo vírus por um ano inteiro após uma única dose.

A PrEP já está amplamente disseminada hoje na fórmula de pílulas diárias, em diversos países, direcionada principalmente a populações mais vulneráveis, e tem se mostrado eficaz, quando seguida à risca.

O Brasil é um dos lugares que tem ampliado o uso dessa estratégia, tendo mais do que dobrado o alcance da terapia nos últimos 3 anos. Segundo o Ministério da Saúde, o país atingiu em 2025 a marca 119 mil usuários de PrEP oral, tendo subido de apenas 50 mil em 2022.

O SUS oferece hoje uma formulação da terapia com a combinação dos medicamentos tenofovir e entricitabina, que devem ser tomados diariamente, ou “sob demanda”, quando o usuário acredita que vai se expor a risco de infecção. Uma outra forma de PrEP, a dapirivina, é administrada para mulheres na forma de anéis para aplicação na vagina, mas não foi aprovada no país.

Segundo especialistas, porém, apesar de serem em tese mais fáceis de administrar do que os novos medicamentos injetáveis, a necessidade de se tomar pílulas orais todo dia prejudica muito a adesão. Essa formulação exige de dedicação do usuário e o expõe um estigma, porque o uso de PrEP está associado, equivocadamente, à promiscuidade em certos grupos.

O que epidemiologistas se perguntam agora é: será que os antivirais de longa duração podem contornar esses tipos de problema?

Essas drogas não são, tecnicamente, vacinas, pois não são capazes de preparar o sistema imune para se defender do vírus. Contudo, se seu efeito prolongado conseguir mesmo atingir o período de um ano, eles podem ter um uso prático similar ao de vacinas em grandes campanhas.

Como as vacinas contra algumas outras doenças, como a gripe, precisam de dose anual de reforço, o uso mais amplo de PrEP começa a entrar no debate de saúde pública.

— Em mais de 40 anos de pesquisa sobre HIV, nós nunca tínhamos obtido um resultado tão eficaz para promover proteção na população como esse e, portanto, é o mais próximo que já chegamos do efeito que teria uma vacina — afirma o sanitarista Alexandre Granjeiro, professor da Universidade São Paulo e ex-diretor do Programa Nacional de Aids do Brasil. — É uma oportunidade ímpar, do ponto de vista do controle da incidência de HIV.

Granjeiro está coordenando hoje um estudo demonstrativo em uma população de 550 adolescentes gays sobre a eficácia de uma droga de PrEP injetável, o cabotegravir, que já está aprovada para uso no Brasil. Esse outro medicamento existe hoje na forma de aplicação a cada dois meses.

— Nós estamos chegando já quase a um ano do projeto, e até o momento nós não observamos nenhum caso de infecção. Ou seja, o resultado com o cabotegravir, injetável, é bem melhor e mais significativo do que o que nós tínhamos com a PrEP oral — diz o cientista.

Num estudo internacional encerrado no ano passado, o lenacapavir obteve 100% de eficácia numa população de mulheres na África, e autoridades já começaram a fazer as contas de quanto custaria adotar o medicamento em larga escala. A Gilead já está em conversas com a OMS e órgãos de alguns países.

— O lenacapavir administrado uma vez por ano, se aprovado, pode se tornar uma nova e importante opção de prevenção ao HIV, ajudando a lidar com os desafios de adesão e persistência à PrEP para indivíduos que precisam ou desejam a PrEP em todo o mundo — afirmou Jared Baeten — vice-presidente da Gilead, em mensagem nesta semana à Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI).

O preço de saída da dose do lenacapavir, produzido pela multinacional Gilead, de US$ 42 mil, é uma barreira ainda a adoção em larga escala do medicamento. O valor é impraticável para qualquer sistema de saúde pública do mundo, mas a empresa até negocia um acordo para liberação de produção como medicamento genérico em países de baixa renda. O Brasil, porém, classificado como de média renda, está fora da lista das 120 nações que devem ser contempladas.

A GSK, que detém a patente do cabotegravir, afirma que está em contato com o governo brasileiro negociando um possível acordo. Sem um contrato especial de acesso, o preço de saída da terapia com o medicamento é de US$ 22 mil ao ano.

No ano passado, na Conferência Internacional da Aids, em Munique, um grupo de ativistas que incluía a ONG Médicos Sem Fronteira invadiu o estande da Gilead exigindo um acordo de acesso mais abrangente. Gritos de ordem pedindo quebra de patentes, que não são tão comuns quanto eram na década de 1990, estavam no repertório da manifestação.

O próprio UNAIDS, o Programa das Nações Unidas para HIV/Aids, já afirmou que é preciso encontrar uma maneira de fazer a PrEP injetável se tornar acessível para populações vulneráveis em país de renda média e média/alta.

— Garantir o acesso global equitativo a novas tecnologias pode ajudar o mundo a se colocar no caminho para acabar com a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 — afirmou Winnie Byanyima, chefe do UNAIDS, em discurso no ano passado.

Com 43 mil novas infecções de HIV sendo registradas anualmente, o Brasil está longe de ter a epidemia sob controle, e pode se beneficiar dos medicamentos inovadores também. Não há estudo pronto de custo benefício da droga para o país ainda, mas já é possível ter uma noção, por alto, de quanto o remédio deveria (ou poderia) custar para o setor público.

Uma pesquisa de custo realizada para a África do Sul, um país com população e renda per capita na mesma ordem de grandeza do Brasil, mostra que para o governo oferecer o medicamento a até 4% da população (e prevenir até 18% das novas infecções), o preço por dose do lenacapavir não poderia ultrapassar US$ 106. No Quênia, o custo unitário teria que ser derrubado a US$ 16 para se tornar viável.

O cálculo para chegar a esses números leva em conta a economia que pode ser feita com a terapia antirretroviral não profilática (pós-infecção) que é preciso oferecer a quem se torna soropositivo para HIV. Por isso, o limite do custo-benefício é mais flexível em países com muita prevalência do vírus.

“Mostramos que o lenacapavir poderia reduzir substancialmente a incidência de HIV, e que o impacto orçamentário e o limiar de preços varia bastante de acordo com o lugar e a taxa de cobertura”, escreveu o epidemiologista Linxuan Wu, da Universidade de Washington, com seus coautores, no estudo na revista Lancet HIV.

Granjeiro, da USP, diz que, numa estimativa ainda superficial, uma campanha de PrEP injetável para controlar a epidemia no Brasil teria que abranger, idealmente, 60% da população considerada em maior risco de infecção. Esse número é mais ou menos igual ao de pessoas já infectadas pelo HIV que estão em terapia antirretroviral, e significaria dobrar o programa de Aids do país, com os custos associados.

Para distribuir medicamentos nessa escala, o governo provavelmente teria que fechar um acordo com a Gilead para produzir a droga dentro do país, o que tem se tornado padrão nesses tipos de contrato. O sanitarista, que critica a demora do Brasil em aderir a novas tecnologias de PrEP, diz que vale a pena começar a sentar para fazer as contas e abrir negociações.

— O que está em jogo, efetivamente, é ter ou não ter o HIV como problema de saúde pública. Isso tem uma significância muito grande — diz o sanitarista.

O GLOBO procurou a divisão brasileira da Gilead, mas a companhia não quis se manifestar ainda sobre negociações de ampliação do acesso. “A empresa tem previsto o envio de um comunicado oficial sobre o tema para meados de abril”, afirmou em mensagem.

O Ministério da Saúde diz que está atento às novas opções de PrEP, mas precisa aguardar a regulação das drogas antes de considerar seu uso.

“O lenacapavir injetável e os anéis vaginais de dapirivina ainda não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), requisito essencial para sua incorporação ao SUS”, afirmou em nota. “O Ministério da Saúde, por meio da Fiocruz, acompanha a realização do estudo ImPrEP CAB Brasil, que avalia o uso do cabotegravir injetável para profilaxia pré-exposição (PrEP).”

Fonte: OGLOBO

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Saúde

Homem com paralisia fica em pé sozinho novamente após implante com células-tronco

por Redação 25 de março de 2025

Homem que sofria de paralisia consegue agora ficar em pé sozinho, e já treina seus primeiros passos após a implantação de células-tronco. O paciente faz parte de um estudo de uma universidade em Tóquio, no Japão, que declarou o sucesso da terapia com transplante de células-tronco.

➡️ O estudo está sendo feito pela Universidade Keio, em Tóquio. Eles começaram a pesquisa em 2019, com o objetivo de implantar células-tronco reprogramadas. Elas são criadas revertendo células adultas para um estado semelhante ao embrionário e, a partir disso, podem ser induzidas a se desenvolver em outros tipos celulares.

Em 2022, os pesquisadores começaram a implantar as células em pacientes com lesões graves, que tinham sofrido dano permanente. Atualmente não há tratamento para esses casos, por isso a descoberta traz esperança há milhares de pacientes.

➡️ Ao longo do estudo, quatro pessoas receberam o implante. No processo, células de um doador foram usadas para criar células precursoras neurais, das quais dois milhões foram injetadas diretamente no local da lesão de cada paciente, com a expectativa de que se desenvolvessem em neurônios e células gliais — que formam o tecido nervoso juntamente com os neurônios

A primeira cirurgia do teste foi realizada em dezembro de 2021; as outras três foram conduzidas entre 2022 e 2023. Os detalhes sobre a identidade dos pacientes não foram informados, mas a universidade declarou que todos os quatro receptores eram homens adultos, sendo que dois tinham 60 anos ou mais.

O resultado que os pesquisadores encontraram foi:

Dois pacientes tiveram melhora no quadro da lesão. Um deles consegue ficar em pé sozinho e já treina seus primeiros passos. O segundo já consegue movimentar braços e pernas, algo que antes não era possível.
Os outros dois pacientes que receberam as células-tronco não apresentaram sinais de melhora.
➡️ Os médicos reforçam que, além dos resultados obtidos, ao longo de um ano de acompanhamento nenhum dos pacientes apresentou efeitos adversos. Ou seja, não há sinais de risco associados à terapia, ainda que em alguns casos ela não tenha demonstrado o resultado esperado.

Fonte: G1

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Saúde

‘Em SP é fácil ter recaída’, diz ex-usuário: desafios do tratamento e possíveis sinais da dependência química de metanfetamina

por Redação 21 de março de 2025

Os primeiros sinais da dependência química por metanfetamina podem ser perceptíveis por quem faz parte do convívio desta pessoa. Isso inclui a sensação de estar sendo seguido ou observado, o cansaço depois de passar noites em claro, a perda de peso devido à falta de apetite e as marcas de agulha nos braços.

Na rede pública, em São Paulo, o Instituto Perdizes do Hospital das Clínicas tem sido uma das referências no tratamento e na pesquisa sobre a prática do “chemsex” – o “sexo químico”, que é quando há uso de substâncias psicoativas durante as relações.

De acordo com Maria Amália Pedrosa, médica psiquiatra referência técnica do Ambulatório de Álcool e Drogas do Instituto Perdizes, os protocolos muitas vezes são voltados para as medicações, que são fundamentais para lidar com a abstinência e os transtornos causados pela droga, mas a abordagem deve ser multidisciplinar.

Isso inclui atendimento psiquiátrico individualizado, avaliando caso a caso; terapias individuais e em grupo; e acompanhamento de infectologistas, já que muitos usuários praticam a aplicação injetável da metanfetamina, chamada “slam”, a qual cria uma exposição a infecções sexualmente transmissíveis.

Mas, independentemente de estar ou não em atendimento ambulatorial, há casos em que é necessária a internação do usuário de metanfetamina, como por exemplo quando não há uma rede de apoio no entorno, como a família, e existe dificuldade para manter a abstinência.

Pacientes com sintomas psicóticos causados pela droga, como a sensação de perseguição, precisam ser acompanhados de perto. Quando estão com o juízo crítico prejudicado e com a percepção alterada da realidade, podem se expor a riscos mais graves, como lesões neles próprios ou em outras pessoas. Nesse caso, devem ser socorridos por serviços de emergência como o Samu e encaminhados pra hospitais.

Desafios do tratamento da dependência por metanfetamina
O perfil de quem procura tratamento no Instituto Perdizes é composto em sua maioria por homens que fazem sexo com homens.

Relatos ouvidos pelo g1 apontam que uma das principais formas de disseminação do chemsex tem sido através de encontros marcados por aplicativos LGBTQIAP+.

Há anos este é um problema de saúde pública nos Estados Unidos e na Europa, e a partir da pandemia começou a crescer também em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

O fato de a metanfetamina estar atrelada à prática sexual é um desafio no tratamento.

Segundo o infectologista Rico Vasconcelos, as pessoas começam a consumir de forma eventual, mas logo aumentam a frequência e a intensidade, ampliando a exposição aos riscos.

E a coisa rapidamente escala porque a metanfetamina é uma substância que causa bastante vício. “A pessoa começa a não achar mais sentido não só no sexo, mas também na vida, se não estiver usando a substância.”

Efeitos da metanfetamina podem ser irreversíveis
Produzida sinteticamente em laboratórios clandestinos, a metanfetamina está entre as drogas mais perigosas do mundo devido ao alto poder de adicção. Isso ocorre porque há uma superprodução de dopamina, que é responsável pela sensação de prazer no cérebro.

Entretanto, os danos dessa “euforia” repentina e artificial podem ser irreversíveis.

O consumo da droga pode levar à depressão, ansiedade e comprometimento cognitivo. Quando o uso é constante, pode haver danos graves à saúde, como problemas renais, insuficiência no fígado e até infarto.

Além disso, existe o agravante das alucinações e das crises persecutórias, sintomas típicos da esquizofrenia – condição que pode ser pré-existente (e se acentuar) ou surgir a partir do uso de entorpecentes. O excesso artificial de dopamina no cérebro provoca a distorção da realidade.

Há ainda outro problema igualmente preocupante: no chemsex, o uso da camisinha é desestimulado, o que só eleva a chance de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Rico Vasconcelos ressalta que a falta de conhecimento e de preparo para lidar com seringas faz as pessoas injetarem a droga de forma incorreta, nelas mesmas e nos outros. E levanta ainda outro problema: o compartilhamento de agulhas.

“Quem está sob efeito de substâncias não percebe o que acontece no entorno: se aquela seringa já foi usada ou não, se ela é estéril ou não, se aquela embalagem de onde ela foi tirada estava lacrada ou não”, alerta o infectologista.

Facilidade de acesso à droga dificulta tratamento
P. faz tratamento da dependência química de metanfetamina e por isso terá sua identidade preservada. Nascido no interior paulista, mudou-se para a capital durante a pandemia, em 2020. Ele diz que em diversas ocasiões já havia recusado o uso de entorpecentes, como cocaína.

A partir da primeira experiência, P. começou a aceitar outros convites para encontros com a prática do chemsex. Segundo o relato, a situação fugiu de controle quando ele começou a fazer “slam”, que é a aplicação injetável da droga.

”Com o slam eu comecei a ter muitas paranoias, achando que os caras estavam me filmando ou que tinham hackeado meu celular. A partir disso decidi aprender a injetar crystal em mim mesmo, para usar sozinho em casa”, conta ele, que não teve nenhuma orientação e por isso tem marcas e cicatrizes no braço por erros na aplicação.

Após quase dois anos de uso de metanfetamina, cujas doses aumentavam cada dia mais, P. decidiu buscar ajuda médica e reconheceu a necessidade de tratamento com psiquiatra e psicoterapeuta.

A morte de dois conhecidos por overdose foi determinante para a decisão de P. Além disso, ele também estava sob o risco de ser demitido devido às faltas injustificadas.

“Comecei a tomar medicação e no início passei vários dias dormindo. O sono era interminável, o desgaste que eu sentia parecia não ter fim. Mas logo nos primeiros dias de abstinência parei de ouvir vozes e de achar que havia um complô contra mim”, afirma.

Para P., a abstinência de metanfetamina veio junto com a abstinência sexual, já que este poderia ser um gatilho. Após quase dois meses sem encontros, ele reinstalou um aplicativo para marcar algo casual.

Frustrado com a experiência do sexo sem uso da substância, teve uma recaída logo após o encontro. Todos os prejuízos, como as alucinações e as noites sem dormir, voltaram à tona.

“Naquele momento eu não tinha mais contato de ninguém. Mas eu morava no Centro de São Paulo e lá existem vários perfis com emojis oferecendo tina. Eu acabei comprando de um garoto de programa desconhecido e a partir disso passei mais de três meses fazendo slam diariamente”, conta o usuário.

P. só conseguiu parar ao sair do emprego e voltar para a casa dos pais, no interior paulista, onde a metanfetamina não é comercializada: “Precisei me mudar porque em São Paulo é fácil ter recaída”.

Grupos de apoio on-line ajudam dependentes de metanfetamina
Uma forma de tratamento que tem sido bastante buscada é uma rede de apoio similar à dos Narcóticos Anônimos, mas voltada para a metanfetamina e as suas particularidades: o “Crystal Meth Anonymous” (CMA). A iniciativa começou no exterior e a adesão tem crescido no Brasil, em reuniões on-line.

“Fiquei sabendo do grupo de brasileiros há mais ou menos um ano. No início, ele tinha duas, três pessoas e, agora, está crescendo. É muito bom porque é um lugar de acolhimento”, afirma o ator e professor Fábio T., um dos brasileiros do grupo.

Ele teve contato com a metanfetamina nos anos 2000, morando nos Estados Unidos, e atualmente comemora estar há mais de 19 anos limpo.

“Quem procura o CMA é quem já tentou de tudo e nada deu certo. O que nos une é a natureza da nossa derrota, do nosso fracasso. Há uma identificação. Os relatos são de vivências parecidas”, diz.

O programa segue a filosofia dos “12 passos”, que surgiu com os Alcoólicos Anônimos.

Fonte: G1

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Saúde

Conselho permite que farmacêuticos prescrevam medicamentos; entidades médicas apontam ilegalidade

por Redação 20 de março de 2025

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicou uma resolução que autoriza farmacêuticos a prescrever medicamentos, incluindo aqueles que exigem receita médica. A nova norma foi divulgada no Diário Oficial de segunda-feira (17).

A medida gerou reação de associações médicas, que questionam a capacitação dos farmacêuticos para a função. Elas afirmam que o tema será alvo de processos judiciais. Os médicos alegam que a formação do farmacêutico não tem as disciplinas que existem no curso de medicina, como o exame clínico e a interpretação dos exames.

Entre outros pontos, a resolução número 5 do CFF de 20/02/2025 permite que o farmacêutico:

prescreva medicamentos (incluindo os de venda sob prescrição)
renove “prescrições previamente emitidas por outros profissionais de saúde legalmente habilitados”
A nova resolução do CFF foi publicada poucos meses após uma decisão da 17ª Vara Federal Civil da Justiça no Distrito Federal contra outra resolução do CFF sobre o mesmo tema. A Justiça do DF declarou ilegal a resolução 586/2013 que permitia que farmacêuticos receitassem medicamentos e outros produtos que não exigiam prescrição médica.

O g1 buscou posicionamento do Conselho Federal de Farmácia (CFF) sobre as críticas de entidades médicas, mas não obteve retorno até a mais recente atualização desta reportagem.

Reação das entidades médicas
O conselheiro do Conselho Federal de Medicina Francisco Eduardo Cardoso afirmou ao g1 que a resolução é “absolutamente ilegal”.

“Deveriam ter vergonha de publicar uma resolução como essa. Eles vão ter que responder na Justiça por editarem uma resolução ilegal e que coloca em risco a saúde da população”, diz Cardoso.

Na visão do representante dos médicos, o CFF não pode legislar sobre prescrição, diagnósticos e consulta médica.

“O farmacêutico não tem competência legal e técnica para isso. É um ato de prevaricação. Eles já tentaram isso no passado e a Justiça negou. E isso será levado novamente à Justiça. O argumento de que eles entendem de remédios é insuficiente. São competências complementares”, afirma Cardoso.

A Associação Paulista de Medicina (APM) fala em “silenciosa invasão de profissionais não habilitados no ato médico” e manifesta preocupação com medida do CFF.

Em nota, a APM afirma que a prescrição de medicamentos é fundamental para a segurança e eficácia dos tratamentos, pois envolve a orientação detalhada de um médico sobre quais medicamentos um paciente deve tomar, em que dose, com que frequência e por quanto tempo.

A APM destaca que o médico cursa a faculdade por seis anos e depois ainda faz de três a seis anos de residência para se formar e poder estabelecer o diagnóstico e a terapêutica com segurança.

“Esta segurança vem com a história clínica inicial seguida de um minucioso exame físico. Mesmo assim, muitas vezes é necessário a solicitação de exames complementares para que a prescrição possa ser feita após um diagnóstico adequado. O farmacêutico não tem esta formação e, portanto, não tem a competência exigida para prescrever qualquer medicamento. Pode sim e deve indicar substituto para determinada droga, alertar sobre eventuais efeitos colaterais e interações medicamentosas”, informa nota a associação, em nota.

“A prescrição médica é o final da consulta médica. Portanto, há necessidade de você fazer uma história clínica do paciente. Há necessidade de você fazer um exame físico completo. E muitas vezes, mesmo com isto tudo, você chega em suposições. Você não chega no diagnóstico. Você precisa de exames complementares para chegar no diagnóstico. E a partir do diagnóstico que você vai fazer a prescrição. Eu acho que todos os profissionais de saúde são importantes, mas cada um tem que estar dentro da sua área de atuação”, afirma o presidente da APM, Antônio José Gonçalves.

O que diz a resolução do Conselho Federal de Farmácia
O artigo 3° da resolução número 5 do CFF de 20/02/2025 informa: Para estabelecer o perfil farmacoterapêutico do paciente, o farmacêutico está autorizado a:

prescrever medicamentos, incluindo os de venda sob prescrição;
renovar prescrições previamente emitidas por outros profissionais de saúde legalmente habilitados;
prescrever medicamentos em atendimento à pessoa sob risco de morte iminente.
Os medicamentos categorizados sob prescrição somente poderão ser prescritos pelo farmacêutico que possua Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Farmácia Clínica.
O artigo 4º da resolução informa ainda que “no âmbito da atividade clínica do farmacêutico” a análise da situação do paciente vai permitir que o profissional:

Colete dados por meio da anamnese farmacêutica
Faça exame físico com a verificação dos sinais e sintomas
Realize, solicite e interprete exames para avaliação da efetividade do tratamento

Fonte: G1

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Saúde

Mais de 40 alunos vão parar no hospital após usarem agulha compartilhada em aula no ES

por Redação 18 de março de 2025

Quarenta e três alunos de uma escola estadual de Laranja da Terra, na Região Serrana do Espírito Santo, precisaram receber atendimento médico após uma atividade prática em sala de aula, em que uma mesma agulha foi utilizada em todos os estudantes para coleta de sangue. O caso aconteceu na última sexta-feira (14).

Os alunos pertencem a turmas de 2ª e 3ª séries do Ensino Médio e têm idades entre 16 e 17 anos. O professor de Química responsável pela aula foi demitido e o caso foi encaminhado para a corregedoria da Secretaria de Estado da Educação (Sedu).

O nome da escola não será divulgado para preservar a identidade dos alunos.

Segundo relatos dos pais, os estudantes contaram que estavam participando de uma aula de Práticas Experimentais em Ciências, quando foi realizada uma atividade para demonstrar como descobrir o tipo sanguíneo de cada um.

Depois disso, os adolescentes relataram passaram a ser discriminados na escola pela possibilidade de terem sido infectados.

Diante disso, os estudantes levaram o caso aos pais que, por sua vez, ficaram apreensivos com possíveis consequências para a saúde dos filhos e procuram a escola e a polícia.

A Secretaria Municipal de Saúde de Laranja da Terra foi acionada e, diante da demanda, o médico plantonista do hospital e a Vigilância Epidemiológica do município para iniciar o protocolo de testagem.

Os alunos e o professor passaram por testes de diagnóstico para doenças infecciosas. Até a publicação desta reportagem, todos os resultados deram negativo.

Nesta segunda-feira (17), foi realizada uma reunião com pais e estudantes da escola, com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Saúde, para maiores esclarecimentos sobre o caso.

A Sedu informou que, por protocolo, os alunos serão acompanhados pela secretaria e que vão repetir os testes em 30 dias.

O que dizem as autoridades
A Sedu disse que os alunos estão bem, frequentando as aulas normalmente e que o professor foi demitido e o caso encaminhado para a corregedoria.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que assim que foi acionada, fez contato com a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, que orientou sobre os protocolos e medidas a serem adotadas na ocasião.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que todos os atendidos estavam em boas condições de saúde, sem apresentar sintomas incomuns ou agravantes e que segue acompanhando o caso de perto prestando apoio aos alunos e familiares.

Já a Polícia Civil informou que o caso seguirá sob investigação da Delegacia de Polícia de Laranja da Terra. Detalhes da investigação não serão divulgados, no momento.

Fonte: G1

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SUS

Entre a fila do SUS e a vida: ferramenta exclusiva revela que espera para consultas pode levar dois anos; veja como pesquisar

por Redação 17 de março de 2025

Um ferramenta exclusiva desenvolvida pelo GLOBO com base em dados do Ministério da Saúde revela que o tempo na fila no Sistema Único de Saúde (SUS) bateu recorde em 2024 — a espera para ser atendido por um médico pode levar até dois anos enquanto a de uma cirurgia chega 634 dias.

O buscador inédito mostra que o tempo médio da fila do SUS, considerando consultas de todas as especialidades, alcançou um patamar histórico em 2024, com uma média de 57 dias de espera. No caso das cirurgias, o prazo médio foi de 52 dias, mas há casos que superaram esse período.

Uma consulta com um especialista em genética no SUS em Mato Grosso, por exemplo, levou, em média, dois anos em 2024. Já o tempo de espera para uma cirurgia reparadora em Rondônia foi de um ano e nove meses.

Esses dados não são divulgados nem atualizados com frequência pelo Ministério da Saúde. Ao todo, 13 das 27 secretarias estaduais não preenchem ou preenchem de forma parcial informações sobre os pacientes que estão nas filas de atendimento. Além disso, 10 capitais, incluindo São Paulo e Belo Horizonte, têm sistemas próprios, que não estão integrados ao federal. Essa radiografia só foi possível ser feita pela reportagem do GLOBO por meio da Lei de Acesso a Informações (LAI).

O Ministério da Saúde, que tem como prioridade a redução no tempo de espera de consultas, exames e cirurgias no SUS, admite a falta de controle e tem buscado organizar e padronizar as informações. Após questionamento da reportagem, a pasta publicou uma portaria em 10 de março que prevê a criação de um novo sistema, o E-SUS Regulação, para substituir o atual.

A portaria também torna obrigatório o envio de informações sobre fila de espera ao ministério de maneira periódica. Pela norma, todas as solicitações deverão ser enviadas para a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma utilizada pela pasta que permite a integração de dados de saúde. Secretarias estaduais e municipais poderão optar por enviar essas informações via E-SUS.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que tem adotado iniciativas que já ajudaram a reduzir filas e, no ano passado, “registrou recorde histórico” de cirurgias eletivas. “Foram mais de 14 milhões de procedimentos realizados, um crescimento de 37% em relação a 2022”, diz a nota.

A pasta também informou que a decisão de se criar o novo sistema ocorreu “diante das falhas apresentadas pelo Sisreg”. “O envio de dados periodicamente por parte dos gestores locais será obrigatório, independente do sistema utilizado pelos estados e municípios. Em até 30 dias, o plano operacional será definido conjuntamente pelos três entes”, diz.

Impacto real
“Se tivesse feito a cirurgia no tempo certo, não teria sido mutilada”, lamenta a cabeleireira Lígia Miranda, de 54 anos, que precisou retirar uma das mamas após ter um tumor diagnosticado em junho de 2022. Foram dois anos e dois meses — e uma sucessão de filas — no Sistema Único de Saúde (SUS) até que ela conseguisse realizar o procedimento, em um hospital de Brasília. A longa espera pelo tratamento na capital do país reflete um dos principais gargalos na rede pública.

A fila para a cirurgia, porém, é apenas uma das que Lígia tem enfrentado no seu tratamento contra o câncer de mama no SUS. Ela precisou voltar para a espera após a retirada do tumor para receber os medicamentos que destroem as células doentes. Desde dezembro, aguarda para iniciar a radioterapia.

— Fiquei muito tempo na fila esperando. Depois que eu fiz a cirurgia, eu precisaria fazer a quimioterapia em até três meses para matar o câncer de vez, mas eu fui chamada só sete meses depois. Aí o médico disse que, como havia passado muito tempo, seria melhor fazer radioterapia — disse Lígia.

A aposentada Vera Lúcia Gentil, de 61 anos, moradora do Riacho Fundo, na região administrativa de Brasília, também vive um drama na fila do SUS. Ela descobriu um tumor no cérebro em abril do ano passado após uma enfermeira levantar a suspeita durante uma consulta de rotina em uma unidade de saúde da família. A indicação era que ela realizasse uma tomografia, exame que no ano passado o tempo médio de espera foi de 34 dias. Aflita, a aposentada decidiu não aguardar e pagou do próprio bolso em um laboratório particular.

Com os resultados em mãos, Vera buscou o SUS novamente para se consultar com um neurologista, que por sua vez encaminhou o caso para um neurocirurgião. Foram sete meses neste processo até que ela fosse finalmente atendida e, só então, entrasse em outra fila, desta vez para a retirada do tumor, em novembro.

— Falaram que tinha caso mais grave que o meu, que tinha pacientes na fila que já estavam cegos. A sensação é péssima. A gente fica angustiada, porque primeiro foi o susto descobrir o tumor. Tem uma coisa dentro da minha cabeça e eu sinto dores diárias. Não durmo bem, não como bem, não vivo bem. A sensação que a gente tem é que não estão nem aí para a gente. É angustiante — contou Vera.

Os dados mostram que, em casos de cirurgia oncológica, o tempo médio de espera de um paciente pode chegar a 188 dias, ou seja, mais de seis meses. O prazo descumpre o estabelecido em uma lei federal aprovada em 2012, que dá 60 dias para que pacientes diagnosticados com câncer tenham o tratamento iniciado. A legislação prevê penalidades administrativas a gestores responsáveis pela demora.

Fonte: FANTÁSTICO

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