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Saúde

BrasilSaúde

‘Chegou lá gritando de dor, até que morreu com o pescoço tombado’, diz pai de paciente que morreu em sala de espera de UPA no Rio

por Redação 16 de dezembro de 2024

“Ele chegou lá gritando de dor, pedindo atendimento e ninguém atendeu. Foi ficando lá sentado. Até que ele morreu com o pescoço tombado”. Foi dessa forma que o pai de José Augusto Mota Silva descreveu, ainda no velório, a morte do filho na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

O corpo do homem, que tinha 32 anos, foi enterrado neste domingo (15), em Mogi Guaçu (SP) – cidade em que ele nasceu e a família mora. Vídeos gravados por testemunhas na sexta-feira (13) mostram José Augusto Mota Silva já sem vida sentado na recepção.

O enterro foi no Cemitério Jardim Santo Antônio. Os familiares estão revoltados com a morte e pela falta de atendimento médico.

“Ele não merecia morrer daquele jeito, sentado. Ninguém merece morrer que nem bicho, daquela forma. É desumano uma pessoa ficar sentada ali sem atendimento, sem acolhimento”, declarou emocionada a irmã Meiriane Mota Silva.

José Augusto era artesão durante o dia e trabalhava como garçom à noite. É o quinto filho de José Adão e estava no Rio de Janeiro há 12 anos. Para trazer o corpo à cidade Natal, os parentes precisaram fazer uma vaquinha pela internet.

Paciente chegou com dor, mas não foi atendido
Pacientes relataram que José Augusto deu entrada na unidade se queixando de fortes dores e passou pela triagem, mas morreu sentado, sem ser atendido. Nas imagens é possível ver que uma pessoa se aproxima dele, que não reage. Em seguida, é colocado na maca.

Funcionários serão demitidos

Os funcionários não teriam percebido a gravidade do caso. Por meio das redes sociais, o secretário de Saúde do município, Daniel Soranz, disse que todos os funcionários que estavam de plantão no momento da ocorrência serão demitidos.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que tudo aconteceu “muito rápido”. Disse que o paciente estava lúcido e entrou andando na unidade. No entanto, quando foi atendido o homem estava desacordado. Uma sindicância deve apurar o caso.

“Ele foi levado à Sala Vermelha para atendimento, mas infelizmente não resistiu e foi constatada a parada cardiorrespiratória. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal para apurar a causa do óbito”, completa a nota.

“Todos os profissionais que estavam no plantão da UPA da Cidade de Deus, na noite de ontem, serão demitidos, responderão sindicância e serão denunciados nos seus respectivos conselhos de classe. É inadmissível não perceberem a gravidade do caso”, afirmou.

Fonte: G1

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Saúde

‘Bebia para não pensar em merda’: Adriano narra depressão após morte do pai

por Redação 9 de dezembro de 2024

Adriano Imperador, 42, ídolo do Flamengo e da Inter de Milão, abriu o coração em sua biografia “Adriano, Meu Medo Maior” (Planeta), publicada no último mês. Escrita pelo jornalista Ulisses Neto, a obra resume em pouco mais de 500 páginas a trajetória do jogador — da Rua 9 na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, passando pelos anos na Itália, o retorno ao Brasil e sua despedida nos gramados pelo Miami United.

Na publicação, Didico toca em temas sensíveis, como a morte do pai em 2004, no auge do seu momento no futebol, que desencadeou o diagnóstico de depressão. Quem vê Adriano sempre sorrindo, fazendo piadas e repetindo bordões — ‘morde as costas’; ‘nem cavalo aguenta’; ‘habib és’— não imagina o vale sombrio que ele atravessou.

Seu desempenho em campo já não era mais o mesmo e seus momentos de “danone” (como ele se refere ao álcool) eram cada vez mais frequentes. “Me afundei mesmo, ‘xará’. Na época eu não sabia, mas eu tinha entrado em depressão”, afirma Adriano, no livro.

Eu não tinha ânimo para acordar cedo e ir treinar com vontade, cara, que dirá fazer as outras coisas que você precisa fazer fora do clube: comer direito, dormir bem, descansar e, principalmente, pegar leve na cachaça. Minha única preocupação era beber e ir pra balada. Essa rotina não me deixava feliz, ao contrário do que muita gente imagina. As pessoas confundem as coisas até hoje. Acham que a gente é bagunceiro porque é pilantra mesmo, cabeça de bagre, sem vergonha. Não, cara. Beber era a única forma que eu encontrava para não ficar pensando merda em casa.

‘Não gosto nem de lembrar’
Durante toda a leitura, a impressão é de se estar sentado, conversando com ele em um quiosque na Barra da Tijuca ou em sua casa em Búzios — dois ambientes muito presentes no livro e que fazem parte de sua rotina hoje.

Com um papo tão direto e sem tabus, não tem como não sentir empatia: o Imperador aguentou muito e ainda foi simpático. Quando foi deixado fora do time que disputaria a Champions League, Adriano se fechou ainda mais.

“Meu poço não tinha fundo, negão. (…) Eu me afundei numa depressão braba, cara. Foi feio mesmo. Minha família percebeu e ficou perto de mim.” Dona Rosilda e dona Vanda, sua mãe e sua avó, tiveram — e ainda têm, ele deixa claro— papel importante no sucesso e recuperação do jogador.

Minha depressão tinha chegado a um nível que eu não gosto nem de lembrar. Nada mais funcionava. (…) Para não beber e não ir para a balada, eu tinha que estar com a cabeça no lugar. E sem jogar nem fazer gol era impossível. Tá entendendo o tamanho da cagada? Uma coisa estava ligada a outra.

‘Rehab’ no SPFC

‘Rehab’ no SPFC
Foi quando Massimo Moratti, na época presidente da Internazionale, o chamou para conversar e sugeriu que ele fosse internado em uma clínica de reabilitação na Suíça. “Olhei para a porta, assustado. Achei que entrariam uns enfermeiros com camisa de força a qualquer momento. Que merda era aquela, mano? Eu não aceitaria de jeito nenhum. Queria sair da sala imediatamente”, lembra ele.

A solução proposta por Gilmar Rinaldi, procurador de Adriano na época, foi de o jogador ir para o São Paulo e se tratar no Reffis (Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica) do time do Morumbi. A ideia foi vendida para o Imperador como “uma clínica dentro do CT” e ele topou.

Depois, Adriano ainda ficou no SPFC para jogar a Libertadores.

Depressão e futebol
Em abril, VivaBem publicou uma matéria mostrando as principais demandas dos jogadores da Série A do Campeonato Brasileiro e da seleção brasileira quando o assunto é saúde mental. Após a Copa do Mundo de 2022, o atacante Richarlison se disse “no fundo do poço” e buscou ajuda.

Até pouco tempo atrás, a seleção brasileira não tinha psicólogos em sua comissão técnica. O treinador na última Copa, Tite, chegou a dizer que sua comissão conseguia lidar com as questões de saúde mental do grupo sem um profissional da área.

Fonte: UOL

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Saúde

O que acontece quando se para de tomar Ozempic, segundo estudos

por Redação 22 de novembro de 2024

A diretora do Centro Washington de Pesquisa e Controle do Peso, Domenica Rubino, diz que tem se sentido frustrada nos últimos três anos com o aumento da percepção de que os medicamentos que promovem a perda de peso – como o Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e o Mounjaro, da Eli Lilly – seriam curas permanentes da obesidade.

Nos últimos três anos, a chegada de uma nova classe de medicamentos conhecidos como agonistas de GLP-1 – capazes de imitar a ação do hormônio intestinal GLP-1 natural, que promove a saciedade – transformou o setor de perda de peso.

Inicialmente, a Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) aprovou o Wegovy (o nome comercial do remédio baseado em GLP-1 chamado semaglutida) para gestão crônica do peso, em junho de 2021. No Brasil, o medicamento foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em janeiro de 2023 para tratamento de obesidade e diabetes.

A demanda insaciável por este tipo de medicamento fez com que o Mounjaro, ou tirzepatida, chegasse ao mercado no final de 2023. E, agora, uma substância mais nova e supostamente mais eficaz, chamada retatrutida, está em fase de preparação.

Um estudo clínico fundamental sobre semaglutida, publicado em 2021, concluiu que os participantes experimentaram, em média, 15% de perda de peso ao longo de 68 semanas. Já os pacientes que receberam placebo perderam apenas 2%.

Mas algumas pessoas que tomaram a medicação chegaram a perder até 20% do seu peso inicial. E os supostos benefícios à saúde, agora, parecem ser ainda mais abrangentes.

Os últimos dados de um estudo chamado Select, publicado em 2023, demonstram que a semaglutida pode reduzir o risco de ataques cardíacos e AVCs em 20%, em pacientes com histórico anterior de doenças cardiovasculares.

Mas, considerando seus altos preços – um mês de Wegovy custa US$ 1.350 (cerca de R$ 7,3 mil) – e os sérios efeitos colaterais, que podem incluir náuseas, azia e dores de estômago, a questão sempre foi: o que acontece quando as pessoas param de tomar as medicações?

Diversos estudos tentaram examinar esta questão específica e todos parecem indicar a mesma resposta: os quilos perdidos retornam rapidamente.

Em um estudo, cerca de 800 pessoas receberam injeções semanais de semaglutida, acompanhadas por ajustes da alimentação, um regime de exercícios prescrito e aconselhamento psicológico. Todos estes fatores, em conjunto, ajudaram os participantes a perder cerca de 11% do seu peso inicial ao longo de quatro meses.

Mas, quando um terço dos participantes passou a receber injeção de placebo por mais um ano, eles ganharam novamente 7% do peso perdido.

A mesma tendência foi observada após o teste de 2021, conhecido como Etapa 1.

Após 68 semanas de injeções de semaglutida, o paciente médio perdeu mais de 15% do seu peso do corpo. Mas, em 12 meses após o final do tratamento, os pacientes recuperaram, em média, dois terços do peso que haviam perdido anteriormente.

Este resultado foi associado a um nível similar de reversão para os níveis originais dos pacientes, em alguns dos seus indicadores de saúde cardiometabólica – uma categoria que inclui condições como diabetes e ataques cardíacos.

Rubino e outros especialistas em várias partes do mundo observaram padrões semelhantes ao administrar medicamentos similares ao GLP-1 nas suas clínicas.

A trajetória de recuperação do peso, normalmente, é mais rápida do que a perda de peso inicial, segundo Miras. “As pessoas recuperam a maior parte nos primeiros três a seis meses”, explica ele.

Miras e outros pesquisadores fazem questão de enfatizar que isso deveria ter sido esperado. Afinal, para todas as doenças crônicas, da artrite reumatoide à asma e pressão alta, os pacientes normalmente recaem assim que suspendem seu tratamento.

Mas compreender por que isso acontece com semaglutida, tirzepatida e outros medicamentos análogos ao GLP-1 poderá ser fundamental para conhecer suas consequências de longo prazo e saber como melhor receitar esses medicamentos no futuro.

O problema da recuperação de peso
A principal teoria sobre o motivo que leva a maior parte dos pacientes a recuperar seu peso com tanta rapidez quando param de tomar a medicação defende que as regiões do cérebro relativas ao apetite ainda estão desreguladas, o que leva as pessoas a consumir alimentos em excesso.

Os medicamentos análogos ao GLP-1 simplesmente mascaram essa desregulagem e, quando seu efeito é removido, os desejos das pessoas por alimentos retornam rapidamente.

“As pessoas nem sempre gostam disso”, conta Rubino.

Esta pode não ser a única explicação. O professor de medicina metabólica Martin Whyte, da Universidade de Surrey, no Reino Unido, explica uma possível teoria sobre a tendência das pessoas de recuperar o peso depois de suspender as medicações.

Segundo ele, as doses de GLP-1 fornecidas por semaglutida e tirzepatida são muito mais altas do que o corpo espera receber naturalmente. E estas doses podem suprimir a capacidade do corpo de secretar GLP-1 por si próprio.

O resultado é que a fome das pessoas pode retornar, com intensidade até maior, quando elas interrompem suas doses, explica o professor.

As possíveis consequências fisiológicas dessa recuperação de peso são atualmente as maiores preocupações de saúde para os médicos especializados neste campo.

Em um estudo, os participantes que passaram a receber injeções de placebo não só começaram a reacumular gordura do corpo, mas a sua cintura também começou a retomar o seu tamanho original. E o excesso de gordura nesta região também está relacionado a inúmeros problemas, que variam de doenças cardíacas até a resistência à insulina e a doença do fígado gorduroso (esteatose hepática).

Miras afirma que muitas pessoas que recuperam seu peso após o término da medicação ou dieta sofrem alterações da sua composição corporal, que podem ser até piores para sua saúde a longo prazo do que se tivessem simplesmente mantido seu peso inicial.

“Isso não é bom do ponto de vista metabólico, pois ter mais músculos é bom para reduzir o risco de diabetes e doenças cardíacas.”

Mas ainda não existe nenhuma evidência direta de que a composição corporal de uma pessoa seria pior depois de suspender as medicações para perda de peso do que antes de iniciá-las.

Compreendendo a obesidade
Embora estas sejam as tendências gerais, a reação às medicações análogas ao GLP-1 pode variar muito de um indivíduo para outro.

Para começar, nem todos se beneficiam das medicações. O estudo clínico de semaglutida realizado em 2021 concluiu que quase 14% dos participantes perderam menos de 5% do peso do corpo, mesmo depois de tomarem a medicação por mais de um ano.

Embora os estudos indiquem que a perda de peso atingida com a administração de semaglutida possa ser mantida enquanto a medicação continua sendo tomada, também sabemos que algumas pessoas começam a recuperar parte do peso, mesmo antes de parar.

Alex Miras indica dados de pessoas que tomaram uma formulação anterior de GLP-1, conhecida como Saxenda, ou liraglutida.

Domenica Rubino afirma que algumas pessoas podem recuperar peso depois de abandonar a semaglutida, mas ainda manter parte dos benefícios à saúde metabólica atingidos enquanto tomavam a medicação, como o melhor controle do açúcar no sangue.

Muitas vezes, este melhor controle do açúcar no sangue persistirá por algum tempo (até três anos, segundo um estudo), o que pode ser causado por muitas razões, segundo Rubino.

“Aquela pessoa pode conseguir ser mais ativa depois de perder peso”, explica ela. “Talvez ela esteja dormindo melhor e sofrendo menos eventos de apneia do sono [que foi relacionada como fator de risco para diabetes tipo 2]. Todos estes fatores podem afetar dinamicamente as complicações metabólicas de uma pessoa.”

Parte destas variações pode também se dever à existência de diferentes subtipos de obesidade. Até relativamente pouco tempo, os cientistas consideravam a obesidade uma única doença, mas, agora, especialistas de todo o mundo começaram a perceber que a realidade é muito mais complexa.

E pode também haver outros efeitos benéficos duradouros. Um estudo acompanhou mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP) e obesidade, tratadas com injeções de semaglutida por 16 semanas, além do medicamento contra diabetes metformina.

Ao longo do tratamento, as participantes do estudo perderam peso, seus parâmetros cardiometabólicos melhoraram e seus níveis de testosterona livre – que costumam ser elevados em mulheres com SOP – foram reduzidos.

Dois anos depois, elas pararam de tomar semaglutida e seu peso e níveis de testosterona livre permaneceram significativamente mais baixos. Mas os indicadores cardiometabólicos das participantes haviam retornado aos níveis iniciais do estudo.

A popularidade das medicações análogas ao GLP-1 apresentou uma oportunidade única. Dados publicados pela Novo Nordisk no início deste ano indicam que 25 mil americanos estão se inscrevendo para tomar Wegovy toda semana.

Com esse grande volume de amostra, os cientistas podem conseguir aprender mais sobre os diferentes tipos de obesidade, observando como as pessoas reagem às medicações, durante e depois do tratamento.

A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, forneceu à BBC a seguinte declaração:

“Não há evidências que indiquem que os pacientes irão recuperar totalmente todo o peso depois de suspenderem a medicação. A Novo Nordisk relatou os resultados do teste de extensão ETAPA 1 sobre o impacto do abandono do tratamento, que concluiu que, um ano depois de suspender a aplicação subcutânea de 2,4 mg de semaglutida uma vez por semana e das intervenções no estilo de vida, os participantes recuperaram dois terços do seu peso perdido anteriormente. Estas conclusões também confirmam a natureza crônica da obesidade e indicam que é necessário tratamento contínuo para manter a melhoria da saúde e do peso.”

Um novo consórcio europeu, conhecido como Estratificação de Fenótipos Obesos para Otimizar a Terapia Futura contra a Obesidade (Sophia, na sigla em inglês), tenta agora pesquisar este ponto com mais detalhes. O consórcio é liderado por cientistas da University College de Dublin, na Irlanda.

“Queremos tentar obter indicadores diferentes, seja por meio de exames de sangue ou de testes psicológicos, que possam nos ajudar a entender como um paciente poderá se sair com cada uma dessas medicações”, explica Miras.

“No momento, administro a eles uma medicação por três meses e, se eles perderem peso, isso quer dizer que tive sorte. Estamos atirando totalmente no escuro.”

Miras prevê um futuro no qual estas informações serão utilizadas para identificar o medicamento de perda de peso mais apropriado para um paciente específico, a probabilidade de que eles se tornem resistentes ao longo do tempo e diferentes combinações de medicamentos que podem ser utilizadas para manter o peso do paciente sob controle.

Rubino conta que estão sendo planejados estudos clínicos para determinar se doses mais altas de medicamentos de GLP-1 podem ser utilizadas na fase aguda para ajudar os pacientes a perder peso, seguidas por doses mais baixas de “manutenção”, que trazem menos efeitos colaterais e podem ser prescritas para prazo mais longo.

Foram também levantadas preocupações sobre o enorme custo das medicações contra a obesidade para o sistema de saúde pública. No Reino Unido, o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) cobre atualmente o Wegovy apenas por um período de dois anos.

Mas a onda futura de alternativas genéricas, com custo mais baixo, pode viabilizar esta questão.

A patente do Saxenda, da Novo Nordisk, vence em 2024 – e seus concorrentes Teva, Pfizer e Mylan/Viatris devem lançar versões genéricas de liraglutida ainda este ano. Espera-se ainda que alternativas genéricas do Ozempic sejam disponibilizadas na próxima década.

“Por isso, as pessoas logo poderão começar a pensar nela como opção de prazo mais longo e, quando os custos gerais dos medicamentos de GLP-1 forem reduzidos, ficará mais fácil prescrevê-los como medicamentos de uso contínuo”, conclui o professor.

Fonte: G1

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SaúdeCuriosidade

Amado por brasileiros, pão com ovo pode ser mais saudável sem perder charme

por Redação 21 de novembro de 2024

Quem nunca teve preguiça de cozinhar e preparou um pão com ovo para matar a fome? A boa notícia é que essa combinação pode oferecer diversos nutrientes e até contribuir para uma dieta equilibrada, quando feita corretamente e em porções adequadas.

Nutrientes do pão com ovo
A receita é prática e nutritiva e fornece diversos nutrientes essenciais para o corpo, tais como:

Carboidratos: o pão é a principal fonte de energia na refeição, fornecendo carboidratos que sustentam as atividades diárias.

Proteínas: o ovo oferece proteínas de alta qualidade, necessárias para a reparação e construção muscular.

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Vitaminas: contém vitamina A, B6, B12 e folato e D.

Minerais: é fonte de ferro, zinco e selênio.

Vale destacar que um pão francês com ovo contém aproximadamente 212 calorias, 30,2 g de carboidratos e 10,1 g de proteínas.

Pode substituir refeições?
Sim, mas nem sempre. A frequência e a quantidade de consumo fazem toda a diferença. “Quando comparado a uma refeição principal, temos um valor calórico parecido. Mas há baixa oferta de proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Além disso, como lanche intermediário, o valor calórico é mais alto do que é indicado”, diz Sueli Longo, nutricionista e presidente da Sban (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição).

Débora Palos, nutricionista do Hospital Nove de Julho, diz que é importante variar o pão com ovo com outros alimentos ao longo do dia. Mas que essa combinação pode ser vantajosa se acompanhada de fibras, gorduras saudáveis e outros nutrientes de diferentes fontes.

Quando o pão com ovo é consumido no café da manhã, por exemplo, as gorduras e proteínas da combinação aumentam a sensação de saciedade. Mas é importante escolher pães integrais. Eles são digeridos mais lentamente, o que estabiliza os níveis de açúcar no sangue e evita picos de glicemia. E a fibra no pão integral contribui para uma sensação de “estômago cheio” por mais tempo e controla o apetite entre as refeições.

Atenção ao consumo diário
Apesar de saboroso e prático, é preciso consumir o pão com ovo com moderação e em porções adequadas, principalmente o pão branco, para evitar ingestão excessiva de carboidratos.

“Mesmo consumido diariamente, o pão com ovo não apresenta problemas quando integrado a uma dieta planejada, respeitando o equilíbrio ideal de carboidratos, gorduras e colesterol dentro do plano alimentar”, diz Fabiano Robert, nutrólogo e docente dos cursos de pós-graduação da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Vale lembrar que o consumo diário pode levar a uma dieta monótona, pobre em outros nutrientes essenciais. E dependendo do tipo de pão, pode aumentar o consumo de carboidratos refinados, que afetam o controle glicêmico e levam ao aumento de peso a longo prazo.

Formas de tornar o pão com ovo mais saudável
Parece bastante simples preparar um pão com ovo, mas algumas dicas podem ajudar a aumentar os nutrientes do lanche. Veja a seguir algumas formas para torná-lo mais saudável e saboroso.

Quantidade de gordura

Se for necessário utilizar óleo, use a menor quantidade possível e prefira opções vegetais, como óleo de soja ou girassol.

Escolha do pão

A escolha do pão faz muita diferença, tanto no valor nutricional quanto na saciedade e no controle glicêmico. Pães integrais, com grãos e sementes, fermentação natural e ricos em fibras são os mais recomendados para uma combinação mais saudável e balanceada com ovo.

Acrescentar outros ingredientes

Incluir alimentos como abacate, que fornece gorduras saudáveis e fibras, e verduras ou legumes, como rúcula, espinafre e tomate, enriquece a refeição com fibras e antioxidantes.

Sementes como chia, linhaça e girassol adicionam fibras, ácidos graxos ômega 3 e minerais. Já o queijo magro traz proteínas e cálcio, mas deve ser consumido em quantidades moderadas para evitar o excesso de gordura.

Maneirar no sal

É importante acrescentar pouco sal para evitar problemas de saúde. Vale a pena substituir o sal por ervas frescas, como salsinha, cebolinha ou manjericão, além de especiarias como pimenta ou açafrão. Esses ingredientes oferecem sabor sem adicionar sódio. Se o sal for essencial, use uma quantidade mínima.

Preparação do ovo

A recomendação é consumir o ovo cozido, pochê ou mexido sem óleo, já que são as formas mais saudáveis e conservam os nutrientes do ovo. Outra opção é preparar uma omelete com legumes, como tomate e cebola, para elevar o valor nutricional e o conteúdo de fibras da refeição.

Contraindicações
Apesar de ser considerada uma combinação segura, algumas pessoas devem consumir com bastante moderação (ou evitar de vez). São elas:

Alérgicos ao ovo, pois o consumo pode desencadear reações graves.

Intolerantes ao glúten, os celíacos, devem optar por pães sem a substância.

Pessoas com problemas renais, como insuficiência renal, precisam moderar a ingestão de proteínas para não sobrecarregar os rins, sendo aconselhável a consulta com um especialista.

Indivíduos com diabetes devem se atentar para a escolha do pão e preferir os integrais para evitar picos de glicose.

Quem tem colesterol elevado deve ser cauteloso com o consumo de ovos e moderar na ingestão desse lanche.

Fonte: UOL

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Saúde

STF derruba lei municipal que proíbe vacinação compulsória contra Covid-19

por Redação 6 de novembro de 2024

Por unanimidade, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) invalidou, nesta quarta-feira (6), uma lei municipal de Uberlândia (MG) que proíbe a vacinação compulsória contra a Covid-19 e proíbe restrições ou sanções a pessoas que optem por não se vacinar.

Os ministros mantiveram uma decisão monocrática de Luís Roberto Barroso, presidente da Corte, que suspendeu a lei em 2022.

O STF analisou uma ação apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade, que alegou no processo ofensas à vida e à saúde da sociedade, além da proteção da criança e da pessoa idosa.

Prevaleceu o entendimento de Barroso. Para ele, o STF já reconheceu a legitimidade da vacinação compulsória, por meio da adoção de medidas como restrição de atividades e de acesso a estabelecimentos, afastando apenas a vacinação forçada, por meio de medidas invasivas.

O ministro também afirmou que há um entendimento do tribunal de que temas relacionados à proteção da saúde devem ser norteadas pelos princípios da precaução e da prevenção, “de modo que, sempre que haja dúvida sobre eventuais efeitos danosos de uma providência, deve-se adotar a medida mais conservadora necessária a evitar o dano”.

Na avaliação do relator, a lei municipal estabelece atos opostos aos parâmetros estabelecidos pelo STF, pois ignora os princípios da cautela e da precaução e contraria o consenso médico-científico sobre a importância da vacina para reduzir o risco de contágio e para aumentar a capacidade de resistência de pessoas que sejam infectadas. “Ao argumento de proteger a liberdade daqueles que decidem não se vacinar, na prática a lei coloca em risco a proteção da saúde coletiva, em meio a uma emergência sanitária sem precedentes”, afirmou.

O STF começou a analisar o caso no plenário virtual em 2023, mas suspendeu o julgamento por um pedido de destaque feito pelo ministro Kassio Nunes Marques. Quando há pedido de destaque em um julgamento no plenário virtual, a análise é levada ao plenário físico.

Fonte: r7

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Saúde

Whey protein é para todo mundo? Veja 5 mitos e verdades sobre o suplemento

por Redação 5 de novembro de 2024

Diferentemente do que muitos ratos de academia podem tentar te fazer acreditar, não, whey protein não é para todo mundo.

E não por não ser seguro ou eficaz, mas por uma razão bem simples: o suplemento tem como objetivo aumentar o consumo de proteína – e boa parte das pessoas consegue a cota diária necessária apenas com uma alimentação balanceada.

Sem dúvida o whey é democrático. Pode ser recomendado para atletas e não atletas, pessoas saudáveis ou doentes e em qualquer faixa etária. (entenda mais abaixo)

?Isso porque o suplemento é produzido a partir da proteína do soro do leite. Assim, na teoria, todas as pessoas que podem consumir lácteos pode ingerir whey.

Mas nutricionistas explicam que sua indicação deve ser feita somente quando a dieta não supre a quantidade de proteínas recomendada.

⚠️O uso indiscriminado do suplemento, como se fosse um chocolate em pó em receita de bolo, não é aconselhado e pode levar até ao ganho de peso.

Suplemento para quem?
Nem sempre a possibilidade de fazer algo significa que aquilo deva ser feito. E isso se aplica até ao consumo de whey.

Apesar de não haver nenhum tipo de proibição para o consumo do suplemento por aqueles que não tenham uma deficiência na ingestão diária de proteínas, o uso do whey nesses casos acaba perdendo a função.

Glaucia Figueiredo Braggion, nutricionista da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE), comenta que o consumo do suplemento não é vetado para quem não treina, por exemplo.

?De forma geral, as nutricionistas indicam que o whey é recomendado para os seguintes casos:

Atletas que precisam de uma quantidade elevada de proteínas para a síntese proteica e ganho de massa muscular
Idosos com perda de massa muscular própria do envelhecimento (sarcopenia)
Adolescentes em fase de crescimento intenso que precisam de maior quantidade de proteínas
Pacientes oncológicos em tratamento com perda de massa muscular
Favero também acrescenta que o suplemento pode ser uma boa alternativa para vegetarianos que não consigam adequar a dieta para atingir a quantidade ideal de proteínas por dia.

?Mesmo com a indicação para o consumo nessas situações, as nutricionistas alertam que todos os casos exigem uma orientação adequada para o uso, com acompanhamento médico.

Excesso no consumo = efeitos indesejados
Considerado um suplemento bastante seguro, o consumo do whey não está associado a efeitos adversos preocupantes se realizado dentro da quantidade recomendada. Já o excesso, como com quase tudo, pode gerar problemas.

Estudos recentes mostram que, a longo prazo, o consumo excessivo de proteínas pode elevar o risco de doenças cardiovasculares.

Glaucia também destaca que o excesso na ingestão de whey pode levar ao ganho de peso. Ela explica que isso acontece pelo exagero de calorias ingeridas e não pela natureza do suplemento.

Mitos e verdades
Para auxiliar no uso mais saudável e consciente do suplemento, as nutricionistas reuniram os principais mitos sobre o whey.

Abaixo, confira 5 mitos e verdades relacionados ao suplemento:

❌Uso de whey faz ganhar massa muscular
✅O uso de whey, sendo sedentário, não vai promover o ganho de massa muscular. O treinamento, associado à ingestão de proteínas e outros nutrientes, é o que auxilia no fortalecimento muscular.

Como o suplemento também oferece aminoácidos que são essenciais para a recuperação muscular, ele pode favorecer o ganho de força e a hipertrofia.

Mas isso só acontece se o consumo está inserido em um plano alimentar, com a realização de treinos regulares.

❌Whey deve ser consumido depois do treino para fazer efeito
✅Estudos mostram que distribuir a oferta de proteínas ao longo do dia em todas as refeições, ou ao menos nas principais, promove melhores resultados de síntese proteica.

Assim, o sucesso seria atingido com um consumo de proteínas balanceado durante o dia – e não somente após o treino. O momento ideal para a ingestão também vai depender dos objetivos, rotina de treino e estilo de vida.

❌Whey faz mal para o fígado e para os rins
✅O consumo adequado de proteínas, incluindo ou não suplementos, não causa problemas renais ou no fígado.

Pesquisas científicas recentes confirmam essa teoria, mostrando que, quando consumido nas doses recomendadas, a suplementação proteica não prejudica os rins em indivíduos saudáveis.

❌Quebrar o jejum com whey ajuda a emagrecer
✅Apesar do suplemento dar saciedade, o que impediria um consumo alimentar excessivo, a ideia de uso de whey com fins de emagrecimento não tem embasamento científico.

As estratégias de emagrecimento mais eficazes requerem déficit energético e a restrição calórica é a forma correta de promover o emagrecimento.

❌Whey não pode ser ingerido por intolerantes à lactose
✅Basta escolher o tipo de Whey. O suplemento concentrado costuma ter grandes quantidades de lactose e, consequentemente, pode gerar desconfortos gastrointestinais para algumas pessoas.

Já o whey isolado pode ser a melhor opção para quem sofre de intolerância à lactose, já que é a forma mais pura da proteína do soro do leite.

Fonte: G1

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Saúde

Queda de idosos: entenda os riscos e veja como manter a casa segura

por Redação 5 de novembro de 2024

Uma queda dentro do apartamento foi o que causou o falecimento do cantor Agnaldo Rayol, de 86 anos, na segunda-feira (4). Segundo a assessoria, o cantor caiu no banheiro e bateu a cabeça, o que ocasionou um grande corte.

A morte do cantor é um alerta para um problema que pode trazer muitos riscos aos idosos: as quedas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. Em 2021, a expectativa de vida dos brasileiros era de 77 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O g1 conversou com a geriatra Anelise Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGGRJ), para entender:

  • quais os riscos na queda de idosos;
  • como prevenir quedas espontâneas;
  • a relação de quedas com doenças;
  • principais cuidados na saúde;
  • e como ter uma casa mais segura.


Quedas e envelhecimento
“A pessoa idosa não percebe as dificuldades que tem”, comenta Anelise Fonseca. A médica conta que é muito comum escutar de pacientes “de repente, eu fiquei idosa”, e que filhos e netos de enfermos também demoram para aceitar e identificar o envelhecimento de seus entes.

Para ela, uma queda pode ser apenas a “ponta do iceberg”, e diz que o tombo pode estar relacionado a outras doenças, como demência, depressão ou alguma enfermidade ocular. “[A queda] Pode ser um sinal para uma investigação mais profunda”, avisa.

Existem diversos fatores que podem estar relacionados com as quedas de idosos, sendo o principal deles a senescência (o processo natural de envelhecimento). Com o envelhecimento, o corpo humano sofre algumas modificações fisiológicas, como a perda de músculo, de massa magra, de massa óssea e de visão.

Além dos fatores biológicos, Anelise Fonseca cita a importância da atenção com o uso de medicamentos. É comum que idosos tomem sedativos, ansiolíticos ou diuréticos, que também podem estar atrelados aos riscos de queda, diz a médica. Sem contar que a senilidade pode causar confusão mental e fazer com que a pessoa acabe trocando remédios ou errando na dosagem.

“Uma fratura no fêmur pode gerar trombose e evoluir para uma embolia pulmonar ou embolia gordurosa”, esclarece. Na verdade, a geriatra explica que os cuidados com a queda estão associados às consequências do não tratamento ou à evolução de outras complicações.

Cuidados e prevenção

Existem alguns cuidados que podem e devem ser tomados por pessoas acima de 60 anos. A geriatra Anelise Fonseca lista alguns deles:

? usar um sapato adequado, emborrachado e confortável;
☀️ tomar sol por alguns minutos diariamente para evitar a carência de vitamina D;
?️ fazer atividades físicas;
? alimentar-se bem e estar atento à ingestão de proteína;
?‍ manter a mobilidade, como caminhar e mover-se com frequência;
?‍⚕️ e estar em dia com consultas médicas e atento a doenças ou alterações oculares.

Ela também reforça que quanto mais o idoso andar, caminhar e se mover, maior será sua independência, por isso a mobilidade é tão importante. E, apesar de a resistência de muitos pacientes, ela indica o uso da bengala como uma forma de dar segurança e estabilidade.

E atenção! Em caso de queda, familiares e cuidadores devem observar machucados, sonolência, tontura, possíveis fraturas e indicações de dor.

Casa segura ?❤️
“O idoso cai mais em casa que na rua. Em casa ele se sente mais seguro”, lembra a médica. Por isso, com a ajuda de Anelise Fonseca, o g1 listou algumas dicas de cuidados dentro de casa:

  • evite tapetes ou escolha opções antiaderentes;
  • mantenha os cômodos iluminados;
  • deixe itens de uso do dia a dia mais abaixo ou de fácil acesso para que não seja preciso o uso de bancos ou escadas;
  • use barras de proteção tanto nos boxes como ao lado de vasos sanitários nos banheiros;
  • mantenha corredores, caminhos e escadas livres, sem obstáculos, para um trânsito mais seguro entre um cômodo e outro;
  • escolha pisos antiderrapantes;
  • e, caso esteja cozinhando, evite deixar o fogão para atender telefone ou fazer outra função.

Fonte: G1

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BrasilSaúde

Médicos são investigados por dizerem que ‘câncer de mama não existe’ e que mamografia causaria a doença; para Inca, afirmações são falsas

por Redação 30 de outubro de 2024

Dois médicos foram denunciados, na terça-feira (29), por entidades da classe a Conselhos Regionais de Medicina por declarações sobre câncer de mama que são consideradas falsas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).

As afirmações foram divulgadas durante o Outubro Rosa, mês de conscientização e alerta sobre a importância da prevenção deste tipo de câncer.

Lucas Ferreira Mattos, com registros em São Paulo e Minas Gerais, é médico com mais de 1,2 milhão de seguidores apenas no Instagram. Segundo apurado pela TV Globo, ele não aparece com especialidade registrada no site do Conselho Federal de Medina (CFM).

Em um dos vídeos, ele respondeu a uma pergunta sobre uma pessoa que disse ter dois cistos nos seios e que fazia acompanhamento, mas queria saber “o que poderia fazer para acabar [com os cistos]”.

“Ficar fazendo mamografia? Uma mamografia gera uma radiação para a mama equivalente a 200 raios-X. Isso aumenta a incidência de câncer de mama, por excesso de mamografia. Tenho 100% de certeza que o seu nódulo benigno é deficiência de iodo”, afirmou, com base apenas na informação citada pela seguidora.

O vídeo foi encaminhado ao Cremesp, que informou, por nota, que “que está investigando o caso em questão” e que as apurações tramitam sob sigilo.

Já a médica Lana Tiani Almeida da Silva tem inscrição no conselho do Pará, também sem especialidade registrada.

“Esqueça Outubro Rosa. Câncer de nama não existe. Sou a doutora Lana Almeida, médica integrativa, especialista em mastologia e ultrassonografia das mamas. Por isso venho falar para vocês que câncer de mama não existe. Então esqueçam Outubro Rosa. Esqueçam mamografia”, afirmou Lana num vídeo no Instagram. Na mesma postagem, ela sugeriu um suposto tratamento com hormônios.

Procurado pela TV Globo, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará informou que “tomou conhecimento da postagem no Instagram da Dra. Lana Almeida, devidamente inscrita neste CRM, nesta terça-feira (29), e o fato já está sendo apurado por este Regional”.

“Ressaltamos que os procedimentos no CRM-PA tramitam sob sigilo, de acordo com o art. 1°, do Código de Processo Ético-profissional.”

O vídeo de Lana foi visto por milhares de pessoas e compartilhado por aplicativos de mensagens. Até a tarde de terça, o vídeo aparecia no feed no Instagram e depois foi retirado. Horas depois, o perfil, que era seguido por 9.636 pessoas, não foi mais encontrado.

Os dois médicos foram procurados pela TV Globo, mas não responderam sobre os questionamentos até a última atualização desta reportagem.

Tanto o vídeo de Mattos quanto o de Lana citados acima foram avaliados pelo Inca. “As postagens veiculadas podem ser consideradas fake news”, disse o instituto.

A Sociedade Brasileira de Mastologia afirmou que observa com preocupação o número de notícias falsas a respeito do tratamento e da prevenção do câncer de mama.

“As redes sociais possuem inúmeros perfis de pessoas que se dizem médicas ou profissionais de saúde que fazem afirmações sensacionalistas e mentirosas sobre o assunto”, aponta.

Segundo a entidade, os perfis costumam divulgar as informações com um possível padrão:

Comenta sobre algo sem comprovação científica, baseado apenas na opinião da pessoa ou de um influenciador;
Na sequência, oferece a venda de algum tratamento ou terapia milagrosa que vai curar ou evitar a doença;
Também oferece cursos voltados para médicos, profissionais de saúde ou até pessoas sem nenhuma formação, para ensinar as tais terapias.

Veja abaixo os pontos explicados por Augusto Tufi Hassan, presidente da SBM, e por Guilherme Novita, diretor da Escola Brasileira de Mastologia:

Sobre colocar em dúvida a existência da doença

“O câncer de mama é a principal neoplasia maligna entre as mulheres brasileiras, sendo responsável por mais de 70.000 novos casos ao ano em nosso país. Menosprezar esta doença é um desrespeito aos milhares de vítimas e suas famílias, além de poder causar tratamentos inadequados em mulheres que acabaram de descobrir a doença.”

Sobre mamografia
“A mamografia é a principal forma de prevenção de mortes pela doença. O diagnóstico precoce, obtido pela mamografia, permite a descoberta do câncer em estágios menores, onde as chances de cura são maiores e os tratamentos, menos agressivos. Estudos comparativos realizados em países europeus e norte-americanos demonstraram que a realização de mamografia anual em mulheres entre os 40 e 75 anos reduz em 20% a 30% a mortalidade do câncer de mama em comparação com mulheres que não realizaram o exame.”

Sobre supostas terapias com hormônios
“O uso de hormônios sexuais (estrógeno, progesterona e testosterona) é contraindicado em casos de câncer de mama, pois estimula o crescimento de células tumorais. Inúmeras publicações científicas mostram este efeito e a piora na evolução da doença. Inclusive, a terapia de alguns casos de câncer de mama é feita através de bloqueio destes hormônios, com resultados comprovados na diminuição da mortalidade.”

O que diz o Inca
De acordo com o Inca, as postagens dos dois médicos podem ser consideradas falsas.

As estimativas para a doença são divulgadas a cada três anos, já que, no Brasil, não é obrigatório notificar casos de câncer. As estimativas mais recentes correspondem ao triênio de 2023 a 2025.

Essas estimativas do Inca apontam o câncer de mama como o mais frequente na população feminina do Brasil, ocupando o primeiro lugar, com 73.610 novos casos por ano entre 2023 e 2025. Isso representa uma taxa de incidência de 41,89 casos por 100 mil mulheres.

De acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer, do Ministério da Saúde, em 2022, houve 19.130 mortes por câncer de mama em mulheres no Brasil. A doença também é a mais incidente em mulheres no mundo, com aproximadamente 2,3 milhões de casos novos estimados em 2022, segundo dados do instituto.

Fonte: G1

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BrasilSaúde

Laboratório confirma troca de adesivos entre canetas de insulina e Ozempic; saiba a diferença

por Redação 23 de outubro de 2024

O laboratório responsável pela fabricação dos medicamentos Ozempic e Fiasp Flextouch, uma insulina de ação rápida, confirmou que houve casos de readesivação de canetas de Fiasp Flextouch com rótulos de Ozempic, possivelmente retirados de canetas originais.

A Nova Nordisk informou que já tinha identificado adulteração nas embalagens, mas, até esta terça-feira, não havia confirmado a troca de rótulos entre as canetas. A empresa disse ainda que está colaborando com as autoridades e reforçou o compromisso com a segurança dos pacientes, mas negou estar sob investigação da polícia.

O caso veio à tona após a Polícia Civil do Rio, através da delegacia de Ipanema (13ªDP), confirmar, nesta terça-feira (22), que a mulher de 46 anos, internada no último sábado, utilizou uma caneta da insulina Fiasp Flextouch, que foi vendida como Ozempic numa farmácia da Zona Sul da capital.

A paciente foi internada no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, com um quadro de hipoglicemia severo. No entanto, ela já recebeu alta. Na segunda-feira, o responsável pela farmácia e o balconista prestaram depoimento na 13ª DP.

A polícia apreendeu os produtos na farmácia e enviou as supostas canetas de Ozempic apreendidas ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli, que confirmou a troca dos rótulos entre as canetas.

Com isso, a polícia expandiu a investigação para apurar as responsabilidades da distribuidora e do laboratório, além da farmácia.

O Fiasp Flextouch tem um valor de mercado em torno de R$ 44,00, enquanto o Ozempic, também utilizado para o tratamento de diabetes tipo 2 e perda de peso, custa mais de R$ 1.000,00.

Orientações da Novo Nordisk sobre o Ozempic e Fiasp Flextouch
Na nota enviada à CBN, o laboratório Novo Nordisk orientou os consumidores a observarem com atenção as características das canetas injetáveis para evitar fraudes.

O Ozempic é vendido em canetas azuis claras, com botão cinza, enquanto o Fiasp Flextouch é comercializado em canetas azuis escuras, com botão laranja. A empresa também destacou a importância de evitar a compra de medicamentos por sites não licenciados pela Anvisa e desconfiar de preços muito abaixo do praticado oficialmente.

Ambos os medicamentos, Ozempic e Fiasp Flextouch, são aplicados por meio de canetas injetáveis, o que facilita a confusão em casos de adulteração, reforçando a necessidade de atenção por parte dos consumidores.

Ainda de acordo com o laboratório, as canetas de insulina Fiasp Flextouch foram readesivadas com rótulos do lote NP5K174. A empresa também informou que não pode garantir que rótulos de outros lotes não tenham sido utilizados em casos semelhantes.

Além das cidades do Rio de Janeiro e Brasília, foram identificados casos isolados em Anápolis (GO), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Paty do Alferes (RJ). A Novo Nordisk alertou que não houve lançamento de nova fórmula de Ozempic desde 2019 e recomendou que os consumidores desconfiem de canetas com numerações de dose diferentes de 0mg e 1mg.

Alerta da Anvisa sobre falsificações
Antes deste caso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia alertado, em 2023, sobre a circulação de lotes falsificados de Ozempic no Brasil, em cidades como Rio de Janeiro e Brasília.

Lotes identificados como MP5C960 e LP6F832 apresentavam diferenças nos rótulos, como idioma estrangeiro e concentração incorreta. A Anvisa reforçou a necessidade de verificar se as embalagens estão alteradas ou possuem informações divergentes.

Fonte: CBN

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Saúde

Após escândalo dos órgãos com HIV, diretoria da Fundação Saúde pede demissão, e Cláudio Castro confirma exoneração

por Redação 21 de outubro de 2024

A diretoria da Fundação Saúde, empresa pública do governo do estado responsável pelo contrato com o PCS Lab Saleme, colocou os cargos à disposição de Cláudio Castro (PL). O Blog apurou que o governador aceitou a demissão da cúpula e determinou a exoneração de todos nesta segunda-feira (21).

A demissão em massa ocorre cerca de 10 dias depois de o escândalo dos órgãos com HIV liberados para transplante ter sido revelado. Segundo o governo do estado, o PCS Lab Saleme foi contratado em dezembro do ano passado por R$ 11 milhões para fazer a sorologia de órgãos doados.

Na semana passada, a Polícia Civil decidiu desmembrar o procedimento que apura os falsos laudos e instaurou um novo inquérito para investigar a contratação da empresa. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que também vai apurar como foi esse processo.

João Ricardo da Silva Pilotto encabeça a lista das dispensas. Serão trocados os seguintes setores:

diretoria executiva;
diretoria administrativa e financeira;
diretoria de recursos humanos;
diretoria de planejamento e gestão;
diretoria técnico-assistencial;
diretoria jurídica.
Relação com ex-secretário
O laboratório Patologia Clínica Doutor Saleme (PCS Lab Saleme) tem como um dos sócios Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira. Ele é primo do ex-secretário de Saúde Doutor Luizinho, deputado federal e líder do Progressistas na Câmara dos Deputados.

Outro sócio do laboratório é Walter Vieira, casado com a tia de Luizinho. Os dois chegaram fazer campanha para Doutor Luizinho em eleições passadas.

O laboratório foi contratado 3 meses depois da saída de Doutor Luizinho da secretaria. A irmã dele, Débora Lúcia Teixeira, trabalha na Fundação Saúde.

O deputado foi secretário de Saúde de janeiro a setembro de 2023. Entre 2022 e 2024, o laboratório recebeu quase R$ 20 milhões em pagamentos, de acordo com dados do Portal da Transparência.

Pilotto + Matheus
A TV Globo mostrou ainda que Pilotto já fez negócios com Matheus Vieira. Uma firma de Pilotto, a Dimagem Diagnóstico, contratou uma outra empresa de Matheus, a Quântica Serviços de Radiologia.

O objetivo eram serviços técnicos de radiologia e diagnóstico por imagem. O contrato foi assinado em novembro de 2021, com prazo até o fim de 2022. Nessa época, Pilotto já era diretor da Fundação Saúde.

À Receita Federal, Matheus declarou que a filial da Quântica ficava em um endereço em São Gonçalo. No mesmo local, funciona a sede da Dimagem, empresa de Pilotto.

Milhões sem contrato
Outra reportagem do RJ2 revelou que um laboratório que presta serviços para a Fundação Saúde e que já recebeu R$ 5 milhões do governo do RJ tem, segundo um documento, o mesmo endereço da sede do PCS Saleme. Além disso, a empresa também tem ligações com a família do ex-secretário Dr. Luizinho.

O LLR Médicos Associados usou em uma proposta obtida pelo RJ2 a foto de um laboratório que está em um site da Nova Zelândia em uma notícia publicada sobre um hospital da Polônia em 2010. Na verdade, porém, funciona em um apartamento em Higienópolis, no subúrbio do Rio.

O outro endereço fornecido para a Receita Federal fica na Travessa Quaresma, número 30, sala 101, no Centro de Nova Iguaçu.

O prédio comercial fica em frente à sede mais conhecida do Laboratório PCS-Saleme. Só que o PCS também aluga salas no próprio prédio do LLR, segundo um documento. O registro mostra que o PCS-Saleme declara ao próprio governo funcionar no mesmo endereço, da sala 101 a 106, ou seja, incluindo a sala 101, onde funcionaria a LLR.

Dos R$ 5,2 milhões que o LLR já recebeu da Fundação Saúde, a maior parte – R$ 3,6 milhões, foi sem contrato.

O endereço não é o único elo entre a LLR e o PCS. O dono da empresa é Fabricio da Silva Rocha. Ele é um técnico de laboratório e raios-x, cuja ascensão meteórica coincide com sua parceria com Matheus Teixeira Vieira, dono do PCS e primo do ex-secretário de saúde, Doutor Luizinho.

Fabricio e Matheus são sócios na empresa Quântica Serviços de Radiologia. Foi pela Quântica que os dois fizeram negócios com Pilotto.

Mesmo endereço
E 2 empresas da família de Pilotto têm endereço registrado no mesmo lugar de outras 2 empresas que receberam juntas mais de R$ 54 milhões da Fundação Saúde.

O RJ2 foi até a Rua Dom Walmor, no Centro de Nova Iguaçu, investigar como 2 pequenas salas comerciais abrigam tantas empresas e contratos públicos. Lá funcionam o Centro Médico Dom Walmor e o Palmar Lab. O sócio-administrador dessas firmas é Mário Luiz Mentrop.

Juntas, elas já receberam mais de R$ 54 milhões de verba pública da Fundação Saúde. Muitos serviços foram prestados sem contrato, alguns contratos com dispensa de licitação e poucos com pregão eletrônico.

No mesmo endereço, foram registradas 2 empresas da família de Pilotto: a Cardioclin Serviços Médicos, que é do filho dele, José Ricardo Pilotto, e a Imagem Diagnóstica 2015, que tem entre as sócias a sobrinha Petra e a cunhada Paula Maria Pilotto.

Documentos comprovam que a empresa do filho do diretor executivo da Fundação Saúde funcionava no mesmo endereço de empresas que recebem verba do órgão controlado pelo pai.

Fonte: G1

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