Brasil Contrato ligado a produtora de filme sobre Bolsonaro teria valor 230% acima do mercado, aponta polícia Redação1 de junho de 202601 visualizações A operação Wi-Fi, realizada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (1º), colocou sob investigação um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade responsável pela produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo os investigadores, o acordo para instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades periféricas da capital previa pagamentos até 230% acima dos valores praticados no mercado. As apurações envolvem o termo de colaboração firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o instituto, representado por Karina Ferreira da Gama. De acordo com a investigação, enquanto a empresa municipal Prodam cobrava R$ 306 por ponto, além de R$ 200 de manutenção mensal, o contrato com o ICB previa pagamento fixo de R$ 1.800 por ponto. A Polícia Civil também aponta outras suspeitas. Entre elas estão a falta de capacidade técnica da entidade, que teria histórico de atuação apenas em feiras de livros e eventos religiosos; o descumprimento de metas, com a instalação de 3.200 dos 5 mil pontos previstos; a celebração de três aditivos em curto intervalo de tempo; e a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação. Segundo os investigadores, houve repasses relativos a 3.200 pontos quando apenas seis estariam funcionando no período analisado. As autoridades suspeitam ainda que recursos do contrato público possam ter sido direcionados à produtora Go Up Entertainment Ltda, controlada por Karina Ferreira da Gama, para subsidiar a produção do filme Dark Horse. O caso ganha repercussão em meio a outras controvérsias envolvendo o financiamento da obra. O filme já havia sido citado em reportagens sobre o Banco Master após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para apoiar a produção coordenada pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP). Segundo informações divulgadas, ao menos R$ 61 milhões teriam sido repassados por uma empresa ligada ao banco por meio de um fundo de investimentos sediado no Texas, nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades. Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora com as investigações e que toda a documentação solicitada já havia sido disponibilizada às autoridades. A gestão de Ricardo Nunes (MDB) informou que o programa funciona normalmente, com apenas 52 dos 3,2 mil pontos contratados fora do ar para manutenção na manhã desta segunda-feira. A administração também negou pagamentos relacionados a 5 mil pontos e afirmou que o contrato seguiu os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Segundo a prefeitura, o custo estimado para 2026 é de R$ 1.280 por ponto ao mês, valor inferior às propostas recebidas em 2022. O Instituto Conhecer Brasil foi procurado e ainda não se manifestou. Fonte: METRÓPOLES