Do café na calçada ao sucesso: casal acorda às 2h para alimentar trabalhadores no DF

Uma banca de café da manhã montada diariamente ao lado da parada de ônibus da 515 Norte, na Asa Norte, em Brasília, se transformou em referência para trabalhadores que começam o dia ainda antes do amanhecer. Há nove anos, Inês Maria, de 52 anos, e Renilton Santos, de 61, atravessam a madrugada para garantir alimentos frescos a quem passa pela região.

Moradores de Valparaíso (GO), os dois acordam por volta das 2h para preparar bolos, salgados, cafés, sucos, cuscuz, sanduíches e frutas. O atendimento começa às 6h30 e segue até as 10h. A rotina, porém, vai muito além desse horário: após as vendas, o casal faz compras, produz novas encomendas e organiza os preparativos para o dia seguinte.

A ideia surgiu após Inês enfrentar a perda de uma gestação. Segundo ela, o empreendedorismo foi uma forma de recomeçar. Desde o início, adotou como princípio não deixar ninguém passar fome, independentemente da condição financeira. O primeiro dia de trabalho rendeu apenas R$ 50, mas a clientela cresceu rapidamente e transformou a banca em um ponto de encontro tradicional da região.

Renilton, que trabalhava como pedreiro, passou a atuar ao lado da esposa em todas as etapas do negócio. Juntos, eles produzem, transportam e comercializam os alimentos, mantendo uma rotina intensa que atravessa madrugadas e finais de semana.

O sucesso da banca reflete uma realidade comum no Distrito Federal. Segundo a Semob-DF, o sistema de transporte coletivo registra cerca de 1,2 milhão de acessos por dia útil. Já dados da Junta Comercial do DF apontam mais de 45 mil empresas ativas no segmento de lanchonetes e similares e mais de 15 mil ligadas à alimentação ambulante.

Além da alimentação, o espaço acabou se tornando uma rede de apoio para clientes que compartilham histórias, dificuldades e experiências. Mesmo convivendo com fibromialgia e hérnia de disco, Inês afirma encontrar motivação na cozinha e sonha em conquistar um quiosque fixo para ampliar a produção. Enquanto isso não acontece, ela segue recebendo diariamente trabalhadores que fazem questão de esperar a chegada da banca antes de iniciar a jornada.

Fonte: METRÓPOLES

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