Luto Dona Jacira, mãe de Emicida e Fióti, morre aos 60 anos em SP Redação29 de julho de 20250115 visualizações Jacira Roque Oliveira, mãe do rapper Emicida e do produtor musical Evandro Fióti, morreu nesta segunda-feira (28), em São Paulo, aos 60 anos. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa de Fióti. A causa da morte não foi revelada. Em nota, a família informou que o legado de Dona Jacira “será levado adiante por sua família e todas as pessoas que tiveram suas vidas impactadas e transformadas por sua presença de cuidado, amor, luz e fé neste plano”. Veja a íntegra abaixo: “É com profunda tristeza que informamos o falecimento de Jacira Roque Oliveira, a Dona Jacira, aos 60 anos de idade. Mãe, avó, escritora, compositora, poeta, artesã e formada em desenvolvimento humano, como gostava de ser reconhecida. Dona Jacira foi uma mulher detentora de tecnologias ancestrais de sobrevivência e resistência que construíram um legado enorme para as artes e para a cultura afrobrasileira. Esse legado será levado adiante por sua família e todas as pessoas que tiveram suas vidas impactadas e transformadas por sua presença de cuidado, amor, luz e fé neste plano. A família agradece por todo amor e carinho e pede que respeitem a sua privacidade nesse momento tão difícil.” Quem foi Dona JaciraEx-enfermeira, artista plástica e escritora, Dona Jacira enfrentava complicações de saúde relacionadas ao lúpus e fazia hemodiálise havia mais de 25 anos. Apesar da doença, ela seguiu ativa como escritora, artista plástica e figura importante na valorização da cultura periférica. Nascida e criada no Jardim Ataliba Leonel e no Jardim Cachoeira, periferias da Zona Norte de São Paulo, ela viveu uma infância difícil. Foi internada em um convento ainda menina e se casou aos 13 anos. Teve quatro filhos, o rapper Emicida, o produtor Fióti, Katia e Katiane, que foram criados por ela sozinha, após a separação do marido. Os irmãos Emicida e Fióti, sócios na Laboratório Fantasma, romperam em abril com troca de acusações e processo judicial. À época, Dona Jacira chegou a se manifestar em defesa de Fióti, mas o filho afirmou em seguida que a mãe “não tinha como escolher um lado” e que confiava nos dois. Em 2019, Dona Jacira lançou sua autobiografia, “Café”, publicada pela editora periférica LiteraRUA, em que compartilha relatos de vida, dor, superação e arte. A obra se tornou referência na literatura periférica e consolidou sua voz como autora. No livro, ela relata como enfrentou episódios de violência doméstica, alcoolismo do ex-companheiro e diversas limitações impostas pela condição de saúde. Além disso, Dona Jacira conta em primeira pessoa como foi o processo de se livrar dos desafios para retomar os estudos na fase adulta, se formar em técnica em enfermagem e entrar para movimentos sociais. Ela foi colunista do portal UOL entre 2021 e 2023. A mãe dos rappers era reconhecida por seu compromisso com a educação e com o fortalecimento das raízes negras e populares. Na música “Mãe”, Emicida faz uma homenagem a ela. “Nossas mãos ainda encaixam certoPeço um anjo que me acompanheEm tudo eu via a voz de minha mãeEm tudo eu via nós” Dona Jacira aparece também no clipe dessa música, que é um tributo direto e íntimo à relação de Emicida com sua mãe, valorizando sua trajetória e presença na vida do artista. Fonte: G1