Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e também da Opep+, aliança que inclui membros do cartel e países aliados como a Rússia. A decisão entra em vigor em 1º de maio e tem potencial para alterar a dinâmica do mercado global de energia.
A ruptura representa um revés para a Opep e, em especial, para a Arábia Saudita, principal liderança do grupo e responsável por coordenar estratégias de produção que influenciam diretamente os preços internacionais do petróleo. O movimento também é interpretado como uma afirmação de soberania de Abu Dhabi sobre sua política energética.
Em março, os Emirados foram o terceiro maior produtor entre os 12 membros da Opep, com cerca de 2,4 milhões de barris por dia, segundo a Agência Internacional de Energia. No mesmo período, a produção do grupo foi afetada por tensões geopolíticas envolvendo o Irã, incluindo dificuldades de escoamento pelo Estreito de Ormuz, o que levou a uma queda de 27% em relação a fevereiro.
O anúncio também repercute politicamente em Washington. Aliados do ex-presidente Donald Trump, crítico frequente da Opep, interpretam a decisão como uma vitória simbólica, já que o político acusa o cartel de influenciar artificialmente os preços do petróleo.
O ministro de Energia dos Emirados, Suhail Mohamed al-Mazrouei, afirmou que a saída foi definida após uma revisão estratégica das políticas energéticas do país e que não houve consulta formal a outros membros da organização.
A decisão ocorre em meio a um cenário de alta volatilidade no mercado de energia, agravado por tensões no Oriente Médio e pela instabilidade no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo.
Nos últimos anos, os Emirados vinham demonstrando insatisfação com as cotas de produção da Opep, que limitavam sua capacidade de exportação. O país também busca diversificar sua economia, investindo em turismo, tecnologia e serviços financeiros, além de promover mudanças institucionais para maior integração com mercados ocidentais.
Especialistas avaliam que a saída enfraquece estruturalmente a Opep, embora a Opep+ ainda concentre cerca de 40% da produção global de petróleo.
Fonte: OGLOBO