“Eu pago sua faculdade, seu bosta”: vereador se envolve em pancadaria durante protesto de estudantes em SP

O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) se envolveu em uma briga generalizada durante uma manifestação de estudantes no Centro de São Paulo, nesta segunda-feira (11), após provocar participantes do ato enquanto gravava conteúdos para as redes sociais. Vídeos mostram o parlamentar trocando socos e chutes com manifestantes durante a confusão.

Em uma das gravações, Rubinho aparece insultando estudantes. “Vai estudar, seu vagabundo, seu bosta, eu pago tua faculdade”, disse o vereador. Em outro momento, ele questiona um funcionário da USP que participava do protesto: “Você devia ter vergonha”.

As imagens registraram o parlamentar dando chutes e também sendo agredido durante o tumulto. Segundo Rubinho, ele foi levado ao hospital com suspeita de fratura no nariz. O vereador Adrilles Jorge (União Brasil), que também participou do ato, afirmou ter levado dois chutes na região da barriga, mas disse estar bem.

O protesto reunia alunos e profissionais da USP, Unesp e Unicamp em greve por melhorias nas universidades públicas paulistas. Entre as reivindicações estão aumento das bolsas de permanência estudantil, reformas das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi. O ato também criticava a atuação da Polícia Militar na desocupação da Reitoria da USP na madrugada de domingo (10), realizada sem conhecimento da direção da universidade.

Parlamentares da oposição acusam Rubinho de comparecer ao protesto apenas para provocar os estudantes e produzir conteúdo político para as redes sociais. Procurado pela reportagem, o vereador ainda não havia se manifestado sobre as críticas.

A vereadora Luana Alves (PSOL) protocolou uma representação na Corregedoria da Câmara Municipal pedindo abertura de procedimento disciplinar contra Rubinho Nunes e Adrilles Jorge. Segundo ela, os vereadores cometeram quebra de ética e decoro parlamentar ao estimular confrontos físicos e políticos durante a manifestação.

“Os vereadores abandonaram qualquer postura institucional para atuar de forma ostensivamente provocativa e confrontacional, estimulando o conflito político e físico contra os manifestantes”, afirma o documento.

A oposição também elevou o tom contra os parlamentares bolsonaristas. A vereadora Luna Zarattini (PT) afirmou que a estratégia da extrema-direita seria criar polêmicas para ganhar visibilidade às vésperas das eleições. Já Luana Alves declarou que os vereadores recebem salários superiores a R$ 20 mil para “fazer cortes para internet e provocar estudantes”.

A deputada estadual Ediane Maria (PSOL) também criticou a atuação de Rubinho. “O negócio dele é provocar e arranjar briga para se fazer de coitado”, afirmou.

A confusão aconteceu durante manifestação em frente à Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República. Os estudantes bloquearam vias da região e fizeram um cordão humano próximo à Reitoria da Unesp. Em meio ao protesto, a Polícia Militar utilizou bombas de gás para dispersar manifestantes.

Em nota ao g1, a Secretaria da Segurança Pública informou que a PM foi acionada após uma “briga generalizada” e afirmou que a situação foi controlada. Segundo a pasta, não havia informações sobre feridos e o ato seguiu de forma pacífica após a intervenção policial.

Fonte: G1

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