Segurança Furto de amostras de vírus na Unicamp inclui H1N1 e H3N2 e levanta alerta sobre biossegurança Redação26 de março de 2026015 visualizações A Polícia Federal confirmou que amostras dos vírus Influenza H1N1 e H3N2 estavam entre o material biológico furtado do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia da Unicamp. Os micro-organismos foram transportados sem autorização para outros laboratórios da própria universidade e permaneceram desaparecidos por cerca de 40 dias até serem recuperados. Uma pesquisadora foi presa em flagrante e responderá em liberdade pelos crimes de furto, transporte não autorizado de material geneticamente modificado e por colocar a saúde pública em risco. O marido dela, Michael Edward Miller, médico veterinário e doutorando em Genética e Biologia Molecular na instituição, também é investigado pela Polícia Federal, que não detalhou as suspeitas. Segundo o professor José Luiz Modena, da Unicamp, os vírus H1N1 e H3N2 são classificados como agentes de nível 2 de biossegurança, com risco moderado para trabalhadores e para o ambiente, sendo normalmente associados à gripe sazonal. A PF afirmou que não houve contaminação externa e que todas as amostras permaneceram dentro da universidade durante o período. Além dos subtipos de Influenza, havia outros vírus humanos e suínos entre o material levado. As amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém sob sigilo a identificação completa dos agentes envolvidos. O laboratório de origem é classificado como nível 3 de biossegurança (NB-3), considerado o mais alto em operação no Brasil para estudos com agentes infecciosos. Nesse nível, o risco para o indivíduo é alto e moderado para a comunidade, exigindo protocolos rigorosos. Em Campinas, está em construção o laboratório Orion, que terá nível 4 de biossegurança, com previsão de conclusão em 2027. As caixas com vírus desapareceram no dia 13 de fevereiro e parte do material foi localizada em 23 de março em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, a cerca de 350 metros do local de origem, que foram temporariamente interditados. No dia seguinte, o restante das amostras foi encontrado em outros espaços do Instituto de Biologia. De acordo com a investigação, as amostras estavam distribuídas em três locais: em freezers lacrados na Faculdade de Engenharia de Alimentos, em tubetes manipulados e abertos no Laboratório de Doenças Tropicais e em frascos descartados no Laboratório de Cultura de Células. A pesquisadora não tinha autorização formal para acessar esses ambientes, mas teria conseguido entrar com consentimento de outros profissionais. A defesa da docente, Soledad Palameta Miller, sustenta que não há materialidade na acusação e afirma que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria para pesquisa. Fonte: G1