Golpe do falso valet em SP: quadrilha monta estacionamento fake, furta carros e leva veículos para desmanche

A Polícia Civil de São Paulo investiga uma quadrilha que aplicava o chamado “golpe do falso valet”, montando estacionamentos clandestinos para enganar motoristas e furtar veículos na capital paulista.

O esquema consistia em transformar terrenos vazios em estacionamentos aparentemente regulares. Com estrutura improvisada, incluindo guichê, manobristas e até movimentação intensa, os criminosos conquistavam a confiança das vítimas, que entregavam as chaves sem suspeitar.

A analista de RH Alessandra Bellido foi uma das vítimas. “Eu dei a chave para um moço que trabalhava no estacionamento. Eu não imaginava que era pra um ladrão”, relatou. Segundo ela, o local parecia legítimo. “Com guichê, com manobrista, com tudo.”

Outra vítima destacou que o movimento ajudava a dar aparência de normalidade. “Estava bem cheio, tinha uma placa de ‘Aluga-se’ na entrada”, disse. A fraude só era percebida no retorno. “Era como se tivessem montado um circo e desmontado”, afirmou Alessandra.

Ao menos sete pessoas registraram ocorrência.

Imagens de câmeras de segurança mostram como o golpe era executado. Por volta das 16h30, um homem corta a cerca de um terreno vazio. Em seguida, outros integrantes, usando coletes, passam a abordar motoristas e indicar o local como estacionamento.

As vítimas estacionavam e entregavam as chaves. Pouco depois, os criminosos entravam nos veículos, vasculhavam o interior e deixavam o local dirigindo. O delegado Marcus Vinícius Reis estima que entre 10 e 12 pessoas participavam da ação.

A investigação aponta que os carros foram levados rapidamente para desmanches clandestinos. Dois veículos foram encontrados no extremo leste da capital, área já investigada anteriormente. “O desmanche foi muito rápido, o que indica algo encomendado”, afirmou o delegado.

Uma pista surgiu a partir dos pagamentos feitos pelas vítimas. O dinheiro foi transferido para a conta da irmã de Kléber de Oliveira Silva, de 40 anos, apontado como um dos suspeitos. A polícia descartou o envolvimento dela no crime.

Kléber possui três antecedentes por golpes semelhantes e, segundo a polícia, utilizava o mesmo método: invadir terrenos próximos a grandes eventos e simular estacionamentos.

Uma operação policial identificou ainda outros quatro suspeitos.

A defesa de Kléber informou que ainda não teve acesso ao inquérito.

Dos sete carros furtados, dois foram recuperados e três seguem desaparecidos. A polícia orienta motoristas a verificarem se o estacionamento é regular, se emite nota fiscal e se possui seguro antes de deixar o veículo.

O caso expõe uma nova modalidade de crime urbano que explora a confiança e a pressa dos motoristas, ampliando o alerta para cuidados básicos no dia a dia.

Fonte: FANTÁSTICO

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