A ideia de que homens sofrem mais com a gripe voltou a ganhar força nas redes sociais, mas não encontra respaldo na ciência. Especialistas ouvidos pelo g1 são categóricos ao afirmar que não há evidência científica que comprove diferenças biológicas na intensidade dos sintomas ou no tempo de recuperação entre homens e mulheres.
Publicações recentes chegaram a citar um suposto estudo do British Medical Journal (BMJ) como base para a tese. No entanto, o material mencionado faz parte de uma edição especial de Natal de 2017, conhecida por trazer artigos satíricos. O texto, que ironiza o conceito de “gripe masculina”, não deve ser interpretado como evidência científica.
Segundo a infectologista Luana Araujo, o uso desse conteúdo como prova é equivocado. Já o infectologista Renato Kfouri reforça que não há dados que indiquem diferença na resposta imunológica entre os sexos, destacando que a produção de anticorpos e a resposta às vacinas são equivalentes.
Apesar disso, especialistas apontam que a percepção de que mulheres se recuperam mais rápido pode ter origem em fatores comportamentais. De acordo com Luana Araujo, mulheres tendem a manter suas rotinas mesmo doentes, o que pode gerar a impressão de recuperação mais ágil — um reflexo de questões sociais e da menor possibilidade de pausa para cuidados.
O debate ocorre em meio ao aumento de casos de gripe no país. Dados do Instituto Todos pela Saúde mostram que os registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza quase dobraram em 2026, com 3.584 casos até meados de março, contra 1.838 no mesmo período de 2025.
Diante do cenário, especialistas reforçam a importância da prevenção, principalmente por meio da vacinação. No SUS, a campanha é voltada para grupos de risco, como crianças, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde e educação.
Fonte: G1