Semanas de confronto entre Estados Unidos e Irã já provocam impactos diretos na capacidade militar das duas potências. Levantamento do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), aliado a informações de autoridades norte-americanas, aponta redução significativa nos estoques de armamentos essenciais, especialmente mísseis avançados.
Dados indicam que, embora ambos ainda consigam sustentar a guerra, há limitações crescentes. No caso dos Estados Unidos, o estudo do CSIS revela que mais da metade do estoque pré-guerra foi utilizada em quatro dos sete principais sistemas analisados, incluindo mísseis Tomahawk e defesas antiaéreas. O cenário é considerado sensível, já que os níveis já eram vistos como baixos antes mesmo do conflito, especialmente diante da possibilidade de مواجهة com potências como a China.
A reposição desses armamentos é lenta. Segundo o relatório, o ciclo completo pode ultrapassar quatro anos — cerca de 52 meses — devido à alta demanda e à limitação da indústria de defesa. Apesar disso, os EUA ainda conseguem manter operações, recorrendo a armas alternativas, embora com menor alcance e maior risco operacional. O impacto também pode atingir aliados como a Ucrânia, dependentes do fornecimento americano.
Do lado iraniano, o quadro é mais ambíguo. Enquanto declarações oficiais dos EUA apontam destruição massiva — com redução de até 90% na capacidade de mísseis e drones —, fontes ouvidas pela CBS News indicam que cerca de metade do arsenal de mísseis balísticos e lançadores permanece intacta. Parte desse material estaria escondida em bunkers ou cavernas.
Sinais recentes reforçam essa capacidade residual. O Irã exibiu mísseis como o Khorramshahr-4, com alcance de até 2.000 km, durante desfile em Teerã. Ainda assim, dados mostram queda significativa nos lançamentos e fragilidade na defesa aérea, evidenciada por sobrevoos de bombardeiros B-52 dos EUA.
Relatório da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA aponta que o país do Oriente Médio ainda representa risco relevante, com milhares de mísseis e drones capazes de atingir forças americanas e aliados. Por outro lado, limitações tecnológicas, equipamentos ultrapassados e treinamento reduzido indicam que o Irã dificilmente conseguiria vencer um adversário superior em tecnologia.
O cenário expõe um desgaste estratégico de ambos os lados, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade prolongada do conflito e seus reflexos no equilíbrio militar global.
Fonte: G1