Guerra no Irã abala imagem de segurança de Dubai, Catar e Emirados e gera prejuízos bilionários

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começou a colocar em risco a imagem de estabilidade e segurança que países do Golfo Pérsico, como Dubai, Abu Dhabi e Doha, cultivaram por décadas. A região, antes percebida como refúgio de luxo e prosperidade, sofre impactos diretos em turismo, investimentos e infraestrutura.

Desde 28 de fevereiro, ataques iranianos atingiram centros comerciais, arranha-céus de luxo, portos, hotéis e aeroportos, incluindo o Burj al Arab e o Fairmont The Palm, além de instalações industriais como o complexo de Ras Laffan, no Catar. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz agravou os danos, bloqueando exportações de combustíveis.

O setor turístico da região vem perdendo cerca de US$ 600 milhões (R$ 3,15 bilhões) por dia, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo. Eventos internacionais, voos e reservas de hotéis foram cancelados em massa, impactando diretamente a economia local. Apenas na semana de 6 de março, Dubai registrou mais de 80 mil cancelamentos de aluguéis de curta duração.

Especialistas apontam que a dependência da proteção americana, embora tenha mantido a região isolada de conflitos por décadas, agora expõe limites dessa estratégia. Países do Golfo investiram fortemente em vigilância, segurança e relações com Washington, mas não foram consultados antes do início das hostilidades.

“A guerra mostra que a segurança do Golfo depende, em grande parte, de decisões externas. Recuperar a confiança de investidores e turistas dependerá da duração do conflito”, afirma Elham Fakhro, pesquisadora do Centro Belfar da Universidade Harvard.

O prolongamento da guerra ameaça acelerar a saída de expatriados, a fuga de capitais e o atraso na retomada da produção de petróleo. Para especialistas, a solução duradoura passa pelo estabelecimento de relações próprias com o Irã, evitando que decisões externas continuem transformando a região em alvo.

Fonte: G1

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