Mundo Hiperparasita em forma de “chifre” é identificado por cientistas em floresta de Bornéu Redação22 de junho de 202606 visualizações Pesquisadores da Malásia identificaram uma nova espécie de fungo hiperparasita durante expedições científicas nas florestas de Bornéu. O organismo, batizado de Pleurocordyceps cornusynnemata, se destaca por uma estrutura incomum em formato de chifre, nunca antes observada nesse grupo de fungos. O estudo foi publicado no New Zealand Journal of Botany em 2 de junho. Segundo os cientistas, o fungo não ataca diretamente insetos, mas parasita outro fungo já conhecido por infectar formigas e alterar seu comportamento antes de levá-las à morte. Esse fungo “hospedeiro” é o Ophiocordyceps, popularmente chamado de “fungo zumbi”, que invade o corpo da formiga, controla seu comportamento e utiliza seus tecidos para se reproduzir. No caso recém-descoberto, o Pleurocordyceps cornusynnemata cresce sobre o próprio fungo zumbi, utilizando-o como fonte de alimento. Os pesquisadores classificam esse comportamento como hiperparasitismo, quando uma espécie parasita outra já parasita. A descoberta foi feita no Vale de Danum, no estado de Sabah, na Malásia, onde os cientistas encontraram uma formiga morta já infectada pelo fungo zumbi e, sobre ele, o novo organismo. De acordo com os autores do estudo, esta é a primeira espécie do gênero Pleurocordyceps a apresentar a estrutura em forma de chifre, o que amplia o conhecimento sobre a diversidade desse grupo de fungos. Durante as mesmas expedições em Bornéu, outras espécies raras também foram registradas, incluindo fungos associados a aranhas, reforçando o avanço das pesquisas sobre organismos entomopatogênicos — que infectam insetos e outros artrópodes. Os cientistas destacam que essas descobertas têm importância não apenas biológica, mas também potencial aplicação no controle de pragas agrícolas e no desenvolvimento de substâncias com uso farmacêutico. O estudo reforça a alta biodiversidade das florestas tropicais do Sudeste Asiático e indica que ainda há diversas espécies e interações ecológicas desconhecidas pela ciência. Fonte: METRÓPOLES