Copa do Mundo Saúde Jogos do Brasil na Copa elevam risco de problemas cardíacos e aumentam internações, apontam estudos Redação19 de junho de 202606 visualizações A emoção provocada pelos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo pode ter impactos reais na saúde cardiovascular. Estudos citados por especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital do Coração (Hcor) apontam que o risco de complicações cardíacas pode aumentar em até 16% durante partidas do Brasil no Mundial. Uma pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, publicada em 2014, analisou dados de internações por doenças cardíacas durante as Copas do Mundo realizadas entre 1998 e 2010. O levantamento constatou que as internações por problemas do coração aumentam, em média, 9% durante o período do torneio. O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Em 2002, pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra, estudaram a campanha inglesa na Copa de 1998. Eles identificaram um aumento de 25% nos casos de infarto do miocárdio entre a data da eliminação da Inglaterra para a Argentina nos pênaltis e os dois dias seguintes, totalizando 270 internações no período. Resultado semelhante foi observado nos Países Baixos. Um estudo realizado em 2000 verificou que, após a eliminação da seleção holandesa para a França na Eurocopa de 1996, houve 14 mortes adicionais por complicações cardíacas em comparação com períodos equivalentes analisados pelos pesquisadores. Outro levantamento, realizado pela Universidade de Bielefeld, na Alemanha, monitorou 229 torcedores por meio de smartwatches. Os resultados mostraram que quem assistiu às partidas no estádio apresentou frequência cardíaca média de 94 batimentos por minuto, enquanto os torcedores que acompanharam os jogos pela televisão registraram média de 79 batimentos por minuto. Segundo o cardiologista Jorge Koroishi, do Hcor, partidas de maior tensão, como decisões por pênaltis, confrontos contra rivais históricos ou jogos eliminatórios, tendem a elevar ainda mais os riscos. De acordo com o especialista, a descarga de adrenalina durante momentos de forte emoção provoca aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Em pessoas que já possuem doenças coronarianas, essas alterações podem desencadear eventos agudos, como infartos. Além da emoção, fatores como calor excessivo, baixa umidade do ar, desidratação e consumo exagerado de bebidas alcoólicas também podem aumentar os riscos cardiovasculares durante os jogos. A professora Janieire Nunes, do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da USP, alerta para sinais que exigem atenção imediata, como palpitações intensas, dores de cabeça associadas ao aumento da pressão arterial, pressão ou dor no peito e nas costas, além de náuseas, mal-estar e sensação de angústia. Especialistas destacam ainda que fatores como hipertensão, colesterol elevado, obesidade abdominal, estresse, depressão, sedentarismo, tabagismo, diabetes e alimentação inadequada estão relacionados a cerca de 90% dos casos de infarto registrados no Brasil. Fonte: GQ