A Justiça de Itu, no interior de São Paulo, condenou Thiago Zumiotti da Silva a cinco anos de prisão por tráfico de drogas e desobediência. O caso ganhou repercussão nacional após um juiz conceder liberdade provisória ao acusado mesmo após a apreensão de mais de 200 kg de pasta-base de cocaína, classificando a quantidade como “pequena” e “não exacerbada”.
A nova sentença foi assinada pela juíza Andrea Ribeiro Borges. Segundo a decisão, Thiago deverá cumprir pena em regime semiaberto. A defesa informou ao Metrópoles que já recorreu da condenação.
De acordo com a advogada Ludmilla Machado, a quantidade de drogas não impediria o reconhecimento do chamado tráfico privilegiado. A defesa sustenta que o acusado é réu primário, possui bons antecedentes e não integra organização criminosa. “Cercear o direito ao benefício é ceifar a ressocialização do indivíduo que errou apenas uma vez”, afirmou.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) também recorreu da decisão judicial, embora os detalhes do recurso não tenham sido divulgados.
O caso se tornou alvo de forte debate em agosto de 2025, quando o juiz Marcelo Nalesso Salmaso concedeu liberdade provisória a Thiago durante audiência de custódia. Na ocasião, o magistrado afirmou que os mais de 200 kg de pasta-base de cocaína apreendidos não representavam uma quantidade “exacerbada” e seriam uma “pequena quantidade”.
A decisão provocou reação imediata do então secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, que criticou publicamente o entendimento do juiz nas redes sociais. Derrite classificou a medida como “decisão absurda” e afirmou que ela representava desrespeito ao trabalho policial e à população.
Após a repercussão negativa, o magistrado publicou uma retificação alegando que houve erro na utilização de um texto-modelo padronizado para casos de liberdade provisória em crimes de tráfico. No novo despacho, Salmaso reconheceu que a quantidade apreendida era de “elevada monta”.
Mesmo assim, o juiz manteve a liberdade provisória ao entender que não havia indícios de participação do acusado em organização criminosa nem provas de que ocupasse posição relevante na cadeia do tráfico.
Thiago acabou preso novamente em outubro do ano passado. Agora, com a condenação definida pela Justiça de Itu, o processo entra em nova fase com recursos apresentados tanto pela defesa quanto pelo Ministério Público.
Fonte: METRÓPOLES