Na manhã desta quarta-feira, 25 de junho, a Comissão de Segurança do Legislativo promoveu uma audiência pública sobre ações e medidas adotadas pelos órgãos de segurança pública. De acordo com o presidente da Comissão, vereador Rafa Marques, o encontro foi planejado para reunir as entidades que atuam na cidade, com a finalidade de apresentar dados e propor soluções de forma integrada.
Segundo o vereador Delegado Mesquita, há um aumento do desencarceramento e dos diplomas despenalizadores, o que favorece a sensação de impunidade. Mesquita também criticou o sucateamento da polícia, durante três décadas, com salários baixos e defasagem do efetivo. “O cidadão tem o direito de cobrar uma segurança pública de qualidade e estamos aqui para buscar soluções.”
O vereador Daniel Santos falou sobre o aumento das pessoas em situação de rua em Guarulhos, sobretudo, provenientes de São Paulo, da cracolândia e reforçou a importância de atuar na prevenção, combatendo o tráfico de drogas. “Um dos fatos que leva a pessoa a efetuar crimes e roubos é o uso de drogas; se não houver um trabalho de conscientização nas escolas não adianta o trabalho de repressão na vida adulta”, ressaltou.
O vereador e ex-secretário de Segurança Pública, Gilvan Passos disse que todo investimento em segurança parece pouco. “A segurança pública enxuga gelo; o agente público entra em uma viatura, muitas vezes, sem condição nenhuma; e ainda não tem o mecanismo de tirar da rua a pessoa que dá trabalho; você prende e leva alguns minutos ela está solta.”
O representante da Polícia Militar, Willian Gelonezze Ramos, afirmou que houve uma redução de 9% dos furtos na cidade de Guarulhos, além do remanejamento de 120 novos policiais pelo Governo do Estado e do encaminhamento de 100 câmeras corporais com reconhecimento facial de criminosos.
Para o representante da Polícia Civil, delegado titular do 4º DP, Nelson de Queiroz Motta, é necessário aumentar a quantidade de profissionais, pois os inquéritos policiais demandam muitos procedimentos burocráticos que necessitam de mão de obra. “O problema de contingente é muito sério, atendemos pessoas que são vítimas de centenas de crimes; esses atendimentos geram inquéritos que demandam muito trabalho dos escrivães e dos delegados para que vire um procedimento criminal e chegue à justiça; é um caminho muito longo; é preciso investir no ser humano e espero que um dia alcancemos o reconhecimento profissional”, explicou.
Para a chefe da 1ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Guarulhos, Tânia Geittenes Tondelo, o número de profissionais é inferior à demanda. “Temos um trabalho muito sério com as forças de inteligência, mas nosso efetivo ordinário é de três viaturas em uma área muito grande; a gente tenta fazer milagres, mas é trabalho de formiguinha, porque somos poucos.”
O comandante da Guarda Civil Municipal, Adjomar Sousa da Silva disse que o número de operações na cidade cresceu. Em comparação com o ano passado, de janeiro a abril, o número de operações subiu de 24 para 693 operações; mapeamos 25 locais com pancadões, com perturbação do sossego em baile funk, e 14 foram encerrados em definitivo. “
O secretário de Segurança Pública de Guarulhos, coronel Gilson Hélio Jesus dos Santos, afirmou que a propagação de notícias falsas aumenta a sensação de insegurança da população de Guarulhos. “As mídias divulgam notícias sem checar, porque gera mais visualização, mas isso promove a falsa sensação de insegurança; fake news, multiplica a instabilidade da população e isso é uma irresponsabilidade; a nossa preocupação é com a integração e a união das forças para promover a segurança do cidadão, a paz e o equilíbrio social.” Diversos parlamentares utilizaram a tribuna para falarem sobre os problemas de segurança da cidade de Guarulhos.
No encerramento da audiência, o presidente da Comissão de Segurança, Rafa Marques, falou sobre a necessidade de aumentar o orçamento destinado à segurança pública. “Acredito que todas as formas de incentivo e remuneração aos policiais militares são viáveis, mas deixo a ressalva, desde que pague a GCM também, porque ela tem um salário defasado, não conseguimos avançar porque o orçamento da segurança é enxuto; eu defendo que é necessário dobrar o orçamento da segurança, para pagar melhores remunerações, conseguir condições dignas para nossos policiais, tanto militares quanto municipais.”