Imagens de câmeras de segurança apreendidas por promotores de Justiça que combatem o crime organizado revelaram que Silvio Luiz Ferreira, o Cebola, um dos chefes do PCC, foragido há mais de 10 anos, frequentava um apartamento de luxo no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo.
O imóvel, avaliado em R$ 3,7 milhões, está em nome da AHS Empreendimentos e Participações, do advogado Ahmed Hassan Saleh, o Mude, alvo de duas operações de grande envergadura no ano passado — a Fim da Linha, que apurava o envolvimento do PCC em empresas de ônibus, e a Tacitus, sobre o assassinato de Vinícius Gritzbach.
As imagens que mostram o chefe do PCC foram gravadas no dia 5 de abril de 2024, entre 17 e 18 horas. Na ocasião, Cebola estava acompanhado de Ahmed e da mulher dele, aparentemente para acompanhar a finalização do imóvel, segundo os promotores.
As imagens do dia 8 de abril de 2024, véspera da Operação Fim da Linha, por exemplo, mostram a mulher de Ahmed e uma mulher não identificada descarregando utensílios domésticos novos e um homem não identificado realizando a limpeza dos vidros do apartamento.
O que diz a defesa de Cebola
O advogado Anderson Minichillo, que faz a defesa de Cebola disse que o imóvel nunca foi do seu cliente e que ele esteve no local para sabe de seus processos.
“O imóvel nunca foi do meu cliente, inclusive desde a compra, todo o projeto de arquitetura foi direcionado as particularidades e gosto do advogado Ahmed, dono do imóvel. Silvio esteve no local para assinatura de procuração e saber dos andamentos de seus processo, pois há época era cliente do Dr. Ahmed. Conheceu o imóvel neste dia e nunca residiu nele”, disse.
Quem é Cebola
Silvio Luiz Ferreira, o Cebola, tem 45 anos e está foragido desde 2014, quando foi beneficiado por um habeas corpus. No ano passado, ele foi um dos alvos da Operação Fim da Linha do MP, suspeito de controlar a UPBus, empresa de ônibus que operava linhas na Zona Leste da capital paulista.
Durante a operação, os policiais apreenderam na casa dele dois fuzis, uma submetralhadora, cinco pistolas e um revólver, além de centenas de munições.
Cebola está condenado a 14 anos de prisão. Também é réu num processo por lavagem de dinheiro e associação criminosa, suspeito de movimentar mais de R$ 1 bilhão do PCC entre 2018 e 2019.
Fonte: G1