O que aconteceu no México, na Colômbia e na Venezuela após organizações serem classificadas como terroristas pelos EUA

por Redação

A experiência recente de México, Colômbia e Venezuela com a classificação de organizações criminosas como “terroristas” pelos Estados Unidos mostra um conjunto de efeitos relativamente consistentes — sobretudo no campo financeiro, jurídico e diplomático — mas com impacto limitado na redução imediata da violência.

No México, onde cartéis como Sinaloa e Jalisco Nova Geração foram incluídos em listas de organizações terroristas, o principal efeito foi o endurecimento do ambiente financeiro e institucional. Houve aumento de sanções contra indivíduos e empresas, maior escrutínio bancário e elevação dos custos de compliance para setores como agronegócio, logística e comércio exterior. Também cresceu a pressão diplomática sobre autoridades mexicanas, com investigações e acusações envolvendo políticos e servidores públicos. Apesar disso, especialistas apontam que não houve enfraquecimento significativo das organizações criminosas, que seguem atuando com alta capacidade operacional.

Na Colômbia, além das sanções a indivíduos ligados ao narcotráfico, o impacto teve forte componente político. O entorno do governo passou a ser mais monitorado, e autoridades e familiares de figuras políticas chegaram a ser incluídos em listas de sanções. Isso gerou tensão institucional e preocupação no ambiente de negócios, com empresas ajustando práticas para evitar qualquer associação indireta com pessoas sancionadas. Ainda assim, não há evidência de redução relevante da atividade de grupos armados e organizações criminosas.

Na Venezuela, o caso mais frequentemente citado como exceção envolve o Trem de Arágua. Relatos de especialistas indicam sinais de fragmentação e enfraquecimento relativo da estrutura, atribuídos a uma combinação de sanções, prisões e cooperação internacional. Mesmo assim, não se trata de desarticulação completa, mas de reorganização e dispersão do grupo.

Em comum entre os três países, a designação pelos EUA produz efeitos principalmente através do sistema financeiro internacional. A inclusão na lista do OFAC bloqueia ativos, amplia restrições a transações e impõe risco jurídico a qualquer pessoa ou empresa que mantenha relações com indivíduos ou entidades vinculadas aos grupos. Isso leva a um efeito indireto amplo: aumento de custos operacionais, maior rigidez bancária e retração de investimentos em setores expostos a risco reputacional.

Outro ponto recorrente é a ampliação do alcance jurídico das acusações nos Estados Unidos. A classificação como terrorismo permite enquadramentos mais severos, penas mais altas e acusações como “apoio material a organização terrorista”, além de maior cooperação internacional para extradições.

Apesar desses efeitos, estudos e análises citados indicam que o impacto direto na criminalidade é limitado no curto prazo. Em alguns casos, houve aumento de custos logísticos (entre 8% e 12%) e alta de seguros (até 30%), além de maior rigor bancário em regiões afetadas. Isso levou empresas a reforçar mecanismos de verificação e compliance para evitar sanções indiretas.

Por fim, especialistas apontam uma ambivalência na estratégia: ao mesmo tempo em que amplia a pressão financeira e jurídica sobre essas organizações, pode incentivar adaptação estrutural, maior sofisticação e até processos de desdolarização para reduzir exposição ao sistema financeiro dos EUA.

Fonte: G1

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