São Paulo Obra irregular bloqueia mirante histórico na Freguesia do Ó e expõe falhas na fiscalização Redação14 de abril de 2026012 visualizações A vista de um dos pontos mais simbólicos da Zona Norte de São Paulo foi interrompida após uma obra irregular. O mirante do Largo da Matriz da Freguesia do Ó está com a paisagem bloqueada por tapumes há cerca de dez dias, após a construção não autorizada em um terreno vizinho derrubar parte da mureta de proteção. A previsão é que o bloqueio permaneça ao menos até o início de maio. Segundo a prefeitura, o responsável iniciou a construção de um comércio de pequeno porte mesmo após ter o pedido de alvará indeferido em 2 de abril por falta de documentação. A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (Smul), em conjunto com a subprefeitura, embargou a obra no último dia 7, permitindo apenas intervenções de segurança, como a reconstrução do muro. O prazo estimado para essas ações é de 30 dias. O terreno fica na rua Jesuíno de Brito, dentro da área de proteção do Largo da Matriz, que limita construções a até 8 metros de altura. Apesar da irregularidade, não houve aplicação de multa até o momento, e o responsável ainda pode solicitar a reavaliação do projeto junto à prefeitura. O impacto vai além do bloqueio físico. Tradicional ponto de encontro, o mirante tem cerca de 15 metros de largura e oferece uma das raras vistas abertas para o centro da cidade em meio à verticalização. Comerciantes e moradores relatam preocupação com a possível perda definitiva da paisagem. “Sempre foi uma vista muito bonita, as pessoas vinham tirar fotos”, afirma João Machado de Siqueira Filho, da tradicional Pizzaria Bruno, no local desde 1939. A situação ocorre em meio a um projeto de requalificação urbana previsto desde 2021, que inclui a criação de um polo gastronômico na região. Um parecer da SP Urbanismo aponta o terreno da obra como estratégico para preservar o campo visual do conjunto histórico e sugere sua desapropriação. Entre as propostas estão a construção de um deck elevado, alargamento de calçadas e espaços para eventos culturais. Com investimento estimado em R$ 21,2 milhões e ordem de início já assinada, o projeto pode redefinir o futuro do mirante. A prefeitura afirma que, caso o terreno seja incorporado ao patrimônio público, haverá ajustes no plano e consulta à população local. Fonte: G1