Sem categoria Operação contra Jaques Wagner expõe acordo de silêncio entre rivais na Bahia Redação22 de junho de 2026014 visualizações O grupo político de ACM Neto (União Brasil), principal adversário do PT na Bahia, evitou explorar publicamente a operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o senador Jaques Wagner, candidato à reeleição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A postura reforça um acordo de bastidores revelado anteriormente, segundo o qual petistas e aliados do ex-prefeito de Salvador decidiram manter fora da disputa eleitoral estadual o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Jaques Wagner é investigado por suspeitas de atuar em favor dos interesses de Vorcaro e de seu ex-sócio Augusto Lima no Congresso em troca de supostas vantagens indevidas. A PF aponta que o senador teria defendido projetos relevantes para o Banco Master, incluindo a chamada “emenda Master”, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em contrapartida, segundo a investigação, Wagner teria recebido benefícios como uso de aeronave, ingressos para shows internacionais e um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador. Apesar da repercussão da operação, ACM Neto evitou abordar o tema nas redes sociais e adotou tom cauteloso ao ser questionado por jornalistas. O ex-prefeito afirmou que cabe ao Judiciário conduzir o caso e defendeu uma investigação completa, isenta e correta, com eventual punição de responsáveis após a conclusão das apurações. A cautela também está ligada ao fato de que a campanha de ACM Neto foi atingida por revelações envolvendo o Banco Master. Documentos entregues por Vorcaro à Receita Federal apontam pagamentos de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito por meio de sua empresa de consultoria entre 2023 e 2025. As conexões de ambos os grupos com o banco ajudaram a reduzir os ataques públicos entre os adversários. Quem decidiu confrontar Wagner foi João Roma, presidente do PL na Bahia e candidato ao Senado na chapa de ACM Neto. Nas redes sociais, Roma classificou as suspeitas como graves e cobrou investigações independentes, além de criticar a postura do senador diante das acusações. A disputa eleitoral na Bahia reedita o embate de 2022 entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto. O petista venceu o segundo turno daquele ano com 52,8% dos votos, e a pesquisa Genial/Quaest de abril apontou empate técnico entre ambos. Na corrida pelas duas vagas ao Senado, Rui Costa e Jaques Wagner representam o campo petista, enquanto João Roma e Angelo Coronel disputam pelo bloco de direita. A investigação também expôs a relação de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Segundo a PF, a aproximação remonta ao governo Rui Costa, quando Lima adquiriu a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e expandiu operações ligadas ao cartão Credcesta em parceria com o Banco Master. A PF afirma ainda que Wagner apresentou, em 2022, uma emenda a uma Medida Provisória que beneficiaria a instituição financeira. O senador nega ter recebido valores do banco ou atuado para favorecê-lo. ACM Neto, por sua vez, sustenta que sua relação profissional com o Banco Master ocorreu por meio de contrato de consultoria firmado quando os sócios da empresa não ocupavam cargos públicos. Segundo ele, o trabalho consistia em análises da agenda político-econômica nacional e participação em reuniões com representantes da instituição. Fonte: G1