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Pix vira alvo dos EUA e levanta suspeitas de pressão das gigantes dos cartões

As críticas do governo dos Estados Unidos ao Pix ganharam força após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) incluir o sistema brasileiro de pagamentos entre os fatores analisados em uma investigação comercial que pode resultar em tarifas de 25% sobre exportações brasileiras.

Especialistas ouvidos pelo jornal O Globo afirmam que as acusações se parecem mais com uma reação à concorrência tecnológica do que com uma denúncia de prática comercial desleal. Entre as alegações do USTR estão a de que o Banco Central favoreceria o Pix em detrimento de empresas americanas de pagamentos e a de que haveria conflito de interesse por atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema.

Os argumentos reproduzem manifestações apresentadas por entidades empresariais dos Estados Unidos, como a Information Technology Industry Council (ITI), a Câmara de Comércio dos EUA e o Conselho de Negócios Internacionais dos EUA (USCIB). Entre os associados dessas organizações estão gigantes da tecnologia e operadoras de cartões como Visa e Mastercard.

O avanço do Pix tem reduzido a dependência de meios tradicionais de pagamento, substituindo operações que antes passavam por cartões de débito e crédito. Relatórios da Fitch Ratings e da consultoria PCMI apontam que funcionalidades como Pix Parcelado e Pix Automático ampliam ainda mais a concorrência direta com as bandeiras de cartões.

Dados analisados pela fintech Ebanx mostram que, em 2024, o Pix se tornou o meio de pagamento mais utilizado no comércio eletrônico brasileiro, respondendo por 42% do valor total das compras online. A projeção é que essa participação alcance 50% até 2028.

Para José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários da FGV Ibre e ex-diretor do Banco Central, classificar o Pix como prática comercial injusta representa uma “grande forçada de barra”. Segundo ele, o sistema trouxe mais eficiência ao mercado de pagamentos e ampliou a inclusão financeira da população.

Já Ernani Teixeira Torres Filho, professor da UFRJ, avalia que a Casa Branca parece ter aderido ao lobby das operadoras americanas de cartões. Ele destaca que o modelo de negócios dessas empresas depende da cobrança de taxas sobre consumidores e estabelecimentos comerciais, estrutura que perde espaço com a expansão do Pix.

A Febraban também saiu em defesa do sistema brasileiro. A entidade ressaltou que o Pix não é um produto comercial, mas uma infraestrutura de pagamentos aberta e não discriminatória, disponível para bancos, fintechs e instituições financeiras nacionais e estrangeiras.

Fonte: OGLOBO

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