A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) publicou nesta quinta-feira (2) a portaria de inatividade que coloca em reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso acusado de feminicídio da esposa, a PM Gisele Alves Santana. A medida garante aposentadoria integral ao oficial, com salário estimado em R$ 21 mil, proporcional à idade de 53 anos, valor inferior aos R$ 28,9 mil brutos recebidos em fevereiro.
O pedido de aposentadoria foi feito pelo próprio tenente-coronel, e a corporação ressalta que a medida não impede o andamento do conselho de justificação, que pode resultar em demissão e perda de patente. A Secretaria da Segurança Pública afirmou que os processos administrativos e judiciais continuam válidos mesmo após a transferência para a reserva.
Geraldo Neto foi preso preventivamente em 18 de março, acusado de feminicídio e fraude processual. Inicialmente, alegou que a esposa havia se suicidado, mas investigações da Polícia Civil, baseadas em laudos e análise de celular, apontaram inconsistências na versão do tenente-coronel. Mensagens apagadas do aparelho de Gisele indicam discussões sobre divórcio, contrariando a narrativa do suspeito.
Testemunhas relataram episódios anteriores de agressividade e comportamento controlador do oficial, tanto dentro quanto fora do quartel, incluindo supostos sufocamentos e restrições ao comportamento da vítima.
O advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, criticou a rapidez com que o tenente-coronel conseguiu a aposentadoria e questionou a manutenção do benefício durante o processo judicial: “Não é justo que esse cidadão continue recebendo valor às custas da população”.
Fonte: G1