Brasil Sabatina de Jorge Messias ao STF deve virar embate político com foco em Lula, “Bessias” e caso Master Redação10 de abril de 202609 visualizações A sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para o dia 29, deve se transformar em um dos principais palcos de disputa política no Senado. Parlamentares da oposição articulam uma ofensiva centrada em três pontos: a proximidade do indicado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, episódios de sua trajetória — como o apelido “Bessias” — e o avanço das investigações envolvendo o Banco Master. Nos bastidores, senadores indicam que a análise não deve se limitar ao currículo jurídico de Messias, mas avançar para um teste político sobre sua independência e atuação institucional. A estratégia inclui resgatar episódios do passado para reforçar questionamentos sobre sua trajetória. Um dos principais alvos deve ser o episódio de 2016, quando Messias foi citado em uma conversa entre Lula e a então presidente Dilma Rousseff, interceptada pela Polícia Federal no contexto da Operação Lava-Jato. Na ocasião, Dilma mencionou o envio de um documento por meio de “Bessias”, apelido que passou a acompanhar o atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). O caso teve ampla repercussão e deve ser usado para sustentar críticas sobre o perfil político do indicado. A relação direta com Lula também deve ser explorada. À frente da AGU, Messias atua na defesa jurídica do Executivo, posição que o coloca no centro de disputas institucionais. Senadores avaliam que esse histórico levanta dúvidas sobre sua capacidade de atuar com autonomia no STF. Entre os pontos de tensão recentes está a atuação da AGU na agenda de transparência das emendas parlamentares. A criação de um grupo de trabalho para tratar irregularidades, em cumprimento a decisões do Supremo, gerou incômodo no Congresso. Outro episódio citado nos bastidores é o pedido de revisão de uma decisão do ministro Gilmar Mendes sobre regras de impeachment de integrantes da Corte, interpretado como tentativa de equilibrar pressões entre os Poderes. O caso do Banco Master também deve entrar no radar da sabatina. A investigação, que mobiliza o Congresso e o STF, levanta questionamentos sobre governança e relações institucionais. Parlamentares pretendem usar o tema para avaliar a postura de Messias diante de casos de alto impacto político e econômico. A expectativa é de uma sessão marcada por forte exposição pública e cobranças diretas sobre independência, relação com os Poderes e atuação em crises institucionais. Apesar da pressão, aliados do governo avaliam que Messias tem apoio suficiente para avançar. Caso seja aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o nome ainda será submetido ao plenário do Senado no mesmo dia. Fonte: OGLOBO