Um servidor público de Amélia Rodrigues, no interior da Bahia, foi condenado pela Justiça após amputar o próprio pé em um caso investigado como tentativa de fraude para recebimento de indenização de seguros que somavam até R$ 1,5 milhão. O episódio ocorreu em 2019, mas a condenação foi confirmada em 2025.
Segundo as investigações, Vanderley dos Santos Gomes contratou quatro seguros de vida e acidentes pessoais entre junho e julho de 2019. Um mês depois, ele teria simulado um assalto em uma estrada rural de São Gonçalo dos Campos e provocado a própria amputação do pé direito na madrugada de 10 de julho daquele ano.
O caso foi inicialmente registrado como roubo. De acordo com o relato, o membro amputado foi colocado em uma mochila e posteriormente encontrado junto aos pertences que teriam sido levados pelos supostos criminosos.
Dias após o episódio, o servidor passou por atendimento médico e cirurgia e iniciou pedidos de indenização que poderiam chegar a R$ 1,5 milhão. A movimentação simultânea de múltiplas apólices levantou suspeitas das seguradoras, que acionaram sistemas de inteligência antifraude.
As investigações da Polícia Civil e das seguradoras apontaram inconsistências na versão apresentada. Entre os elementos considerados suspeitos estavam a contratação recente de vários seguros, a ausência de motivação plausível para o suposto crime e a tentativa rápida de acionar indenizações.
Laudos periciais indicaram ainda que a amputação não teria sido compatível com agressões típicas de um assalto. Os peritos concluíram que o procedimento indicava conhecimento técnico, o que reforçou a tese de simulação.
A Justiça da Bahia condenou o servidor por estelionato, com pena de 2 anos de reclusão, convertida em prestação de serviços comunitários por 720 horas e pagamento de R$ 7.590. A decisão transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso.
A defesa tentou levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o pedido não foi aceito. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) manteve a condenação, com base em provas documentais, laudos e depoimentos colhidos durante o processo.
Segundo a acusação, a sequência de contratações de seguros e o valor das apólices foram incompatíveis com a renda do servidor, indicando planejamento prévio da fraude. A defesa nega o crime e afirma não haver provas de que o réu tenha planejado ou provocado a própria lesão.
O caso é citado por advogados das seguradoras como exemplo de fraude estruturada no setor, que movimenta bilhões em indenizações evitadas por mecanismos de detecção.
Fonte: G1