Vaticano excomunga padre e igreja no DF; veja o que muda para os fiéis

por Redação

A excomunhão aplicada pelo Vaticano ao padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa e à Capela Santo Atanásio, em Ceilândia, no Distrito Federal, traz consequências diretas para a vida religiosa da comunidade. A decisão, confirmada pela Arquidiocese de Brasília no sábado (11), torna inválidos alguns sacramentos e classifica como ilícitos diversos atos religiosos realizados no local, segundo o direito canônico.

A medida foi adotada após a adesão da comunidade à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo de católicos tradicionalistas que, segundo o Vaticano, entrou em cisma com a Igreja Católica após ordenar quatro bispos sem autorização da Santa Sé e desafiar o papa Leão XIV.

O Vaticano declarou que padres e fiéis que aderirem formalmente à fraternidade passam a estar em situação de cisma e excomungados.

O que muda com a excomunhão

Em nota explicativa, a Arquidiocese de Brasília informou que a punição produz efeitos práticos para os sacramentos celebrados na Capela Santo Atanásio.

Entre eles:

  • As confissões (Sacramento da Penitência) e os casamentos religiosos (Sacramento do Matrimônio) passam a ser considerados nulos e inválidos;
  • Os atos ministeriais realizados pelo padre Françoá, como missas, consagração da hóstia, batismos, confissões e unção dos enfermos, são considerados ilícitos;
  • Fiéis que permanecerem vinculados à comunidade e não reconhecerem a excomunhão determinada pelo papa Leão XIV também poderão ser considerados cismáticos e excomungados.

O arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa, afirmou que todas as celebrações, atividades pastorais e ações promovidas pela Capela Santo Atanásio são consideradas irregulares por não estarem em comunhão com o Romano Pontífice nem com a Arquidiocese de Brasília. A orientação é para que os católicos evitem participar dessas atividades devido ao risco de aderirem ao mesmo cisma.

A Arquidiocese também conclamou os fiéis a permanecerem vinculados à Igreja Católica e ao colégio episcopal, renunciando à participação na Capela Santo Atanásio, além de evitar ambientes que incentivem a ruptura da unidade da Igreja.

Padre rejeita a excomunhão

Após a divulgação da decisão, o padre Françoá Rodrigues declarou nas redes sociais e confirmou à TV Globo que não reconhece a punição e continuará celebrando missas na capela.

Em vídeo publicado no sábado (11), intitulado “Resposta aos inimigos”, o sacerdote afirmou considerar “inválidas” e “nulas” as excomunhões e acusações de cisma contra integrantes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Segundo ele, as missas continuarão sendo celebradas diariamente, mantendo a oração pelo papa Leão XIV e pelo arcebispo de Brasília.

Nos comentários da publicação, Françoá afirmou que tinha conhecimento da nota da Arquidiocese e disse que responderia ao documento.

Contestação sobre o cisma

O padre também contestou a classificação da Fraternidade São Pio X como grupo cismático.

Em sua manifestação, argumentou que uma eventual desobediência ao papa não significa necessariamente um cisma. Segundo Françoá, a fraternidade reconhece Leão XIV como papa, cita o pontífice durante as missas e mantém comunhão com a Igreja naquilo que considera essencial à fé católica.

Em outro vídeo publicado em 5 de julho, o sacerdote afirmou que nem ele nem os fiéis da Capela Santo Atanásio abandonariam a Fraternidade São Pio X por receio de excomunhões ou outras sanções.

Entenda o conflito

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X reúne católicos tradicionalistas que defendem a reversão de parte das mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II.

Entre suas principais posições estão o retorno das missas em latim, celebrações voltadas para o altar e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas pela Igreja Católica nas últimas décadas.

A atual crise começou após a ordenação de quatro bispos sem autorização da Santa Sé, em uma cerimônia realizada em 1º de julho, na cidade de Écône, na Suíça.

O Vaticano classificou o ato como cismático, decretou a excomunhão dos bispos envolvidos e afirmou que sacerdotes e fiéis que aderirem formalmente ao grupo também passam a estar em situação de cisma e excomunhão.

A Fraternidade São Pio X rejeita a decisão e sustenta que as ordenações foram necessárias para garantir a continuidade de suas atividades religiosas.

O conflito entre o grupo e o Vaticano remonta a 1988, quando o fundador da fraternidade, Marcel Lefebvre, ordenou quatro bispos sem autorização do papa João Paulo II. Na época, os envolvidos foram excomungados. Em 2009, o papa Bento XVI revogou essa punição como tentativa de aproximação, embora a situação canônica da fraternidade tenha permanecido irregular.

Fonte: G1

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