Vizinho ouviu suspeito cavando de madrugada antes de professora ser enterrada no quintal

Um vizinho da professora Elisângela Barbosa de Almeida relatou à Polícia Civil ter ouvido o marido da vítima cavando o quintal da residência dias antes de o corpo ser encontrado, mas afirmou que não suspeitou de um crime. O caso ocorreu no bairro Vila São João, em Pariquera-Açu, no interior de São Paulo, e terminou com a prisão e confissão do companheiro, Jacemir Bueno de Almeida.

Segundo o depoimento, o homem escutou, por volta das 3h de terça-feira (21), um barulho semelhante ao uso de enxada, como se alguém estivesse escavando o solo. Apesar de ter estranhado o horário, ele disse que não ouviu discussões na casa e, por isso, não imaginou a gravidade da situação. Nos dias seguintes, o comportamento de Jacemir também não levantou suspeitas, já que ele manteve a rotina normalmente, inclusive praticando ciclismo.

Elisângela foi considerada desaparecida por cinco dias, até que a irmã registrou ocorrência após desconfiar de mensagens enviadas do celular da vítima. De acordo com a investigação, após o crime, o suspeito utilizou o aparelho para se passar pela professora, enviando textos a familiares e amigos afirmando que teria deixado a cidade para viver com um suposto amante em Paranaguá (PR). O conteúdo e a forma de escrita levantaram suspeitas.

As mensagens indicavam uma separação e relatavam que a vítima teria saído de casa com poucos pertences, enquanto o filho permanecia com o pai. Paralelamente, Jacemir também criou um perfil falso nas redes sociais simulando um relacionamento da professora com outra pessoa, chegando a publicar conteúdos e interagir com familiares, que desconfiaram e pediram provas de identidade, sem sucesso.

Ao ser ouvido inicialmente, o suspeito alegou que Elisângela havia saído voluntariamente. No entanto, uma informação aparentemente desconexa — sobre um cano estourado na residência — chamou a atenção dos investigadores. Ao verificarem o imóvel com apoio do Corpo de Bombeiros, os agentes encontraram o corpo da vítima enterrado no quintal.

Informalmente, Jacemir confessou ter agredido a companheira durante uma discussão. Segundo seu relato, após um tapa, ela caiu, ficou desacordada e começou a convulsionar. Em desespero, decidiu enterrá-la. O delegado responsável solicitou a prisão preventiva por feminicídio majorado e violência doméstica, pedido aceito pela Justiça em audiência de custódia no sábado (25). O crime é considerado agravado porque o filho do casal estava na residência, embora em outro andar.

O caso foi registrado como feminicídio, ocultação de cadáver e violência doméstica. A Polícia Civil apreendeu dispositivos eletrônicos do suspeito e segue investigando a motivação do crime.

A morte de Elisângela gerou comoção na cidade. Funcionária pública municipal e professora da rede estadual, ela recebeu homenagens da Prefeitura de Pariquera-Açu e da Diretoria de Ensino de Registro, que destacaram sua dedicação à educação. O velório e o sepultamento ocorreram no domingo (26), no Cemitério Municipal.

Fonte: G1

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