Mensagens de celular revelaram que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto, preso sob acusação de matar a esposa, também policial militar, teria assediado sexualmente uma subordinada durante oito meses em São Paulo.
Os prints de WhatsApp mostram conversas enviadas entre junho de 2025 e março de 2026 à soldado Rariane Generoso. Em uma das mensagens, o oficial pergunta: “Quer namorar comigo?”. Em outra, escreve: “Não vejo a hora de te dar um beijo bem gostoso nessa sua boca deliciosa”.
À época das mensagens, Neto era casado com a soldado Gisele Alves, morta em fevereiro deste ano após ser baleada no apartamento do casal, no Brás, região central da capital paulista.
Segundo a denúncia apresentada à Corregedoria da PM pelo advogado de Rariane, o oficial insistiu em investidas amorosas e utilizava referências religiosas para tentar se aproximar da subordinada. Em mensagens, dizia que conversava com Deus sobre ela em orações e chegou a falar sobre casamento e filhos.
As respostas da soldado, porém, mostram rejeição constante. “Vamos manter o profissionalismo, por favor” e “Eu só peço para que me deixe em paz” estão entre as mensagens enviadas por Rariane.
A policial também relatou constrangimento dentro da corporação após colegas comentarem que ela seria amante do superior hierárquico. Segundo a denúncia, Neto teria usado a posição de comando para pressioná-la, sugerindo transferência para uma função próxima a ele e ameaçando removê-la após recusas.
As acusações incluem assédio sexual e moral, perseguição, ameaça e coação. A Corregedoria da PM analisa administrativamente as conversas e a conduta do oficial.
De acordo com o relato da soldado, as abordagens ultrapassaram o ambiente virtual. O tenente-coronel teria ido até o condomínio onde ela mora levando flores. Imagens de câmeras de segurança registraram a passagem dele pelo local. Em mensagens posteriores, o oficial afirmou ter encontrado o endereço e elogiou a estrutura do condomínio.
Rariane também afirmou que Neto retornou ao prédio usando viatura oficial e fardado durante o expediente, o que contraria normas internas da Polícia Militar sobre uso de veículos da corporação.
As mensagens teriam continuado mesmo após a morte de Gisele Alves. Segundo a denúncia, o tenente-coronel procurou novamente a soldado para afirmar que não havia cometido o crime contra a esposa.
Geraldo Neto está preso acusado de feminicídio e fraude processual. Segundo o Ministério Público, ele matou Gisele porque não aceitava a separação após ela descobrir traições do marido. A investigação aponta ainda que o oficial tentou alterar a cena do crime para simular um suicídio.
A defesa sustenta que Gisele tirou a própria vida e afirma que o oficial é inocente.
Além da ação criminal, Neto responde a procedimentos internos na Polícia Militar e pode perder o cargo. A Corregedoria também apura se ele tentou intimidar policiais militares que atenderam a ocorrência da morte da esposa.
Fonte: G1