Tratamento genético pode reduzir colesterol de forma permanente, dizem cientistas

por Redação

Um tratamento experimental de edição genética conseguiu reduzir drasticamente os níveis de colesterol LDL — conhecido como colesterol ruim — em um pequeno estudo preliminar divulgado nesta segunda-feira. Segundo os pesquisadores, a terapia pode oferecer uma prevenção definitiva contra doenças cardíacas após apenas uma única infusão.

O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine e analisou 35 pacientes com colesterol geneticamente elevado ou doenças cardíacas. Nos participantes que receberam a dose mais alta do tratamento, os níveis de LDL caíram em até 62%. Em parte do grupo, os resultados foram mantidos por pelo menos 18 meses.

A pesquisa ainda está em fase inicial e deverá envolver até 85 participantes antes de avançar para um estudo maior com 200 pacientes. Mesmo assim, especialistas classificaram os resultados como promissores.

A terapia utiliza uma técnica de edição genética que atua diretamente no gene PCSK9, responsável pela produção de uma proteína ligada ao acúmulo de colesterol no sangue. Após a alteração genética, o fígado passa a remover mais colesterol LDL da corrente sanguínea, mantendo os níveis baixos.

O estudo foi liderado pelo cardiologista Sekar Kathiresan, CEO da Verve Therapeutics, atualmente subsidiária da Eli Lilly. Segundo ele, o projeto foi motivado por seu histórico familiar de doenças cardíacas. O pai, a avó, o tio e o irmão sofreram ataques cardíacos, e o irmão morreu aos 42 anos.

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que ainda são necessários mais dados de segurança. A FDA exige acompanhamento de pacientes submetidos a terapias genéticas por até 15 anos.

Hoje, o colesterol alto já pode ser tratado com estatinas e medicamentos injetáveis, mas muitos pacientes abandonam o tratamento. Estudos indicam que entre um terço e metade das pessoas param de usar remédios para colesterol em até um ano.

Uma das participantes do estudo, Alice Thomas, de 64 anos, contou que não conseguia tolerar estatinas e não tinha acesso aos medicamentos injetáveis pelo plano de saúde. Após receber a infusão experimental, seu colesterol LDL caiu de 190 para 50 em apenas duas semanas.

— Isso é ótimo. Uma única aplicação e tudo acaba — afirmou.

Fonte: OGLOBO

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